Fraudes de “pagamento adiantado” disparam em 2009

A Ultrascan, uma empresa especializada na investigação de fraudes AFF, um esquema em que a vítima paga uma soma em dinheiro antes de receber um determinado produto que nunca lhe chega a ser entregue, já gerou perdas de 9,3 mil milhões de dólares.

Em 2008, os esquemas de fraude tinham sido responsáveis por prejuízos de contra os 6, 3 mil milhões dólares. Quem o diz é Frank Engelsman, da Ultrascan, cujo relatório completo dedicado a este tipo de fraude está disponível no seu website.
As fraudes AFF (Advanced-Free Fraud) são também conhecidas como esquemas 419, uma burla originária da Nigéria que tem esse nome por violar o artigo 419 do código penal do país. Podem, no entanto, adoptar diferentes formas, mas o seu objectivo resume-se a tentar enganar as vítimas para que estas enviem dinheiro sob a falsa promessa de obterem, em troca, algum tipo de recompensa ou algum bem.
Embora a maioria das pessoas perceba que se trata de uma fraude e ignore os pedidos, uma fracção dos receptores acaba por ser convencida e por perder o seu dinheiro, levados a acreditar que, quanto mais dinheiro mandarem, mais irão receber. A Ultrascan diz, com toda a segurança, que as fraudes AFF são os esquemas ilícitos mais bem sucedidos do mundo.
A Ultrascan recolhe os seus números com base nos casos que analisa, tendo-lhe passado pelas mãos em 2009 cerca de 8503 pedidos de AFF provenientes de 152 países diferentes. A companhia chega, por isso, à conclusão que os autores deste tipo de ataques estão rapidamente a expandir as suas operações, para chegar não só aos utilizadores da Europa e dos Estados Unidos, mas também da Índia, China, Indonésia, Malásia e Tailândia.
Não obstante, a maioria dos autores deste tipo de esquemas continua a ser de nacionalidade nigeriana, que, através de parceiros localizados em cada país onde actuam, conseguem enviar mensagens de correio electrónico fraudulentas com qualidade suficiente para enganarem muita gente.
De acordo com Frank Engelsman, os grupos de criminosos organizados que lançam os ataques AFF estão também a associar-se a outros gangs para levarem a cabo outras actividades criminosas, como lavagem de dinheiro, falsificação de cheques e até tráfico de droga.
O número total de vítimas é impressionante. Frank Engelsman diz que muitas das que falaram com a Ultrascan admitiram ter enviado tanto dinheiro aos burlões que acabaram por perder os seus bens mais preciosos, como a casa onde vivem.
De acordo com o relatório da Ultrascan, os três países em que as perdas resultantes de esquemas AFF foram as mais avultadas em 2009 são os Estados Unidos (2,1 mil milhões de dólares), o Reino Unido (1,2 mil milhões) e a China (936 milhões de dólares).
Frank Engelsman faz contudo uma ressalva, chamando a atenção para o facto de estes números resultarem das investigações limitadas da Ultrascan, devendo os números reais ser muito superiores a estes.


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