Banda larga estimula economias locais

Um estudo conclui que a implementação de projectos de banda larga também estimula o emprego.

foto1a fondo1-155Nos últimos meses, os Estados Unidos estão a aplicar uma política de fomento da banda larga sob o argumento de que esta ajuda a melhorar a economia das regiões onde está disponível. E um estudo realizado recentemente e agora divulgado vem apoiar este argumento, demonstrando que a banda larga realmente tem consequências vantajosas para o desenvolvimento económico.
As áreas que passaram de zero a entre um e três fornecedores de serviços de banda larga entre 1999 e 2006 registaram crescimentos no mercado laboral superiores em 6,4 por cento, comparativamente com as zonas que carecem deste recurso, de acordo com o estudo, realizado por Jed Kolko, director associado e investigador do Instituto de Política Pública da Califórnia.
Kolko acredita que, provavelmente, a banda larga tem um efeito positivo directo sobre o crescimento do emprego, mas este não é o seu único benefício para a economia. Outras vantagens incluem melhoramentos nas informações de cuidados de saúde, no acesso às oportunidades educativas e no envolvimento cívico dos cidadãos, embora estes benefícios sejam mais difíceis de contabilizar medir que o crescimento do emprego.
O Congresso dos EUA, ao aprovar a injecção de 7,2 mil milhões de dólares na massificação da banda larga no país, ao abrigo de um pacote de medidas de estímulo à economia aprovado em 2009, fê-lo sob o argumento de que a banda larga tem evidentes benefícios económicos.
Agora, surge o estudo de Jed Kolko, que, segundo Sascha Meinrath, director da Open Technology Initiative pertencente à New America Foundation, é um dos poucos documentos a examinar cuidadosamente as vantagens reais associadas à banda larga.
“O meu instinto diz-me que o desenvolvimento económico e a banda larga estão directamente relacionados. Mas o que falta nesta equação e é realmente importante é uma investigação sistemática e econométrica a um documento que acreditamos poder ser verdadeiro”, sustenta Sascha Meinrath.
Embora existam evidências que demonstram o impacto positivo da banda larga na economia de uma maneira geral, já é mais difícil relacionar esse recurso com eventuais vantagens económicas para os indivíduos, segundo Kolko. O estudo, que analisou informações sobre banda larga proporcionadas pela Federal Communications Commission e informações laborais da base dados National Establishment Time-Series, encontrou poucas evidências das mudanças provocadas pela banda larga nas taxas de emprego e nos índices salariais.
No caso do emprego, segundo Jed Kolko, a inconsistência entre o seu crescimento e o facto de não afectar de forma directa os cidadãos explica-se porque quando uma área experimenta um incremento no número de postos de trabalho, também regista um aumento na quantidade de pessoas que se mudam para essa região em busca de emprego, pelo que a taxa de desempregados pode manter-se inalterada ou inclusive crescer.
O crescimento económico relacionado com a banda larga tem “um efeito ambíguo nos residentes”, diz Kolko. Em alguns casos, alerta, a expansão da banda larga pode mesmo prejudicar alguns residentes por implicar o aumento do custo do arrendamento de apartamentos, sem oferecer em troca qualquer benefício prático em termos de emprego.
Por isso, ele considera que as políticas de estímulo à implementação de banda larga foram feitas a pensar mais no desenvolvimento das regiões, do que nas pessoas propriamente ditas.
O estudo de Jed Kolko vem contestar algumas das políticas do governo no campo da banda larga, mas na opinião de Joanne Hovis, presidente eleita da National Association of Telecommunications Officers and Advisors “é difícil ignorar a importância das suas conclusões”, até porque “o desenvolvimento económico é a principal razão pela qual os governos locais estão a dar importância aos projectos de banda larga”.
“O valor deste tipo de estudo é inestimável. Se tivéssemos 50 estudos económicos a seguir o mesmo tipo de processo de análise, todas as cidades e vilas do país não hesitariam em implementar projectos de banda larga, porque não lhes restaria qualquer dúvida acerca da relação entre o desenvolvimento económico e este recurso”.




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