Novo cabo EASSY chega à África do Sul

Depois de muitos anos de promessas, o cabo East Africa Submarine Cable System (EASSY) chegou finalmente esta semana a Kwa-Zulu Natal, na África do Sul, esperando-se que venha a contribuir para avivar a concorrência no mercado africano da banda larga.

 A instalação do EASSY eleva para quatro o número de cabos que servem a região africana, prevendo-se que contribua para acabar de vez com a dependência do continente face às comunicações por satélite. O cabo será o primeiro a ter ligações directas com a Europa, o destino mais activo das comunicações de África.
A rede EASSY irá ligar os países das regiões sul, leste e norte de África ao resto do mundo através de vários pontos de interconexão a outras redes de cabos submarinos que transportam tráfego para a Europa, Estados Unidos, Médio Oriente e Ásia.
A instalação do cabo marca o início da fase final do longo processo de planeamento, financiamento, concepção e construção do consórcio de sistemas de cabos da costa leste de África. O cabo era suposto estar já operacional em Junho de 2009, mas a sua entrada em funcionamento foi adiada por motivos relacionados com a optimização das estruturas de custos e com o estabelecimento de acordos entre todos os operadores participantes.
O cabo EASSY deverá agora estar operacional em Junho deste ano, quase um ano depois do cabo Seacom, um sistema concorrente instalado sob o Oceano Índico.
Além dos menores custos de conectividade, espera-se que o EASSY contribua também para diminuir drasticamente as tarifas telefónicas, fixas e móveis.
“A conclusão do projecto EASSy irá aumentar a capacidade de banda larga da MTN e facilitar os esforços da companhia em curso para fornecer aos seus clientes um acesso à banda larga mais acessível”, afirma Trevor Martins, presidente do Grupo MTN e do comité de gestão do EASSY.
O cabo EASSY terá pontos de ligação terrestre em 10 países ao longo da costa marítima, nomeadamente Djibuti, Moçambique, Somália e Madagáscar. Além destes países costeiros, o cabo irá também ligar países do interior do continente africano, como a Zâmbia, o Zimbabué, o Malawi e o Uganda, através de backbones nacionais que estão actualmente a ser construídos.
Ao contrário de outros cabos, a capacidade do EASSY será vendida de uma forma aberta, permitindo a todos os operadores terem acesso igual ao cabo e com os mesmos custos, independentemente da distância face à estação base. As companhias de telecomunicações que queiram comprar parte dessa capacidade deverão depois vendê-la aos seus clientes a preços competitivos.
O cabo Seacom já serve as regiões Leste e Sul de África, estando actualmente a ser preparado para ligar a países do interior do continente. O cabo Teams, por seu turno, só serve presentemente a região da África Oriental, enquanto o SAT3 serve as regiões Sul e Oeste de África.
Contudo, muito embora as entidades gestoras destes cabos tenham prometido reduções nas tarifas com a sua entrada em funcionamento, a verdade é que a conectividade Internet permanece cara nas regiões.
Então, como conseguirá o projecto EASSY reduzir o custo dessa conectividade, tendo em conta que nenhum outro cabo foi capaz de o fazer? Chris Wood, CEO da West Indian Ocean Cable Company (WIOCC) diz que a conectividade será balizada pela estrutura accionista do consórcio EASSY, que conseguiu reduzir substancialmente o custo do investimento. A WIOCC é o maior investidor do projecto e é o único veículo de investimento no cabo EASSY. Alguns governos africanos, através de operadores de telecomunicações nacionais, são também accionistas do cabo.
Como resultado desta situação, a capacidade do EASSY poderá ser comercializada a preços muito competitivos. A gestora do cabo está também a apresentar a sua escalabilidade como uma vantagem que poderá encorajar os prestadores de serviços a vender o acesso à Internet a preços mais baixos.
Ao abrigo do projecto EASSY, os prestadores de serviços poderão adquirir entre 2M bps (bits por segundo) e 10G bps, através de contratos flexíveis que podem ir de um mês a 10 anos de duração.




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