Forrester considera Europa difícil para os outsourcers indianos

Os outsourcers indianos passaram a focalizar a sua atenção no mercado europeu, à medida que a recessão começou a dar sinais de abrandamento e como forma de compensar as perdas sofridas no seu mercado principal, os Estados Unidos.Contudo, os seus esforços não têm sido recompensados, uma vez que estas companhias enfrentam uma forte resistência da Europa ao outsourcing, bem como uma preferência clara por fornecedores que já possuam uma presença significativa no mercado europeu, de acordo com o mais recente relatório da consultora Forrester Research.

 

As companhias indianas também não compreendem as nuances culturais do mercado europeu, incluindo o facto de os europeus não gostarem de ser pressionados para expandirem os seus negócios com novos fornecedores demasiado depressa, como refere Sudin Apte, analista principal da Forrester. Ao contrário das empresas multinacionais de serviços que oferecem uma variedade de serviços na Europa, as companhias indianas que estabeleceram escritórios na Europa só se focalizam em alguns serviços, tentando ao mesmo tempo chegar a todo o mercado europeu a partir de um número reduzido de localizações, ao passo que a generalidade das empresas de serviços multi-nacionais contam com presença física em muitos países europeus, destaca Sudin Apte.

As receitas dos outsourcers indianos na Europa totalizaram os 14 mil milhões de dólares no ano fiscal indiano, terminado a 31 de Março de 2009, sendo que nove mil milhões se referem a serviços prestados no Reino Unido e 2,1 mil milhões na Alemanha, de acordo com a Forrester. Estes números representam, contudo, apenas uma pequena parte do mercado de serviços TI nestes três países, que, no seu conjunto, valia mais de 70 mil milhões de euros neste ano fiscal.

Uma grande parte deste mercado de serviços TI na Europa refere-se à procura de pessoal fornecido pelo outsourcer por parte do cliente, ao abrigo de contratos de gestão de projecto. No entanto, como sublinha o analista da Forrester, os outsourcers indianos têm dificuldade em conseguir um lugar neste negócio, porque não possuem muita mão-de-obra na Europa.

Também Siddharth Pai, da consultora especializada em outsourcing Technology Partners International (TPI), acredita que os outsourcers indianos não têm ainda o modelo de negócio adequado a expandir a sua actividade na Europa.As empresas europeias querem que os seus fornecedores tenham uma presença significativa nos seus países e, além disso, gostam que os seus fornecedores tenham a capacidade de os ajudar a não ter que despedir pessoal, absorvendo-o na sua própria estrutura quando o cliente já não consegue mantê-lo.

Alguns outsourcers indianos de grande dimensão, como a Infosys Technologies e a HCL Technologies, têm vindo a assinar contratos deste género, que prevêem a absorção de mão-de-obra dos seus clientes na Europa. Mas os outsourcers indianos estão ainda demasiado concentrados a vender a Índia como um local de offshore de baixo custo, considerando que a contratação de pessoal para alargamento das suas operações na Europa iria diminuir as suas margens de lucro, sustenta Siddharth Pai.

Na sua opinião, os outsourcers indianos têm imperativamente que evoluir, de forma a tornarem-se empresas globais com operações em múltiplas localizações em todo o mundo, em vez de apostarem apenas na Índia como país de origem dos serviços que prestam.




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