Nove tendências de outsourcing a observar em 2010

Foi um ano intenso de subidas e descidas na indústria de outsourcing de TI. A consolidação entre fabricantes e o interesse na gestão remota da infra-estrutura cresceu, enquanto a procura global de outsourcing e os preços dos serviços de TI desceram.

O mercado de outsourcing de TI deverá reanimar-se no decorrer de 2010, referem os analistas. Por exemplo, mais de 75 por cento dos fornecedores de serviços questionados pela EquaTerra no terceiro trimestre do ano passado referiram a existência de crescimento na sua lista de acordos, que cresceu 10 por cento relativamente ao anterior trimestre e 34 por cento relativamente a igual período do ano anterior.
Mas não espere um crescimento robusto. A consultora de outsourcing Everest prevê que, apesar dos fornecedores acreditarem num ressurgimento da procura de serviços de outsourcing de TI e de processos de negócio em 2009, as taxas de crescimento não irão regressar aos níveis anteriores a 2008.
Quer os fornecedores, quer os clientes podem enfrentar um passeio arriscado em 2010. Aqui ficam 10 tendências a observar à medida que a indústria de serviços de TI encontra o seu lugar na “nova normalidade” a seguir à recessão.

1. Transformers 2. Claro que os clientes de serviços de outsourcing de TI continuam a querer que os fornecedores transformem estas tecnologias em 2010. Mas revolucionar a distribuição de serviços de TI é difícil e caro.
“Optimização é a nova transformação”, refere Mark Toon, Chief Executive Officer da consultora EquaTerra. “Em ultima análise, as organizações continuam a querer “transformar” o modo como disponibilizam os seus serviços de ‘back office’, mas, tipicamente, querem passos pragmáticos, incrementais e foco em alcançar modelos de distribuição normalizados e optimizados”.

2. Se não for bem sucedido, renegoceie. Tem aumentado o número de contratos que tem sido renegociados no decorrer dos últimos 12 meses, refere a consultora Compass America, e tal vai continuar no decorrer de 2010.
“Embora muitas organizações permaneçam decididas a evitar novos custos de capital e a migrar para novos fornecedores”, sublinha Tom Schramm, director da EquaTerra, “o investimento tem sido canalizado em assegurar que os fornecedores existentes e os processos internos estão a disponibilizar um valor óptimo”.

3. Indisposição com o multi-sourcing. Os acordos multi-sourcing são ideais em teoria – trabalhar com os melhores fornecedores de serviços de TI e manter os custos controlados devido à co-existência de concorrentes. Na realidade, e na melhor das hipóteses tem sido difícil, ou, na pior das situações desastroso para muitos clientes.
“As organizações estão a reavaliar a sua abordagem ao multi-sourcing e ao sourcing selectivo e estão a chegar à conclusão que necessitam de ter um determinado grau de maturidade dos seus processos, governação e gestão de fornecedores para que o modelo de multi-fabricante possa funcionar”, salienta Bob Mathers, consultor da Compass America. “As organizações que tenham adoptado acordos multi-sourcing sem investir em capacidades de gestão estão a ficar desejosas dos problemas que costumavam ter com o seu único fornecedor”. Considere a reavaliação e a reestruturação destes relacionamentos no decorrer deste ano.
4. A urgência das fusões. O número de fornecedores de serviços de TI de primeira linha diminuiu no decorrer do ano passado, criando desafios e oportunidades para os outros fornecedores em 2010.
“A consolidação de empresas, como a HP, a EDS, a Dell, a Perot, a ACS e a Xerox, pode representar uma oportunidade para os seus concorrentes”, refere Charles Arnold, director da EquaTerra. “Desde a aquisição de antigas equipas dos fornecedores de primeira linha a preencher cadeiras vazias na mesa de negociação, os fornecedores mais competitivos poderão ter condições para aproveitar esta oportunidade e crescer as suas capacidades e quota de mercado em 2010”
O processo de fusões e aquisições deverá continuar no decorrer de 2010. “É mais provável que esta consolidação envolva fornecedores de segunda e terceira linha, à medida que lutam para concorrer com a amplitude e profundidade que os fornecedores de primeira linha podem oferecer”, sublinha David Rutchik, partner da consultora Pace Harmon. “Não será uma surpresa assistir à aquisição de um fornecedor offshore por um fornecedor não-offshore”.
Brad Everest prevê que a consolidação em 2010 irá focar-se em aquisições of “capacidade adjacentes e complementares através de funções, sectores e geografias” por oposição às fusões para meramente aumentar a escala.

5. Offshoring nos…Estados Unidos da América? O dólar teve um ano esgotante. Esta realidade poderá manifestar-se de diferentes maneiras. “Com o declínio continuado do valor do dólar e a diminuição do emprego, será expectável assistir à avaliação por parte dos clientes públicos e privados a nível mundial de soluções de sourcing baseadas nos Estados Unidos”, sublinha Peter Iannone, director da EquaTerra.

6. A morte dos grandes contratos. A crescente pressão nos custos irá ser responsável pela diminuição dos grandes contratos em 2010, prevê Brad Everest. Os clientes irão continuar a evitar os contratos de mil milhões e a privilegiar abordagens mais flexíveis ao outsourcing, refere Lee Ayling, director da EquaTerra.
“Em 2010, iremos assistir à conclusão de contratos focalizados em processos centrais com períodos de transição mais curtos e com um custo mais reduzido e com um retorno de investimento mais reduzido”, sublinha Brad Everett, director da EquaTerra.

7. O interesse público. Todos os indicadores apontam para o crescimento dos serviços de outsourcing na Administração Central e local. “Os orçamentos são reduzidos, mas a procura de novas tecnologias é elevada”, explica Glenn Davidson, director da EquaTerra. “Os vencedores irão disponibilizar financiamento inovador e seguros de risco fortes”.

8. O regresso (lento) da despesa sem restrições. Fornecedores de desenvolvimento de aplicações e serviços de manutenção e consultoria irão desenvolver contratos e estruturas de preço inovadoras para ganhar clientes à medida que o mercado comece a crescer. Ambos os tipos de contratos irão acelerar à medida que os compradores colocam as restrições à despesa de lado.
Ambos os projectos irão recuperar gradualmente em 2010, prevê Brad Everest, assinalando que “o ritmo desta mudança será ditado integralmente pela melhoria das condições económicas”.

9. Semi-Sourcing. A computação na nuvem e o software-as-a-service – que Stan Lepeak da EquaTerra designa como “alternativas semi-outsourcing” – irão ganhar terreno na industria de serviços de TI no decorrer deste ano.
O mercado de serviços de outsourcing de TI alcançou um ponto deviragem, referem os analistas da Forrester Research, and a focus on outcomes significa que os contratos tradicionais irão continuar a declinar nos próximos anos à medida que proliferam ofertas de serviços de computação na nuvem. “Este será o foco das empresas que vão tentar compreender como funciona”, concorda Dave Brown, director da EquaTerra. “Aqueles que desenvolverem uma oferta comercial sustentável irão adquirir vantagens competitivas”.
Modularidade vai ser o nome do jogo. Os fornecedores estão forçados a disponibilizar aos compradores serviços ‘plug-and-play’ em conjunto com modelos de preço ‘pay-as-you-go’. “Assistimos a um continuo movimento para uma infra-estrutura mais virtual e escalável para muitos serviços…e esforços mais agressivos para tirar partido da capacidade de escalar à medida da dimensão do negócio dos modelos de sourcing”, refere Melany Williams, director da consultora TPI Momentum.
Mas serão as pequenas e médias empresas que irão liderar este espaço em 2010, refere Brad Everest, enquanto as empresas de grande dimensão irão aguardar que os desafios técnicos e de negócio sejam resolvidos antes de adoptarem estes novos modelos de distribuição de serviços.



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