Portugal Telecom evolui para IPv6

Actuais endereços IPv4 devem esgotar-se nos próximos meses mas o seu registo já é desaconselhado

A Portugal Telecom (PT) anunciou hoje o compromisso de migrar as suas infra-estruturas de rede para a versão seguinte do Internet Protocol (IPv6), assegurando uma cobertura total no segundo semestre de 2011. Em paralelo, a empresa anunciou o início de uma fase-piloto para ajudar as empresas a migrarem para o IPv6 e criou uma rede específica com esta nova versão, facilitando os testes e garantia de compatibilidade com o actual IPv4.
A empresa anunciou ainda que o seu site (indisponível no momento de publicação) e a página principal do Sapo já dispõem de uma versão IPv6 e criou um site com informações sobre o tema.
“O IPv4 não vai desaparecer”, salientou Mário Almeida, responsável pela área na Portugal Telecom, no IPv6 Day que decorreu hoje em Lisboa. Mas “já só sobram 6% desses endereços” que se devem esgotar em Agosto de 2011, segundo o IPv4 Address Report.
Também Latif Ladid, presidente do IPv6 Forum, salientou essa escassez e alertou que muitos dos endereços remanescente estão “sujos” e não devem ser usados pela banca, governos ou infra-estruturas críticas. (Ver, sobre este assunto, “Últimos endereços IPv4 podem gerar problemas“.)
Ladid considerou ainda o avanço “pioneiro, catalizador” de Portugal na evolução para o IPv6, enquanto a PT revelou em comunicado que “Portugal será um dos primeiros países do mundo a implementar uma rede IPv6, a par do Japão, China e Coreia do Sul. Com 5,1 milhões de endereços IPv4, segundo o responsável do IPv6 Forum, o nosso país tem 4,4 milhões de utilizadores da Internet (41% da população) mas apenas 0,4% cria conteúdos no Facebook e 0,6% no YouTube (contra 22,6% nos Estados Unidos).
“O IPv4 liga computadores” enquanto o “IPv6 liga pessoas”, referiu Ladid, e “vai-se olhar para trás e ver que o IPv4 foi uma experiência” perante as potencialidades da nova versão. Esta vai assegurar o crescimento e continuidade da Internet para um novo modelo com dispositivos “always on”, autoconfiguráveis e, espera-se, com maior garantia de privacidade e de segurança.
A Comissão Europeia está igualmente envolvida no estímulo ao uso do IPv6 porque não quer “um abrandamento do crescimento da Internet”, porque a nova tecnologia “pode provocar distorções de mercado” e ter “efeitos negativos na inovação”, referiu Per Blixt, responsável das “New Infrastructure Paradigms and Experimental Facilities” na Direcção Geral da Sociedade de Informação e Media da Comissão Europeia. Blixt acrescentou ainda a questão “étnica” porque “a Ásia está a mover-se mais rapidamente para o IPv4”.
A Network World afirmava ontem que esses endereços podem esgotar-se já em Dezembro precisamente pelos “níveis sem precedentes de adopção na banda larga e sem fios na região Ásia/Pacífico”.
A Internet Assigned Numbers Authority (IANA), que distribui pelos cinco Regional Internet Registries (RIR) os endereços requisitados, entregou no primeiro semestre do ano mais endereços aos RIR do que em todo o ano de 2009.




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