TI dão sinal de recuperação em Wall Street

Contrariando algumas das previsões mais pessimistas, as acções dos fabricantes de tecnologia parecem preparar-se para fechar o ano 2009 em terreno positivo, mas as mais recentes notícias financeiras mostram que as TI ainda têm dificuldades.

bolsaA Aol, 10 anos após a sua fusão com a Time Warner, voltou a aparecer sozinha no mercado de capitais na passada quinta-feira, mas os resultados não foram os melhores. As receitas operacionais da Aol sofreram uma queda de 43 por cento este ano, numa altura em que a companhia se prepara para oficializar a separação da Time Warner, com o objectivo de concentrar a sua actividade no negócio sustentável dos conteúdos e publicidade. As acções da AOL caíram 0,52 dólares para os 23,15 dólares na sua primeira sessão de regresso à bolsa, sendo que nenhuma consultora do mercado deu a recomendação de «compra» aos papéis da companhia. Aliás, nessa quinta-feira, a Merriman deu mesmo a recomendação de «venda» às acções da AOL, enquanto a UBS e a Broadpoint AmTech apresentaram recomendações «neutras».
Por seu turno, as acções o fabricante de networking Ciena sofreram também uma queda na quinta-feira, depois de a companhia ter reportado prejuízos acima do esperado para o trimestre terminado a 31 de Outubro. O volume de negócios foi de 176 milhões de dólares, mais sete por cento que no trimestre anterior, mas mesmo assim menos do que os 180 milhões reportados no trimestre homólogo do ano passado. A companhia reportou um prejuízo de 26,7 milhões de dólares no terceiro trimestre, superior às perdas do trimestre homólogo de 2008, que foram de 25,4 milhões de dólares. Representantes da Ciena manifestam um optimismo cauteloso. «Do ponto de vista da indústria, acreditamos que continuaremos a observar sinais de estabilidade, embora não seja ainda claro até que ponto os orçamentos dos nossos clientes irão crescer no próximo ano», declarou o CEO da companhia, Gary Smith. Nessa sessão de quinta-feira, as acções da Ciena caíram 1,51 dólares para os 11,72 dólares.
Entretanto, o fabricante de networking de origem sueca Ericsson disse na quinta-feira que pretende continuar a reduzir os seus custos, despedindo cerca de mil empregados e preparando a produção de produtos que requerem a intervenção de menos pessoas no processo de fabrico. A Ericsson reportou no mês passado uma queda nas receitas do seu terceiro trimestre de seis por cento face ao período homólogo, para os 6,5 mil milhões de dólares.

Vendas de equipamentos de rede caíem

«As vendas de equipamentos de rede caíram graças à diminuição da procura, por sua vez provocada pelo actual clima económico adverso», declarou o CEO da companhia, Carl-Henric Svanberg.
Tal como a Ericsoon, outros pesos-pesados das telecomunicações nórdicas estão a levar a cabo operações de redução de custos. Por exemplo, no passado dia 20 de Novembro, a Nokia anunciou o despedimento de 330 funcionários na Finlândia e Dinamarca.
Embora as expectativas sejam altas no que se refere ao papel das TI na retoma económica mundial, é inevitável que alguns sectores sofram mais do que outros. O mercado mundial do software de armazenamento é um deles e sofreu novos declínios no terceiro trimestre de 2009, de acordo com o relatório «Worldwide Quarterly Storage Software Tracker», divulgado pela IDC na passada semana. O sector gerou receitas de 2,87 mil milhões de dólares, o que representa um decréscimo de 7,9 por cento face ao ano anterior. Mas nem tudo são más notícias neste departamento, já que as vendas de software de armazenamento subiram 1,2 por cento face ao segundo trimestre do ano.
«O mercado do software de armazenamento quase não foi capaz de manter um crescimento sequencial positivo no terceiro trimestre de 2009», afirma Michael Margossian, analista da IDC, segundo o qual «pelo segundo trimestre consecutivo, apenas dois dos cinco maiores fabricantes deste sector apresentaram crescimentos positivos face ao trimestre anterior». Com efeito, a EMC e a IBM reportaram crescimentos de 5,7 e 6,9 por cento, respectivamente.
A Texas Instruments, por outro lado, veio esta semana reforçar as boas notícias acerca do mercado dos chips, revendo em alta as suas previsões para o quarto trimestre do ano. A companhia deverá gerar receitas de pelo menos 2,9 mil milhões de dólares, cerca de 22 milhões acima das suas estimativas de Outubro. Os ganhos por acção serão de 0,47 a 0,51 dólares, contra os 0,42 a 0,50 anteriormente previstos. Na opinião dos responsáveis da companhia, manifestada na conferência de apresentação destas previsões, a procura é suficientemente forte para pressionar os stocks.
A indústria dos chips não tem sido tão afectada pela recessão este ano como outros sectores das TI e, num claro sinal do fortalecimento da procura, o número de unidades de PC vendidas em todo o mundo no terceiro trimestre subiu 2,3 por cento face ao período homólogo de 2008, para os 78,1 milhões de unidades, de acordo com os números da IDC.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado