Microsoft desenvolve tecnologia para ajudar as autoridades policiais

Apesar do muito que se falou, durante o Worldwide Public Safety Symposium acerca dos avanços tecnológicos que podem ajudar as agências da lei e de segurança pública no combate ao crime informático, a verdade é que estas soluções podem ser ineficazes.

cio_20070615_crime bTal pode ser verdade em situações em que a Internet não está acessível ou os recursos são especialmente escassos.
Esta opinião foi manifestada por alguns dos que marcaram presença na reunião, realizada na sede da Microsoft em Redmond, Washington, durante a qual a companhia destacou duas tecnologias que desenvolveu e que está a disponibilizar gratuitamente às autoridades policiais de todo o mundo.
Uma delas é a versão actualizada do Computer Online Forensic Evidence Extractor (Cofee), um conjunto de aplicações de software em suporte USB que os agentes podem utilizar para gravar dados importantes capturados junto de computadores de suspeitos. Esta versão 2 funciona sobre os sistemas operativos Vista, Windows 7 e Windows Mobile, como conta Richard Boscovich, advogado e membro da Unidade de Crime Digital da Microsoft. A gigante do software atribuiu à Interpol os direitos de licenciamento da ferramenta, para que possa continuar a desenvolvê-la em parceria com a University College of Dublin, diz o mesmo responsável.
A Microsoft está também a actualizar o seu Child Exploitation Tracking System, devendo a versão 2.2 ser disponibilizada dentro de poucos meses, segundo Mark McIntyre, director de programas de segurança governamental da Microsoft. O CETS permite às autoridades policiais comparar informação relativa a diferentes casos, cruzando dados como endereços IP, Websites, salas de chat, endereços de e-mail e nicknames, de maneira que estes apontem para suspeitos comuns.
Steve Ballmer, CEO da Microsoft, também revelou durante o evento que a companhia está a trabalhar com a Interpol para descobrir a melhor forma de colocar o CETS a funcionar sobre um ambiente alojado remotamente, para que as diferentes agências de todo o mundo possam ter acesso aos dados contidos no sistema.
No entanto Giuliano Zaccardelli, director de planeamento estratégico da Interpol, fez questão de manifestar a sua estranheza quanto ao facto de, apesar de ser gratuito, o CETS não ser amplamente utilizado. Este responsável atribui as culpas desta situação às limitações tecnológicas, particularmente das nações em desenvolvimento. “Grande parte do chamado terceiro mundo não possui uma base de dados ou sequer o acesso a computadores. Assim, como podem eles ligar-se a nós?”, questiona, falando da iniciativa que coordenou no ano passado e que consistiu na compra de painéis solares para países de África, de forma a que estes tivessem energia suficiente para instalar computadores.
A Microsoft está agora a tentar perceber de que forma pode levar o CETS aos países que têm pouca largura de banda ou outras limitações tecnológicas, afirma McIntyre, sugerindo a esses países que estabeleçam parcerias com nações vizinhas que possam ter mais recursos. “Estamos a tentar encontrar maneira de alargar a utilização desta ferramenta nos casos em que existe uma forte contenção orçamental ou outras restrições”, refere o responsável do CETS.
Mas este tipo de constrangimentos não é comum apenas aos países mais pobres. No seu discurso de abertura, Steve Ballmer, embora sublinhando que a migração de aplicações para ambientes cloud é o futuro da segurança pública, referiu também que, além dos requisitos legais que podem impedir as autoridades de armazenarem dados sensíveis em serviços alojados remotamente, as próprias aplicações podem não ser de grande utilidade em caso de um desastre natural, por exemplo, em que o acesso à Internet e aos sistemas de comunicação móveis ficam indisponíveis.
“Queremos ter a certeza que o nosso plano B funciona”, afirmou Phil Grieb, coordenador de gestão de emergências do departamento de bombeiros da cidade de Redmond, onde a Microsoft tem a sua sede. E com isto quer dizer que, embora as novas tecnologias possam ajudar em caso de emergência, é importante poder contar com processos pouco baseados em tecnologia, para prevenir situações em que esta se torna inacessível.
Por exemplo, há poucos anos atrás, uma forte tempestade que se abateu sobre Redmond acabou por destruir a maioria das torres celulares da região, deixando-a sem comunicações móveis durante mais de uma semana. Refira-se que as torres afectadas apenas contavam com sistemas de backup de energia suficientes para um dia. Por isso mesmo, a cidade de Redmond cultiva uma relação estreita com os entusiastas locais do rádio amador, que se ofereceram para ajudar a manter as comunicações da cidade a funcionar em caso de passar por nova situação crítica.
Embora muitos dos oradores da conferência se tenham mostrado entusiasmados com os produtos que a Microsoft está a desenvolver para as autoridades policiais, algumas pessoas mostraram-se preocupadas com este tipo de parceria entre o sector público e o privado. Mas tendo em conta as fortes restrições orçamentais da generalidade das organizações de segurança, o director de planeamento estratégico da Interpol diz que não há outra solução.
Giuliano Zaccardelli apelou no seu discurso a uma maior colaboração das autoridades com o sector privado, dizendo que “se não o fizermos e se não ultrapassarmos o medo de o sector privado vir a gerir as nossas organizações e a passar por cima de nós, as agências da lei não serão capazes de aproveitar o que as mais recentes tecnologias têm para oferecer”.
Os defensores da privacidade também já manifestaram as suas preocupações em relação ao Cofee, temendo que a Microsoft esteja a ajudar as autoridades a acederem a dados potencialmente privados. Além disso, no final do ano passado, o Cofee sofreu uma fuga e foi parar à Web, levantando questões quanto à facilidade que os ciber-criminosos terão para contornar este sistema.




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