Maior conectividade do continente africano leva a aumento das botnets

O crescimento na penetração da banda larga resultante da concretização de importantes projectos de cablagem de fibra-óptica em África tem conduzido a uma autêntica explosão de botnets no continente, de acordo com um relatório recente da Team Cymru.

O estudo realizado pela empresa de segurança mostra que o crescimento da conectividade nos 12 países africanos analisados tem levado a uma maior abertura da Web aos ciber-criminosos que operam dentro e fora das suas fronteiras. Os países incluídos no estudo foram o Egipto, Algéria, Marrocos, Nigéria, África do Sul, Tunísia, Líbia, Gana, Costa do Marfim, Sudão, Etiópia e Quénia.
“Comparativamente com o resto do mundo, os problemas com botnets de África não parecem à primeira vista muito graves, uma vez que na China, Rússia, Brasil e Estados Unidos, por exemplo, a situação é muito mais grave. No entanto, o número de computadores existentes no continente é proporcionalmente mais baixo e, como tal, a taxa de infecção acaba por ser superior ao que inicialmente se pensava”, diz o relatório.
De acordo com o estudo, é provável que as máquinas infectadas façam parte de uma ou mais botnets, sob o controlo de um indivíduo ou grupo localizado em qualquer parte do mundo.
“É essencial que as pessoas percebam que este não é um problema exclusivo de África, ou do mundo Ocidental ou mesmo um problema tecnológico – é um problema global e pessoal. Mas não há dúvida que os países do continente africano estão agora a sofrer com a forte ofensiva deste tipo de crime”, afirma Steve Santorelli, ex-detective da Scotland Yard e director da Team Cymru.
De acordo com a investigação levada a cabo entre Novembro de 2009 e Fevereiro deste ano, o Egipto é o país com o maior número de máquinas infectadas (42 mil), seguido da Algéria (20 mil), Nigéria (11 mil), Marrocos (8 mil) e África do Sul (4 mil).
A empresa de segurança sem fins lucrativos recorreu a endereços IP para chegar a estas conclusões, admitindo que alguns erros nos serviços IP possam alterar os resultados da pesquisa.
O estudo chega a uma conclusão no mínimo curiosa: o resto do continente africano, sem contar com os países analisados, não tem quaisquer botnets, o que leva a questionar se esses países implementaram medidas eficazes de segurança ou se, por outro lado, erros na alocação dos endereços IP impedem a identificação correcta das máquinas infectadas.
De acordo com Santorelli, os criminosos continuarão a apontar baterias à região africana, recorrendo à captura de dados bancários para desviar fundos de empresas e particulares, sendo expectável que o problema se agrave se não forem desenvolvidos esforços concertados para travar este problema, local e internacionalmente.
“A resolução deste problema exige o contributo de todos os sectores, incluindo governos, organismos reguladores, autoridades policiais e legais, ISPs e vítimas, ultrapassando todas as fronteiras políticas e culturais”, sublinha o director da Team Cymru.
O estudo analisou também a variação no número de máquinas infectadas diariamente ao longo de um período de três meses, tendo a Nigéria surgido no topo da lista, com um número de equipamentos comprometidas a oscilar entre os cinco e os 11 mil. Refira-se que a Nigéria é o país de África com o maior índice populacional, mais concretamente 150 milhões de pessoas.




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