Europeus preferem empresas de recrutamento a outsourcers

A preferência manifestada pelas empresas da Europa Ocidental em relação à contratação de pessoal de TI está a fazer com que o negócio das companhias de outsourcing nesses países diminua, de acordo com um relatório recente da Forrester Research.

De acordo com a pesquisa da consultora, as empresas da Europa Ocidental – excluindo o Reino Unido, onde o outsourcing é muito popular — preferem reforçar as suas equipas internas de TI com profissionais fornecidos por companhias de recrutamento exteriores, mas que operem dentro das suas instalações, como conta Sudin Apte, analista principal da Forrester.
Segundo o estudo, as empresas analisadas não parecem interessadas em recorrer ao outsourcing fora do país. Em vez disso, dão prioridade à integração do mercado laborar nos seus países, contribuindo assim para o aumento do emprego local, mesmo que isso signifique terem que cumprir regras laborais apertadas.
A Índia exporta para a Europa Ocidental cerca de cinco mil milhões de euros em serviços de TI, sem contar com o Reino Unido, que representa cerca de cinco por cento de todos os serviços de TI fornecidos à região, segundo a Forrester.
Os outsourcers indianos preferem ser eles próprios a gerir as equipas de TI, fornecendo mão-de-obra a partir de locais offshore, o que não lhes tem granjeado muito negócio na Europa, afirma Sudin Apte.
Os países da Europa de Leste, que se esperava beneficiarem da sua proximidade geográfica e similaridade cultural com a Europa Ocidental, também não estão a conseguir fazer grandes negócios nesta região. Os países de Leste exportam, colectivamente, menos de 500 milhões de euros para a Europa Ocidental, mais uma vez sem contar com o Reino Unido, diz a Forrester.
Embora muitas empresas tendam a evitar o outsourcing, as grandes companhias multinacionais europeias, com experiência em muitos países diferentes, já fazem o outsourcing para regiões offshore como a Índia, diz o analista, acrescentando que o fazem sobretudo porque têm que competir com as grandes corporações norte-americanas que já utilizam recursos offshore de baixo custo.
Mas a tendência não é captar as empresas que têm as suas operações principalmente na Europa Ocidental, diz Sudin Apte.
Um número alargado de outsourcers indianos começou a focalizar a sua atenção na Europa e esses esforços foram sobretudo recompensados após a recessão que atingiu os EUA ter afectado em grande medida os seus rendimentos. Alguns deles, como a Infosys Technologies e a Wipro, inclusivamente já abriram filiais na Europa de Leste.
Mesmo assim, a Europa representa apenas uma pequena fatia das receitas dos outsourcers indianos. No último trimestre do ano passado, o maior outsourcer da Índia, a Tata Consultancy Services, obteve 18,5 por cento do seu volume de negócios do Reino Unido e 10,7 por cento do resto da Europa Ocidental, enquanto os EUA representaram 52 por cento das suas receitas.
Alguns dos seus concorrentes, incluindo fornecedores de serviços multinacionais, fornecem pessoal a empresas da Europa Ocidental, apenas porque isso pode abrir-lhes as portas nessas empresas, considera Apte.
Contudo, as companhias indianas têm sido relativamente inflexíveis na sua abordagem à Europa, considera o analista da Forrester, segundo o qual, mesmo que mudem essa atitude, as empresas de outsourcing da Índia não devem esperar por um crescimento dramático no seu negócio com a região, exceptuando o Reino Unido.
Daqui a três ou quatro anos, as exportações da Índia continuarão a representar cerca de 12 a 15 por cento de todos os serviços de TI comercializados na Europa Ocidental, vaticina o analista.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado