Carências do cloud computing tornam-se mais claras

Os utilizadores de cloud computing estão a mudar o foco da sua atenção, dando agora mais importância ao que falta nesta tecnologia do que ao que esta pode oferecer.

Todos estão conscientes de que o cloud computing oferece escalabilidade e pode ser muito melhor em termos de disponibilidade. O que parece estar a crescer de dia para dia é a lista do que as empresas se queixam de estar ausente no modelo.

O cloud computing não tem padrões de gestão de dados e práticas de segurança. Não especifica, sequer, se um fornecedor tem a obrigação de dizer aos utilizadores se os dados estão a ser armazenados no país da empresa ou não. E a indústria está apenas a dar os primeiros passos para enfrentar estas preocupações, nomeadamente através da criação de grupos como a Cloud Security Alliance.
A indústria do cloud computing parece, aos olhos de muitas empresas, ainda algo desordenada, o que tem provocado uma onda de frustração face á tecnologia. Aliás, esta palavra parece estar a ser cada vez mais adoptada nas discussões sobre cloud computing, o que aconteceu durante a conferência SaaScon 2010, realizada esta semana.
A frustração sobre a falta de padrões cresce ao mesmo ritmo que os serviços baseados na nuvem penetram nas empresas. Um exemplo é a companhia de viagens Orbitz LLC, que trabalha com uma variedade de negócios e ofertas de serviços, como agendamento de partidas de golfe, reservas de espectáculos e cruzeiros. Como muitas companhias que adoptaram o cloud computing, a Orbitz é tanto um fornecedor como um utilizador de software como serviço (SaaS). O director de segurança da informação da companhia, Ed Bellis, dá crédito aos serviços SaaS, em particular por terem permitido o crescimento da empresa, ao concentrar-se nas suas competências centrais. Mas, ao oferecer serviços SaaS, a Orbitz precisa de lidar com uma série de requisitos extremamente desorganizados e que podem ir das audições locais às inspecções a data centers, segundo Bellis.
Uma solução potencial é um padrão para a segurança dos dados, em desenvolvimento pela Cloud Security Alliance, que colocaria as informações num formato comum e daria aos consumidores uma compreensão do que é exactamente a política de segurança em vigor.
Se um acordo for obtido para a criação de um padrão como este, “seria perfeito”, considera Ed Bellis, segundo o qual teria o potencial de “reduzir em um terço o trabalho interno”. Mas este responsável afirma ter ideia de quando este padrão será alcançado, por causa do trabalho necessário para reunir o interesse de um representativo número de utilizadores e fornecedores.
Na conferência SaaScon, a necessidade de alcançar acordos de indústria ficou bem patente. Embora o cloud computing represente flexibilidade, capacidade de escalabilidade e disponibilidade rápida de servidores, os contratos com os fornecedores destes serviços podem ser tudo menos flexíveis, conforme sublinha o vice-presidente das operadoras do serviço de prescrição e-Doctor Dispense LLC, Keith Waldorf.
Waldorf deu o exemplo de um fornecedor de serviços com o qual trabalhou, mas cujo acordo de nível de serviço (SLA) o limitou a utilizar apenas o software e hardware que constavam do contrato.
Este tipo de acordos oferecidos por fornecedores de serviços cloud “são muito frequentes e só beneficiam os interesses do fornecedor”, acusa Waldorf. Desde então, este responsável resolveu mudar os seus serviços para a StrataScale Inc, que lhe oferece hardware gerido virtualmente.




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