Wall Street: ano arranca com optimismo nas TI

Após uma das mais tumultuosas décadas de sempre para os mercados, o novo ano parece ter arrancado com um sinal de optimismo no sector das tecnologias, onde muitos fabricantes acabaram por recuperar grande parte do valor perdido durante a recessão.

O índice das tecnológicas nos Estados Unidos, o Nasdaq, chgou na passada quinta-feira aos 2308 pontos, o seu mais alto valor desde Setembro de 2008, antes do colapso de Wall Street com a falência da banca norte-americana. A crise nos bancos teve um impacto profundo nas acções dos mercados de capitais de todo o mundo, arrastando os papéis dos fabricantes de tecnologia para níveis nunca mais vistos desde o fim das chamadas “dot-com”.
Desde o início do ano passado, contudo, o Nasdaq Composite já cresceu 40 por cento em valor. As acções do segmento dos computadores do Nasdaq dispararam 63 por cento, enquanto as das telecomunicações registaram por seu turno um aumento de 40 por cento. Comparativamente, o índice New York Stock Exchange Composite subiu 23 por cento e o Dow Jones Industrials cresceu 17 por cento.
Os valores das acções comparativos indicam uma crença generalizada de que as TI estão a contribuir para que o mundo consiga sair da recessão económica. Algumas consultoras de mercado, como a IDC, já vieram dizer que os investimentos globais em tecnologia voltarão este ano aos níveis de 2008, chegando aos 1,5 triliões de dólares. O optimismo acerca das TI foi reforçado no mês passado quando fabricantes de peso como a Oracle e a Research in Motion reportaram facturações trimestrais superiores às do período homólogo do ano anterior.
Durante a primeira semana de negociações da nova década, alguns relatórios vieram dar um ímpeto adicional às já grandes esperanças que residem nas tecnologias. Na segunda-feira da semana passada, a Semiconductor Industry Association emitiu um relatório estimando que as vendas globais de semicondutores atingiram, em Novembro, os 22,6 mil milhões de dólares, mais 3,7 por cento que em Outubro. Tratou-se do nono mês de crescimentos consecutivos e o primeiro mês de 2009 a exceder as vendas de chips do ano anterior, de acordo com a SIA.
O sector do hardware não se portou tão mal como muitos previram em 2009, em grande medida graças ao crescente interesse dos consumidores face aos netbooks e aos dispositivos móveis topo de gama. De acordo com as previsões da Futuresource Consulting, ao longo dos próximos três anos os utilizadores de smartphones deverão ultrapassar os mil milhões em todo o mundo.
“No ano passado, os telemóveis excederam os quatro mil milhões de utilizadores, o que corresponde a cerca de 60 por cento da população mundial”, escreveu David Luu, analista sénior da Futuresource no relatório, acrescentando que “as vendas de smartphones representaram em 2009 cerca de 17 por cento de todo o mercado de dispositivos móveis e, até 2013, mais de mil milhões de pessoas serão donas de um telefone inteligente”.
No CES realizado em Las Vegas esta semana, muitos foram os fabricantes a exibirem os seus novos telemóveis e chips de última geração, sendo que, entre outros anúncios, a Motorola apresentou o Backflip, a Palm actualizou o Pre, a Microsoft e a Dell mostraram as suas últimas novidades em portáteis, a Lenovo lançou novos tablets e a Intel anunciou os seus chips de última geração para portáteis e desktops.
Entretanto, a comScore reportou esta semana que foram gastos durante as festas nos Estados Unidos cerca de 29,1 mil milhões de dólares em compras online, mais quatro por cento que no mesmo período do ano anterior.
Também as últimas notícias no campo das fusões e aquisições vieram contribuir para dar força às convicções de que o sector das TI continua dinâmico e de boa saúde. Entre as operações anunciadas esta semana, destaque para as seguintes:
— A Oracle anunciou ter comprado a Silver Creek Systems, fabricante de software que ajuda as empresas a simplificar e standardizar descrições de produtos.
— A EMC manifestou a sua intenção de comprar a Archer Technologies, que produz software de conformidade e gestão de risco.
— A BMC anunciou ter comprado a Phurnace Software, um fabricante de produtos destinados a facilitar a instalação de aplicações Java.
— A Apple confirmou ter comprado a Quattro Wireless, criadora de uma plataforma de ad-serving, monitorização e análise, que os observadores da indústria dizem poder ajudar o fabricante do iPhone a gerar mais receitas das vendas online.
Os termos de todos estes negócios não foram ainda revelados, embora o Wall Street Journal tenha reportado que a aquisição da Apple custou à companhia cerca de 275 milhões de dólares.
Na quinta-feira da semana passada, o Google anunciou também ter feito uma nova oferta pelo fabricante de tecnologia de compressão de vídeo On2 Technologies, adicionando 0,15 dólares por acção à sua oferta inicial, datada de Agosto passado. Na altura em que a oferta foi feita, a empresa valia cerca de 106 milhões de dólares. Os accionistas da On2 declinaram aparentemente o negócio, mas a nova proposta do Google representa mais 26 milhões de dólares em dinheiro, o que pode alterar a posição da On2 Technologies. Refira-se que as acções do Google atingiram o seu máximo das últimas 52 semanas na passada terça-feira, fechando a sessão nos 623,99 dólares.




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