Gestão de centros de dados continua mal focalizada

Os CIO e directores de TI prevêem gastar com o pessoal dos seus data centers mais do que em qualquer outra área das TI durante 2010, de acordo com um estudo recente da IDC.

Apesar da recessão, as grandes organizações europeias planeiam aumentar as suas despesas com pessoal em cerca de 10 por cento durante este ano, o que representa nove vezes o crescimento previsto pela IDC para todo o investimento em tecnologia.
A virtualização e a automatização geraram consideráveis eficiências no centro de dados, mas também fizeram surgir novos problemas, segundo a IDC. Num estudo recente, a consultora sublinha uma série de aspectos que conduziram ao aumento nas despesas nesta área.
Segundo o documento, 25 por cento das empresas ainda gerem os seus servidores e sistemas de armazenamento de forma manual, o que as obriga a assumir custos superiores aos das organizações que utilizam ferramentas automatizadas. Apenas 14 por cento das empresas estudadas introduziram um sistema de gestão totalmente integrado.
De acordo com a IDC, a virtualização veio mudar a natureza da gestão dos data centers. Por exemplo, agora a principal prioridade, citada por 31 por cento das empresas inquiridas pela consultora, é a integração de servidores, armazenamento e gestão de redes.
No entanto, existem outros pontos complexos, identificados pelas organizações participantes no estudo da IDC. Os responsáveis pelos grandes centros de dados mostram-se mais apostados em unificar a sua gestão física e virtual do que os directores de instalações de menor dimensão, para quem o mais importante é a integração de tecnologias de virtualização diferentes numa mesma estratégia de gestão.
Giorgio Nebuloni, analista do grupo de Sistemas e Infra-estrutura da IDC, afirma que “os CIOs estão agora a tentar lidar com as consequências da virtualização. Embora os benefícios sejam evidentes, o impacto da tecnologia na gestão está a constituir um desafio, pelo que novos modelos serão necessários para garantir que a virtualização continuará a contribuir de forma positiva para o funcionamento dos data centers”.
O mercado das soluções de gestão de virtualização está actualmente “aberto”, de acordo com a IDC, com 52 por cento das organizações a dependerem dos seus fornecedores de soluções de virtualização, 32 por cento a recorrerem aos seus fabricantes de sistemas para gerirem os seus ambientes virtualizados, e 16 por cento a socorrerem-se dos seus fornecedores de suites de gestão.
A automatização dos data centers está a tornar-se cada vez mais importante, com 69 por cento dos inquiridos a considerar que é necessária para optimizar o alinhamento com os objectivos de negócio das empresas. A automatização é sobretudo motivada pelo objectivo da redução de custos, logo seguido da diminuição de erros conducente a uma melhor segurança da infra-estrutura.
Acerca das conclusões deste estudo, Nathaniel Martinez, director do grupo de Sistemas e Infra-estrutura da IDC, afirma que “os gestores de centros de dados estão muito mais preocupados em encontrar os fornecedores certos que os ajudem a resolver problemas de segurança e fiabilidade do que em garantir que os seus data centres cumprem os requisitos dos seus negócios”.
A IDC acredita que os CIOs “necessitam reduzir os custos operacionais dos seus data centers e, mais importante ainda, saber mostrar a relação directa entre os investimentos feitos nos centros de dados e o sucesso do negócio”.
Jon Gasparini, consultor principal da Morse, sustenta por seu turno que “realizar um projecto completo de automatização pode ser algo muito moroso e consumidor de recursos. Na sua opinião, “as empresas precisam de perceber que não ter que ser tudo ou nada – é possível e muitas vezes preferível fazer uma abordagem passo-a-passo no que toca à automatização dos data centres”.
Para o consultor, as empresas devem identificar quais as tarefas de gestão que mais tempo e recursos consomem e automatizá-las em primeiro lugar. “Se o fizerem, serão capazes de recuperar o investimento feito na automatização numa questão de meses”, considera.




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