Presidente da Rackspace prevê cautela das empresas face aos serviços cloud

“A ideia de um departamento de TI pegar no seu sistema SAP e transferi-lo para a nuvem não é realista”.

A maioria das grandes empresas não irá transferir as suas aplicações mais antigas para os serviços de cloud computing nos tempos mais próximos, mas está a responder muito bem à tecnologia no que se refere a novos projectos, afirmou o presidente da Rackspace, durante uma apresentação na conferência Structure 2010, realizada esta semana em São Francisco.
“A ideia de um departamento de TI poder pegar no seu sistema SAP e transferi-lo para a nuvem não é realista. Não é assim que os departamentos de tecnologia actuam”, sublinhou Lew Moorman, chief strategy officer e presidente da Rackspace. Segundo este responsável, “o número de novos projectos na nuvem vai largamente ultrapassar as migrações em grande escala”.
Embora as aplicações de produtividade tenham características próprias para serem executadas em plataformas cloud, essa migração não irá acontecer de forma significativa e rápida, na opinião de Moorman, para quem as empresas começarão por fazer migrar o componente de recursos humanos do SAP para ver como corre, antes de dar o passo seguinte. “Aos poucos, as aplicações existentes acabarão por ser desagregadas e ir parar à nuvem, mas este será um processo de 10 anos”, considera.
As empresas já estão a tirar partido dos serviços cloud para pequenos novos projectos, para os quais podem agora adquirir recursos de forma mais facilitada, prossegue. “Existe um grande número de projectos e ideias nas cabeças dos responsáveis de TI das empresas, que acabarão por se virar para os serviços cloud para os concretizar.
A Rackspace continua a mover-se sobretudo no negócio dos serviços de alojamento, com apenas 10 por cento das suas receitas a provir dos serviços cloud, de acordo com o próprio Moorman. Mas o seu volume de negócios está a crescer muito mais rapidamente no negócio do cloud computing e, dentro de alguns anos, este deverá representar metade das receitas da empresa. “Existe uma grande oportunidade por detrás destas tecnologias”, considera Moorman.
Outros presentes nesta conferência também disseram ter notado um crescente interesse pelos serviços cloud por parte de departamentos individuais ou projectos temporários. “Se quisermos de facto perceber o que se está a passar no cloud computing, não devemos ir ao departamento de TI”, sustenta o analista da Forrester Research, James Staten. Segundo este especialista, um CIO poderá dizer que apenas cinco por cento das tarefas computacionais da sua empresa estão a ser feitas com recurso a serviços cloud, sem saber o que o seu departamento de investigação e desenvolvimento está a fazer, porque este não reporta as suas actividades à administração da companhia.
Embora a natureza da generalidade dos projectos cloud de hoje seja sobretudo táctica, as empresas deverão, mais cedo ou mais tarde, virar-se para a migração das suas aplicações residentes, segundo a analista da Frost and Sullivan, Vanessa Alvarez. “Acredito que existem aplicações que fazem sentido colocar na nuvem”, sustenta, dando o exemplo do e-mail, que não funciona em tempo-real. Por outro lado, os sistemas CRM (customer relationship management) são mais complexos de migrar e contêm dados sensíveis sobre os clientes das empresas, pelo que os custos envolvidos na migração, em termos de dinheiro e recursos, seriam inevitavelmente mais elevados.
Contudo, esta analista também não acredita que as principais aplicações das empresas sejam as primeiras a ser transferidas para os serviços cloud, devendo isso verificar-se apenas em 2011.




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