Empresas descontentes face aos projectos de ERP

Mais de metade das empresas que implementam sistemas ERP acabam por não conseguir usufruir de mais de 30 por cento dos benefícios de negócio que esperavam, de acordo com um novo estudo do Panorama Consulting Group.

Segundo a pesquisa realizada, 72 por cento das 1600 organizações inquiridas pela Panorama disseram sentir-se “bastante satisfeitas” com o seu pacote ERP. Mas esta elevada percentagem pode induzir em erro, de acordo com o relatório, porque “alguns executivos já ficam satisfeitos por concluir os seus projectos e proteger a sua empresa do risco, reflectindo pouco sobre se o negócio funciona melhor com o novo software ou se estarão a tirar partido dessa ferramenta”.
Na sua análise, a Panorama divide as ofertas ERP em três níveis. O primeiro inclui os produtos de grandes fabricantes, como a SAP, Oracle e Microsoft; o segundo, os de companhias como a Lawson, Infor e Sage; e o terceiro, o software de pequenos agentes, como a Compiere, NetSuite e Syspro.
De acordo com as conclusões do estudo, 35 por cento das empresas reconhece que os seus projectos ERP exigiram mais tempo do que o inicialmente previsto. Só 21,5 por cento os terminou antes do planeado, e 43 por cento na data prevista. No caso dos projectos referentes a soluções do primeiro nível – software de grandes fabricantes – 30 por cento sofreram atrasos, percentagem que se reduz respectivamente para 18 e cinco por cento quando se trata de iniciativas de segundo e terceiro níveis.
Por outro lado, 51,4 por cento dos projectos excederam os orçamentos inicialmente atribuídos, 40 por cento respeitaram-nos e 8,6 por cento não chegaram a utilizá-los na totalidade. Analisando este factor por níveis, 53 por cento das implementações de primeiro nível custaram mais do que o previsto, contra os 33 e 59 por cento das de segundo e terceiro níveis, respectivamente.
De uma maneira geral, as conclusões do estudo já são familiares aos que se movem no espaço dos ERP, há já muito repleto de histórias de processos judiciais por parte de clientes descontentes, severas derrapagens financeiras e projectos falhados.
Os clientes dos ERP podem, no entanto, evitar surpresas se estudarem cuidadosamente todas as implicações em termos de custos da implementação que pretendem, em que grande parte do investimento necessário nem sequer tem a ver com o preço das licenças de software propriamente ditas. Com efeito, três quartos do orçamento de um projecto tendem a ser gastos com a implementação, actualizações de hardware necessárias, personalização dos sistemas e outras necessidades específicas, sublinha a Panorama.
Os clientes deveriam, ainda, desenvolver um completo plano de implementação, bem como “identificar bolsas de resistência dentro da companhia e determinar as mudanças organizacionais e de gestão necessárias para o sucesso do projecto”, aconselha a consultora.
Também Ray Wang, analista do Altimeter Group, faz eco destes conselhos, acrescentando que as empresas não investem o suficiente nas mudanças de gestão necessárias e, além disso, a duração de um projecto de ERP pode ter a capacidade de exacerbar a insatisfação. “Eles instalam o sistema, mas os requisitos organizacionais podem ter mudado tanto desde que seleccionaram a solução e o respectivo fabricante que as coisas tendem a correr mal”.
Estes factores ilustram o motivo pelo qual o SaaS (software as a service) está a entrar facilmente no território do ERP tradicional, graças às suas rápidas implementações e actualizações mais fáceis, refere ainda Wang.
“Isto não significa que o SaaS vai substituir totalmente o ERP tradicional, mas a verdade é que há aspectos muito mais fáceis de gerir neste modelo”, tais como as aplicações de recursos humanos, que requerem actualizações frequentes que reflictam as mudanças legais e regulatórias.




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