Receitas da Compta deverão ultrapassar 100 milhões em 2014

Jorge Delgado, administrador executivo da Compta, prevê que daqui a quatro anos a empresa que dirige deverá facturar perto de 100 milhões de euros, com 25% do valor a ser realizado em mercados externos.

O plano estratégico de desenvolvimento e reorganização das actividades da Compta prevê a criação de uma empresa “rejuvenescida” que, em 2014, será responsável por receitas superiores a 100 milhões de euros. E as vendas provenientes das operações no exterior deverão representar 25% da receita total da Compta.
Jorge Delgado, administrador executivo da Compta, refere que a entrada de Armindo Monteiro e de Francisco Balsemão como accionistas principais da Compta foi “determinante para inverter o processo de degradação das actividades da empresa no território nacional” (ver caixa). Dar sequência a uma “grande empresa”, com mais de 30 anos de existência no mercado nacional, foi definido como o principal objectivo dos novos accionistas.
Jorge Delgado assume a liderança da Compta no decorrer do exercício fiscal de 2007 e, em conjunto com os accionistas, desenvolve um plano estratégico de “rejuvenescimento da empresa em cinco anos”.
Numa primeira fase, refere Jorge Delgado, a estratégia da Compta contemplou a reestruturação financeira da empresa, nomeadamente através da realização de aumentos de capital e da concretização de uma operação harmónio. Tal permitiu o aumento dos capitais próprios e a redução da divida bancária da empresa. Numa segunda fase, coincidente com a entrada de Jorge Delgado, era necessário “revitalizar a actividade da empresa no mercado nacional, assim como criar uma nova dinâmica comercial”, esclarece o responsável da Compta. Para tal, e após o saneamento financeiro da empresa, a estratégia contemplou a “identificação das potencialidades da empresa”. Jorge Delgado refere que a existência de recursos humanos que acreditavam nas competências da empresa, as telecomunicações e as aplicações como os aspectos fortes da empresa. Por outro lado, era necessário “criar uma oferta adaptada às necessidades das organizações empresariais nacionais”, explica o responsável pelas actividades da Compta no território nacional.
Neste contexto, a área de infra-estruras e de segurança foi identificada como crucial para a actividade da empresa no território nacional, explica Jorge Delgado. Para tal, a empresa procedeu à contratação de recursos humanos qualificados para desenvolver esta área de negócio.
Por outro lado, a estratégia da empresa contemplou ainda o reforço da área de comunicações, área que, segundo Jorge Delgado, estava “no ADN da Compta”. Para tal, a empresa adicionou as soluções da Cisco Systems ao seu portfolio de produtos e serviços de comunicações que já incluía as soluções da Avaya e da Enterasys.
Por último, e concluído o processo de reestruturação financeira e de reorganização comercial, os responsáveis da Compta procederam à identificação do potencial de crescimento da empresa no território nacional. Para tal, era necessário “aliar o negócio à tecnologia”, salienta Jorge Delgado. Deste modo, a estratégia da Compta contemplou ainda a criação de uma área de negócios emergentes, explica Jorge Delgado. Com efeito,
Com a criação desta área, vocacionada para a gestão operacional do negócio dos seus clientes, a empresa desenvolve uma oferta na área da gestão portuária, da gestão ferroviária, da gestão de resíduos, da gestão de frotas, de gestão de combustíveis e de gestão da fraude. Para o responsável da Compta, a criação desta área veio possibilitar a “integração da tecnologia com o conhecimento profundo do negócio das organizações empresariais”.
Presentemente, e em resultado da reorganização das actividades iniciada em 2007, a Compta encontra-se estruturada em redor de três áreas principais –  infra-estruturas e segurança, comunicações e aplicações – e emprega cerca de 220 colaboradores, dos quais mais de 50% contratados após ter sido iniciada a reorganização das suas actividades, destaca o responsável da empresa.
A internacionalização das actividades da Compta foi outra das vertentes da estratégia adoptada pela empresa. Assim, a estratégia definida pela empresa contempla o acompanhamento da internacionalização dos grupos económicos nacionais, explica o responsável da Compta.
Em 2008, a empresa optou pela criação da Compta Angola e, no ano seguinte, procedeu à abertura da Compta Cabo Verde, refere Jorge Delgado. Na opinião do responsável pelas actividades da Compta, a empresa possui uma “experiência acumulada no território nacional que poderá ser útil no território angolano”. Presentemente, a Compta lidera projectos em Angola, na Polónia, na Roménia, em Moçambique, em Cabo Verde e no Qatar.
Presentemente, as receitas provenientes dos mercados externos representam apenas 5% da facturação global da Compta. Contudo, Jorge Delgado refere que, em 2014, as receitas provenientes da internacionalização das actividades da empresa deverão “ultrapassar 25% do volume global de negócios”.
Neste contexto, não será de estranhar que os resultados começassem a ser visíveis logo no primeiro ano de actuação. Assim, e apesar de, no primeiro semestre, a empresa ter facturado somente 3 milhões de euros, viria a encerrar o exercício fiscal desse ano com um volume de negócios de 12 milhões de euros e a registar, pela primeira vez em alguns anos, resultados líquidos positivos (mais de 2,8 milhões de euros), refere o responsável da empresa.
No ano seguinte, a Compta ultrapassa a barreira dos 20 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento de 60% relativamente ao ano anterior, e regista lucros ligeiramente inferiores aos do ano anterior – 158 milhares de euros. Apesar de ainda não poder divulgar os resultados referentes ao ano passado, Jorge Delgado salienta que a empresa deverá registar uma “taxa de crescimento acima dos 30%”.
Jorge Delgado refere ainda que o plano estratégico da Compta contempla um volume de negócios de 100 milhões de euros em 2014/2015. Para tal, e apesar de não excluir a concretização de aquisições – recentemente a Compta adquiriu 60% do capital social da Softmaker -, Jorge Delgado refere que a empresa irá dar continuidade à estratégia adoptada nos últimos anos e que pretende afirmar-se como um integrador global no território nacional. Esta realidade irá permitir-lhe continuar a crescer organicamente a um ritmo de dois dígitos nos próximos anos, assegura Jorge Delgado.

Descida ao inferno

O efeito conjugado do impacto da crise resultante do ‘crash’ das ‘dot-com’ no território nacional e de algumas decisões estratégicas que não tiveram os resultados desejados provoca um terramoto na situação financeira da Compta. Com efeito, em 2000, a Compta encerrava o exercício fiscal com receitas superiores a 47,1 milhões de euros e 549 milhares de euros de lucros. No ano seguinte, as vendas são ligeiramente superiores a 30,9 milhões de euros e os lucros de 81 mil euros. Em 2002, o relatório e contas da empresa registava receitas de 25,8 milhões de euros e prejuízos de 675 milhares de euros. No ano seguinte, a empresa regista receitas de 22, 6 milhões de euros e prejuízos idênticos aos do ano anterior (689 milhares de euros). A crise na empresa agudiza-se em 2004, com as vendas a baixarem para 19,9 milhões de euros e os prejuízos a ultrapassarem 6,7 milhões de euros. Apesar de reduzir os prejuízos (-3,8 milhões de euros), as receitas da Compta voltam a cair em 2005 – 16,1 milhões de euros. Seis anos mais tarde, a empresa encerrava o seu exercício fiscal com vendas de 11,9 milhões de euros e prejuízos de 5,4 milhões de euros. Em apenas três anos, a Compta acumulava prejuízos ligeiramente inferiores a 16 milhões de euros.




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