Projecto Magalhães deve ser reforçado por conteúdos

A APDSI tomou a posição sobre a iniciativa Magalhães, e ressalvando o mérito da ideia base da operação, apontar-lhe vários defeitos de implementação. A insuficiência de formação dos professores e de mecanismos on-line de apoios, são dois exemplos.

A necessidade de serem desenvolvidos mais conteúdos reuniu o maior consenso, sendo considerada como questão fundamental para o aproveitamento do potencial do projecto Magalhães. Luís Vidigal, lembrou mesmo que a oferta a ser desenvolvida sob a referida marca deveria diferenciar-se por ser um pacote de conteúdos de educação, inovadores e capazes de serem exportados. Em vez, de ser apenas baseada no fornecimento de hardware. Tanto para Vidigal, como para Rui Baião, um dos autores do trabalho do Gabinete de Alto Nível (GAN), da APDSI, a grande oportunidade de negócio em torno da educação será o desenvolvimento de conteúdos educativos em português. É um mercado que transcende as fronteiras portuguesas suscita maior interesse o mercado potencial, do que o hardware, de acordo com Vidigal. Por seu lado, Rui Baião salientou a dimensão social da estratégia além da económica, pela capacidade de difusão e protecção do património linguístico.
O debate que a posição produziu, confirmou a pertinência de algumas das críticas feitas pelo organismo (ver apresentação) e a necessidade de dar continuidade à iniciativa, sob pena de o investimento já feito se tornar um desperdício.
Uma das críticas apontadas em debate foi a falta de apoio aos municípios para poderem suportar melhor e auxiliar a adopção e devido aproveitamento dos portáteis Magalhães. Luís Amaral, um dos membros do GAN, envolvidos no trabalho de análise, acabou por reforçar que nada, de facto, estava definido sobre esse aspecto, até à conclusão da tomada de posição. Uma das recomendações da equipa de estudo é precisamente é a promoção da utilização da infra-estrutura para o estabelecimento de novos comportamentos, gerados em interacção com as comunidades locais.
 

Mercado desvirtuado em benefício da sociedade da informação
Num comentário sobre o impacto económico da iniciativa, Joaquim Alves Lavado, salientou que foi criada pelo Estado uma procura forçada por portáteis, com repercussões na economia da famílias. A estrutura de procura das mesmas alterou-se e alguns agregados até foram prejudicados de acordo com o responsável.
Mas além disso, “houve um desvirtuamento do mercado, com benefícios para a evolução da sociedade da informação”, explicou.
 
O deputado do PCP à Assembleia da República, Bruno Dias, considerou negativo que o Ministério da Educação tenha tido um contributo tão “diminuto” na iniciativa. Nesse sentido levantou algumas dúvidas sobre as preocupações pedagógicas do projecto.
Outros intervenientes referiram problemas sobre a formação dos professores e a gestão dos dispositivos, assim como inetgração dos mesmos nas aulas. Como garantir que todos os alunos trazem os computadores? Como garantir a autonomia energética dos dispositivos? De que forma se poderá controlar a integridade aplicacional dos portáteis? Neste contexto, a crítica mais contundente veio mesmo de uma docente. A mesma considera que a aprendizagem sobre o dispositivo é demasiado grande, tanto para professores como para alunos. E lembra que se torna difícil aos professores dinamizarem a utilização do computador nessas circunstâncias.
A falta de um tutorial online capaz de ajudar os pais a lidarem com problemas de funcionamento dos computadores e auxílio da aprendizagem dos filhos, foi considerado essencial, com um dos intervenientes a sugerir outra solução: o ambiente da associação de pais poderá promover melhor a participação dos encarregados de educação, e proporcionar-lhes maior conhecimento sobre o assunto.



  1. A chamada de atenção para o desafio dos conteúdos é oportuna, e é aí que decorrerá o desenvolvimento português (ou não).

    Mas esperar que tudo esteja pronto, e os professores e pais formados, revela resistência à mudança e falta de aceitação do desafio do futuro (e este não espera).

    Que a APDSI com outras associações ou o Ministério, impulsionem com rapidez o que faz falta.

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