Novos standards IEEE Ethernet prometem resolver problemas dos data centers

Alguns nomes de peso da indústria das TI como a Cisco e a HP estão a juntar forças para impulsionar a aprovação de novos padrões de redes Ethernet que prometem tornar mais fácil a administração dos data centers, cada vez mais virtuais.

As especificações IEEE 802.1Qbg e 802.1Qbh foram criadas para resolver problemas sérios de administração de redes causados pela explosão das máquinas virtuais nos data centers – ambientes antes limitados a servidores e switches físicos. Na prática, os padrões emergentes podem aliviar os switches virtuais em cartões de interface de redes (NICs) e servidores blade dos elevados volumes de processamento de políticas, segurança e administração, colocando-os de volta em switches Ethernet físicos, ligando assim recursos de armazenamento e computação.
O draft dos novos padrões IEEE conta com uma função chamada Virtual Ethernet Port Aggregation (VEPA), que é uma extensão de switching virtual e físico concebida para eliminar o elevado número de elementos de switching que necessitam de ser administrados num data center. A adopção destes novos standards pode facilitar o trabalho dos administradores de redes e servidores ao exigir menor quantidade de elementos a administrar, bem como menos características de elementos como tabelas de endereços de switches, políticas de atributos de segurança e serviços, e configurações.
“Havia uma forte necessidade de encontrar uma forma de comunicação entre o hypervisor e a rede. Quando começamos a pensar em reduzir a complexidade de executar dúzias de máquinas virtuais (VM) num servidor físico, vemos que isso não pode ser feito sem sofisticação de switching no data center”, afirma o analista do Enterprise Systems Group, Jon Oltsik.
Adicionar esta nova inteligência de administração a um hypervisor ou a um host adicionaria uma carga significativa de processamento de rede ao servidor, observa contudo Oltsik. Este factor, segundo o especialista, também duplicaria a tarefa de alinhar políticas e filtros a determinadas portas de rede e/ou a máquinas virtuais, entre outras tarefas.
“Se os switches tiverem essa inteligência embutida, porque haveríamos de querer fazer tudo isto doutra forma?”, questiona Oltsik notes.
A função VEPA faz o seu papel permitindo que estações físicas colaborem com um switch externo para dar suporte de bridging entre múltiplas estações e máquinas virtuais e redes externas. Este processo pode aliviar a necessidade de se ter switches virtuais em servidores blade para armazenar e processar cada funcionalidade que reside nos switches externos dos data centers, como segurança, políticas e listas de controlo de acesso, por exemplo.

Detalhes do standard IEEE
Os padrões 802.1Qbg e bh foram criados para ampliar as capacidades de switches e estações de controlo de interface de rede (NICs) em data centers virtuais, especialmente com a proliferação das máquinas virtuais nesses ambientes.
De acordo com a consultora Gartner, 50 por cento da carga de trabalho dos data centers será virtualizada até 2010. Entre outros fabricantes envolvidos no trabalho das novas especificações bg e bh estão empresas como a 3Com, Blade Network Technologies, Brocade, Dell, Extreme Networks, IBM, Intel, Juniper Networks e QLogic.
As especificações são actualizações do padrão IEEE 802.1Q para redes locais (LANs) virtuais e estão sob a responsabilidade da organização 802.1. Já as especificações bg e bh devem ser ratificadas em meados de 2011, de acordo com os envolvidos nesta iniciativa dentro do IEEE, mas padrões pré-aprovados podem surgir até ao fim de 2010.
Os padrões ainda exigem um protocolo de auto-configuração, como conta o responsável técnico da Cisco, Joe Pelissier. Alguns membros do grupo 802.1 tendem a usar o Logical Link Discovery Protocol (LLDP), enquanto outros, como a Cisco e a HP, estão mais inclinados a definir um novo protocolo para a tarefa.
“O LLDP é limitado na quantidade de dados que consegue transportar e na velocidade a que o pode fazer. Nós precisamos de algo que transporte os dados num intervalo entre 10s a 100s de kilobytes e consiga enviar os dados mais rapidamente do que 1500 byte frame por segundo. Além disso, o LLDP também não possui capacidades de fragmentação e nós precisamos de conseguir dividir os elevados volumes de dados por múltiplos frames.”

Cisco e HP em sincronia
A Cisco e a HP são os grandes defensores da iniciativa IEEE, apesar do facto de a Cisco estar a invadir o território tradicional da HP no campo dos servidores, enquanto esta última está, por seu turno, a redobrar os seus esforços na área do networking om o objectivo de controlar os data centers que se viraram para a virtualização.
A Cisco e a HP dizem que as suas propostas no campo do VEPA são complementares, apesar dos que dizem que as suas técnicas são concorrenciais tendo em vista o mesmo fim: reduzir o número de elementos administráveis nos data center e definir uma clara linha de demarcação entre os administradores de NIC, de servidores e de switches na monitorização de comunicações através de máquinas virtuais.
E as duas propostas parecem poder contar com o vasto apoio da indústria. “Acreditamos que esta é a abordagem certa”, afirma Dhritiman Dasgupta, director sénior de data center marketing da Juniper, acrescentando que “com estas propostas, o networking é posto onde deve estar, ou seja nos dispositivos de networking. A rede precisa de saber o que se passa lá dentro”.




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