Operadores de banda larga queixam-se de problemas na procura

A necessidade de criar interesse pela banda larga é um dos principais factores para a adopção avançar para outros patamares, de acordo com a maioria dos operadores.

Em debate promovido pela APRITEL, em torno do tema “Banda larga para todos”, um painel de operadores evidenciou que apesar da elevada taxa de cobertura do território com infra-estrutura de banda larga, acima dos 90%, subsistem vários problemas no campo da procura, que estão a atrasar a adopção. Dos baixos rendimentos de potenciais clientes, à falta de interesse, foram vários os factores apontados. Mário Vaz, da Vodafone afirmou que o papel do Estado será essencial na criação desse interesse, um dos factores mais citados, como fundamental, a par da literacia digital. De acordo com dados citados por Ana Paula Marques, da Optimus, as três principais razões para as pessoas não aderirem à banda larga são: o facto de não sentirem necessidade (32,8%), a falta de conhecimentos para usar o PC; a falta do dispositivo em si (22,1%).
No encerramento da conferência organizada pela associação, em declarações para o Computerworld o secretário de Estado, Paulo Campos acredita que os programas desenvolvidos pelo Governo, no âmbito do Plano Tecnológico (e-escolas  e e-escolhinhas, entre outros) vão ajudar a resolver os problemas de literacia digital e interesse pela banda larga. Mas sobre medidas concretas e programas específicos para incrementar, por exemplo o nível de utilização de serviços públicos online, o responsável não foi concreto – embora tenha avançado que estão várias iniciativas em preparação. Além disso, aludiu às taxas de entrega das declarações fiscais por Internet, para ilustrar que o nível de utilização dos serviços está a melhorar.
Pedro Leitão, da PT sugeriu a utilização de fundos comunitários, para promover  as competências digitais e utilização da Internet, além do desenvolvimento, por parte do Estado, de mais serviços electrónicos e estímulos. O objectivo será levar a população a perceber a importância cada vez maior do mundo digital nas suas vidas. Além disso, enfatizou a necessidade de desenvolver conteúdos em português, nomeadamente os escolares, como factor de promoção da banda larga. Na opinião, de Tiago Oliveira Santos, da AR Telecom, o que as pessoas valorizam verdadeiramente são os conteúdos, e nessa linha apontou os serviços de televisão como um forte concorrente. Por isso, considera que não se deve dissociar o segmento da banda larga, de outros segmentos de mercado.
O tema da introdução do acesso por banda larga no âmbito do serviço universal de comunicações, foi abordado pela executiva da Zon, Daniela Antão, a qual considera a promoção de um ambiente concorrencial entre operadores, como a melhor forma de conseguir fornecer acesso por banda larga, ao melhor preço. Na opinião da executiva, o serviço não tem de ser fornecido com as larguras de banda máximas. Na sua visão basta garantir o mínimo. Um pouco nesta linha, Mário Vaz lembrou como solução a utilização de outros dispositivos como os smartphones ou o iPad.

“Pocket share” é exíguo

Para Tiago Oliveira Santos, da AR Telecom, os portugueses gastam muito em comunicações móveis de voz, e já não sobra “espaço” no orçamento das famílias, ou “pocket share”, para pagar mais um serviço de banda larga. De acordo com dados revelados por Ana Paula Marques, o quarto factor inibidor de adopção da banda larga, citado por 11,2 % dos não aderentes, é o custo dos serviços.
Na opinião do executivo, o apoio à vulgarização do teletrabalho pode ser um factor promotor importante. Joaquim Santos, da Oni, considera a emergência do cloud computing como um factor importante de dinamização e chama a atenção para a necessidade de haver uma segmentação estratégica competitiva da oferta, dada a maturidade do mercado, especialmente no empresarial.



  1. As empresas fornecedoras de banda larga têm que começar por melhorar substancialmente a lamentável e miserável qualidade dos seus serviços, e só depois procurar então os outros motivos de falta de adesão.

    A situação está num impasse porque estas empresas não investem na melhoria do serviço, e os utilizadores não aderem porque “já ouviram dizer ao fulano de tal que a ligação funciona mal”, os fornecedores subestimaram o poder da passagem da palavra entre a sociedade.

    Posso atestar que já experimentei vários serviços de banda larga de empresas diferentes e todos primam pela falta de qualidade e profissionalismo, já para não falar dos preços “avultados” que as ligações custam em comparação com outros países.

    Outra funcionalidade que deveria existir em cada operador é um provedor ao qual possam ser levadas as queixas, não só do serviço mas também das pessoas que estão em contacto directo com os clientes, dos técnicos e das pessoas responsáveis na toma das decisões, estes últimos são os que só olham para os números, não melhoram a qualidade do serviço até que existam x utilizadores, mas como os utilizadores sabem que o serviço “não presta” não aderem, e as pobres vítimas que já têm contrato e estão a usufruir de um serviço péssimo são as que sofrem, e muitas vezes acabam por cancelar os serviços.

    Os operadores que arrumem primeiro a casa e melhorem os serviços, e depois peçam então a ajuda do estado na promoção das ligações de banda larga.

    Cumprimentos.

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