Empresas tecnológicas levam Nasdaq ao seu máximo de 18 meses

A crescente confiança levou as acções das empresas de tecnologia a atingirem níveis semelhantes a 2008, antes da implosão de Wall Street ter levado à ruptura nos mercados de crédito e afectado fortemente a a venda de tecnologia.

O índice tecnológico Nasdaq atingiu o seu máximo dos últimos 18 meses na passada quinta-feira, fechando a sessão nos 2391, o valor mais elevados desde Agosto de 2008. Também o índice industrial Dow Jones e o 500 Stock Index da Standard & Poor chegaram aos seus valores mais altos dos últimos 17 meses.
Fez esta semana 18 meses que o Lehman Brothers abriu falência, mais concretamente a 15 de Setembro de 2008. Como resultado da insolvência do banco, a indústria financeira e praticamente todos os mercados de capitais iniciaram uma acentuada trajectória descendente. As companhias tecnológicas, tal como as de todos os outros sectores, não ficaram imunes a esta crise praticamente sem precedentes.
Esta semana, as boas notícias macroeconómicas influenciaram de forma muito positiva o comportamento dos mercados. Por exemplo, o Departamento do Trabalho norte-americano aliviou alguns receios esta semana quanto à inflação dos Estados Unidos ao reportar que o Índice de Preços no Consumidor para Fevereiro manteve-se sem alterações, após uma subida de 0,2 por cento em Janeiro. O Departamento do Trabalho disse, ainda, que houve uma redução de cinco mil no número de novos pedidos de subsídio de desemprego na semana terminada a 13 de Março. No início dessa semana, o Federal Reserve Board tinha dito que a sua taxa de fundos federais iria permanecer nula pelo menos no curto prazo, dando com isso um sinal de que pretende manter as taxas de juro reduzidas, o que acaba por estimular a atribuição de crédito e a despesa.
Os fabricantes de tecnologia, contudo, têm sido ajudados por uma corrente de boas notícias relativas ao sector das TIC, contribuindo para que outros sectores saiam também da crise e iniciem um percurso de retoma.
As acções do Nasdaq referentes aos fabricantes de computadores subiram já 73 por cento ao longo dos últimos 12 meses, enquanto os papéis das telecomunicações registaram um crescimento no seu valor de 53 por cento durante o mesmo período. Comparativamente, o índice composto Dow Jones cresceu 44 por cento nos últimos 12 meses.
Esta semana, a ABI Research emitiu um relatório sobre a venda de smartphones que mostra um crescimento significativo neste mercado durante o quarto trimestre de 2009.
Com efeito, as vendas de smartphones nos últimos três meses do ano registaram um aumento no número de unidades vendidas de 25 por cento face ao trimestre anterior.
“Normalmente, o quarto trimestre é sempre mais forte que o terceiro, mas a verdade é que este último só registou um crescimento de 3,6 por cento face ao segundo”, afirma o analista da ABI, Michael Morgan, acrescentando que “a robustez deste mercado, num cenário de retoma generalizado, é muito encorajadora”.
A Apple teve o seu melhor trimestre no que toca à venda de smartphones de sempre, enquanto a Nokia vendeu 21 milhões de telefones, quando costuma apenas vender entre 15 e 16 milhões, diz o relatório da ABI.
A IMS Research, entretanto, veio dizer esta semana que as vendas de smartphones anuais na Ásia deverão mais do que quadruplicar até 2015. Este crescimento deverá fazer com que a Ásia represente 29 por cento de todas as vendas de telemóveis inteligentes no mundo.
“O mercado dos telemóveis na China e Índia vão continuar a desenvolver-se, sobretudo com a expansão das redes 3G em ambos os países”, diz o analista da IMS Research, Chris Schreck. Além disso, adianta, “os smartphones estão a tornar-se cada vez mais acessíveis a todos. Com o preço dos seus componentes a cair, os smartphones já se tornaram num mercado de dispositivos de massa, e não tanto um bem de luxo”.
Entretanto, as notícias que vêem do mercado dos computadores continuam a ser positivas. Por exemplo, as vendas de Macs no retalho subiram 43 por cento no mês passado, face a Fevereiro de 2009, depois de em Janeiro terem registado um crescimento homólogo de 36 por cento, informa o NPD Group.
Embora as comparações estejam a ser feitas com uma altura em que a indústria dos computadores atingia os seus níveis mais baixos graças à recessão, os crescimentos nas vendas são vistos pelos investidores como um sinal muito positivo. As acções da Apple atingiram um recorde de 226,60 dólares no dia 12 de Março, acabando por fechar a sessão desse dia apenas um pouco abaixo deste valor, nos 224 dólares.
A próxima ronda de resultados trimestrais ainda deverá estar a um mês de distância, mas os números que se conhecem hoje são encorajadores. Esta semana, as notícias não foram más para a Palm, por exemplo. Embora a companhia, tal como era esperado, tenha perdido dinheiro, as perdas acabaram por ser inferiores às do período homólogo do ano passado, uma vez que as suas vendas cresceram. A companhia reportou na passada quinta-feira que o seu prejuízo para o trimestre terminado a 28 de Fevereiro foi de 18,5 milhões de dólares, contra os 95 milhões do ano anterior, tendo as vendas subido dos 91 para os 350 milhões de dólares. As acções da Palm subiram 0,28 dólares, fechando a sessão de quinta-feira nos 5,65 dólares.




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