África quer reduzir emissões de carbono

Estão a ser exploradas novas alternativas, enquanto a distribuição de energia continua a enfrentar problemas. A maioria dos países africanos tem potencial para explorar energia solar, eólica e geotérmica. Falta o investimento inicial.

As empresas de tecnologia de África estão a investir cada vez mais em soluções de energia renovável para combater os problemas persistentes na distribuição de energia eléctrica e os custos elevados deste fornecimento, bem como para reduzir as emissões de dióxido de carbono.
A maioria dos países africanos tem potencial para explorar energia solar, eólica e geotérmica, mas isso não está a acontecer devido aos elevados investimentos financeiros necessários para iniciar estas explorações, bem como aos complexos processos de licenciamento e aos elevados impostos que as companhias interessadas em investir no sector têm que pagar.
De acordo com a Juniper Research, as estações base de telecomunicações são responsáveis por mais de 70 por cento das emissões de carbono geradas pela indústria móvel. «Todas as companhias de telecomunicações em África estão a planear alargar extensivamente as suas redes móveis e esta expansão deverá resultar em 30 mil novas torres celulares no continente», afirma Tony Ng’eno, CEO da WinAfrique Technologies, uma companhia focalizada nas energias renováveis que opera em África Oriental e Austral.
O crescimento do sector das telecomunicações africano deverá deparar-se com sérios problemas de fornecimento energético e, de acordo com o World Renewable Energy Council, a África subsariana tem a mais reduzida cobertura energética do mundo.
Em áreas rurais sem electricidade, a abordagem tradicional é utilizar geradores a diesel de pequena e média dimensão (gensets), com um pequeno sistema de backup por bateria. O uso de geradores reduz o custo da energia em áreas onde o rendimento médio por utilizador é muito baixo, especialmente as zonas rurais, onde a actividade económica é pouco expressiva.
«Na Costa do Marfim implementámos uma solução híbrida que consiste num funcionamento cíclico de geradores durante 12 horas e de baterias outras 12 horas, dependendo das necessidades de consumo. Como resultado, a estação base poupa cerca de 50 por cento no combustível utilizado e 50 por cento nas despesas de manutenção, sendo que as saídas de CO2 são igualmente reduzidas em 50 por cento», afirma Nozipho January-Bardill, executivo do grupo MTN.
De acordo com este responsável, «estes geradores implicam um baixo investimento inicial e contam com um vasto suporte e conhecimentos para os operar e manter. Contudo, a experiência diz-nos que existem significativas limitações e custos associados a este método de geração de energia».
As limitações do funcionamento destes geradores ficou bem patente há cerca de duas semanas atrás, altura em que o data center de Gallo Manor da MTN Businesssofreu uma quebra energética que durou meia hora, porque o gerador de backup não funcionou.
Além dos desafios técnicos, os geradores de diesel são ainda dispendiosos de gerir e normalmente requerem segurança física adicional. As emissões de combustível tornam também estes geradores menos atractivos aos olhos das empresas mais interessadas em soluções «verdes».
Empresas como a MTN, Telkom Kenya e Telkom South Africa têm vindo a investir em soluções e data centers amigos do ambiente como forma de reduzir custos e minimizar os efeitos nas alterações climáticas. A Telkom SA inaugurou, por exemplo, o seu data center «verde» na Cidade do Cabo no início deste mês.
«A Telkom SA está muito à frente de outras empresas do sector nesta matéria. Por exemplo, o nosso novo data center está, em termos de design, capacidade, respeito pelo ambiente e eficiência energética, no top 10 de todo o mundo», sublinhou Reuben September, CEO do Telkom Group.
A MTN, por seu turno, opera soluções híbridas de energia solar e eólica na África do Sul e Costa do Marfim, estando actualmente a realizar projectos-piloto na Guiné (Conacri), Ruanda, Libéria, Nigéria, Camarões, Sudão, Uganda e Guiné Equatorial.
«Completámos a implementação de uma estação base off-grid em Kleinaarpen na África do Sul, alimentada por energia solar e eólica, em que uma célula de combustível de hidrogénio funciona como fonte de alimentação secundária», conta January-Bardill da MTN.
Embora as energias eólica e solar sejam as fontes energéticas renováveis actualmente mais disponíveis, muitos têm defendido que um sistema híbrido é o ideal, dada a segurança proporcionada por um sistema de backup em caso de vento ou sol insuficientes.
«As estações de telecomunicações estão normalmente localizadas em zonas elevadas. Assim, a solução natural é combinar fontes de vento e sol para criar um fluxo de energia constante ao longo de todo o ano», defende Ng’eno.
O custo crescente das estações eléctricas em África tem obrigado as companhias de telecomunicações a descobrirem formas de partilharem infra-estruturas e reduzirem as suas facturas energéticas. No Uganda, a Warid, MTN, Zain, Orange e Uganda Telecom formaram um consórcio rural que permite às companhias partilharem os custos associados ao abastecimento eléctrico das suas estações base por todo o país.
O consórcio revelou que as estações base urbanas com acesso relativamente fácil a estradas e ao abastecimento eléctrico podem custar 2500 dólares por mês, enquanto as estações rurais sem acessos terão, por seu turno, um custo mensal de 20 mil dólares.
Os custos crescentes da energia eléctrica, os problemas entre a oferta e a procura e os seus efeitos no sector privado foram os tópicos de discussão na conferência de dois dias promovida em conjunto pela French Development Agency, pelo United Nations Environmental Programme e pelo governo do Quénia, há cerca de duas semanas.
Depois de se debruçarem sobre os desafios e oportunidades que existem no Quénia e as fortes restrições ao licenciamento, foi determinado que o governo do país deve esforçar-se no sentido de criar um único gabinete de licenciamento para todos os projectos energéticos, bem como rever as tarifas actualmente aplicadas aos produtores de energia e aumentar o orçamento dedicado às energias renováveis.
A conferência de Nairobi foi realizada com o objectivo de gerar alguma discussão no âmbito da conferência sobre as alterações climáticas que se realiza neste momento em Copenhaga e constituir um lobby para que o contributo das nações ocidentais no campo das energias renováveis aumente.
Como parte desse contributo, a Comissão Europeia (CE) anunciou um empréstimo de 100 milhões de euros aos países de África, Caraíbas e Pacífico (ACP) destinado a projectos no campo da energia, como parte do programa Second Energy.
Por seu turno, o Climate Investment Fund (CIF) dos Estados Unidos irá contribuir com um financiamento de 1,1 mil milhões de dólares a seis países africanos, com o objectivo de lhes permitir desenvolver projectos na área das energias renováveis. Moçambique, Níger e Zâmbia receberão entre 50 e 70 milhões de dólares em empréstimos de juros reduzidos, enquanto Marrocos, África do Sul e Egipto receberão 150, 500 e 300 milhões de dólares, respectivamente.




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