HP abre primeiro data center refrigerado por energia eólica

O novo centro é o mais eficiente do ponto de vista energético que a HP já construiu.Visto de fora, o novo centro de dados da Hewlett-Packard no Reino Unido parece apenas um bem protegido armazém de grandes proporções.

Este nível de descrição é intencional, já que o centro Wynyard da HP tenciona alojar o mais valioso bem de qualquer companhia: os seus dados. A HP irá utilizar este novo data center para competir contra empresas como a IBM pela obtenção de contratos valiosos de serviços TI e gestão de dados, uma fonte de receita cada vez mais importante obtida a partir da exploração de gigantescos centros de dados.
E a HP espera que as inovadoras funcionalidades ecológicas que introduziu no seu centro de 360 mil pés quadrados contribuam para o pôr à frente da concorrência. Trata-se do mais eficiente data center do ponto de vista energético alguma vez construído pela HP, segundo conta Maurice Julian, director do projecto, segundo o qual as novas instalações já se encontram prontas, com quatro enormes salas de dados, expansíveis a oito se a procura assim o justificar.
A construção do novo data center foi originalmente iniciada pelo outsourcer de TI EDS, companhia entretanto adquirida pela HP por 13,9 mil milhões de dólares em Maio de 2008. O edifício encontra-se implantado numa área tempestuosa e fria a cerca de 10 quilómetros a oeste do Mar do Norte, no nordeste de Inglaterra. É totalmente refrigerado por ar, tendo a HP construído oito gigantescas ventoinhas de 2,1 metros feitas em aço inoxidável e plástico para capturar o ar fresco.
O ar corre através de um enorme banco de filtros modulares para ser libertado de pó e outros contaminantes antes de ser posto a circular por uma gigantesca cavidade, denominada plenum, por baixo das salas do data center.
O ar é, então, forçado a subir através do chão e a passar em frente dos racks de servidores antes de ser extraído. O sistema mantém as salas à temperatura constante de 24 graus centígrados e, quando está frio no exterior, parte do calor extraído é posto de novo a circular em conjunto com o ar do exterior para manter a temperatura certa.
Em Billingham, a temperatura exterior apenas sobe acima dos 24 graus cerca de 20 horas por ano, mas as novas instalações ainda necessitam de refrigeradores tradicionais para essas alturas. “Trata-se de um clima ideal para este tipo de soluções. Conseguimos, com este sistema, movimentar grandes volumes de ar a uma velocidade reduzida”, diz o director do centro.
A instalação de refrigeradores além do sistema de arrefecimento por ar instalado no data center fez subir em 6 por cento o custo de construção do centro, mas Maurice Julian afirma que esse acréscimo será rapidamente compensado pelas poupanças no consumo energético proporcionadas pelo data center.
Com efeito, a electricidade é um dos mais elevados custos de exploração de um data center. A eficiência energética é medida em PUE, ou Power Usage Effectiveness, um rácio que compara a energia utilizada no total por um data center com a energis consumida pelos seus equipamentos.
Uma vez totalmente operacional, a HP calcula que o centro Wynyard tem um PUE de 1.2, o que significa que, por cada 1.2 watts de electricidade usados no centro de dados, 1 watt é utilizado para alimentar equipamento de TI, sendo o restante usado para arrefecimento e outras necessidades das instalações.
Maurice Julian diz que cada uma das quatro salas de dados tem um PUE de 1.16, mas este valor sobe ligeiramente quando se tem em conta o consumo eléctrico das restantes áreas do centro, como por exemplo as destinadas a escritórios.
O valor dos PUEs têm vindo a decrescer à medida que as empresas, como o Google, Microsoft e IBM, têm procurado implementar formas de reduzir os seus custos, instalando os seus data centers perto de fornecedores de energia mais baratos e utilizando técnicas de refrigeração mais eficientes. Há pouco tempo atrás, os data centers tinham PUEs de 2.0 ou mais elevados, mas os centros de dados de nova geração têm conseguido manter-se abaixo dos 1.5, valor que marca a eficiência de uma instalação.
Partindo do princípio que a HP paga entre 12 e 13 cêntimos de euro por quilowatt/hora, a utilização de ar exterior em detrimento de refrigeradores tradicionais deverá proporcionar uma poupança superior a quatro milhões de euros ao ano.
A segurança neste novo data center é apertada, sendo necessário utilizar cartões de acesso e leitores de biometria para aceder às salas de dados. As cabines de servidores estão trancadas e as chaves apenas são disponibilizadas se um determinado engenheiro tiver essa permissão definida no seu cartão de acesso. Além disso, o sistema de entrada nas salas de dados impede que duas pessoas entrem em simultâneo.
O data center conta ainda com paredes reforçadas, segurança física constante e uma cerca de arame farpado electrificada a delimitar o perímetro.
Do exterior, ninguém adivinharia o que se passa dentro das suas quatro paredes e é isso mesmo que se pretende.
O centro de Wynyard entrou em funcionamento no fim-de-semana passado, abrindo a sua quarta sala de dados aos primeiros clientes da HP. A empresa mostrou há poucos dias o centro de dados à imprensa, mas não permitiu a recolha de imagens.




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