Software gratuito pode ter custos a longo prazo

As agências governamentais que procuram poupar dinheiro utilizando software sem custos deveriam considerar os encargos a longo prazo que esses produtos implicam, aconselha um relatório recentemente tornado público pela Associação para a Tecnologia Competitiva (ACT), um grupo conhecido por apoiar frequentemente modelos de software proprietário.

O relatório, segundo o qual durante a actual recessão económica global, os vários níveis da administração central e local poderão sentir-se tentados a explorar a utilização de software gratuito, não desencoraja especificamente a utilização de software open-source ou gratuito por parte das agências governamentais, mas aconselha esses organismos a considerar os custos inerentes a essas soluções, como os custos de suporte, de gestão e de falhas no serviço.
O objectivo do relatório é "evitar criar qualquer tipo de expectativas e falsas ideias de que existem coisas totalmente gratuitas nas TI", afirma Braden Cox, co-autor do documento e conselheiro da ACT.
O real custo total de propriedade do software gratuito e de open-source and free há já muito tempo que tem vindo a ser alvo de aceso debate, mas este relatório não se limite a analisar este tipo de soluções, centrando-se também no software suportado por anúncios publicitários e no software oferecido em conjunto com a venda de hardware. Nalguns casos, o software disponibilizado gratuitamente recolhe dados dos utilizadores, avisa o relatório, e como tal os utilizadores devem ter em conta a sua privacidade e segurança, bem como a sustentabilidade do modelo de negócio inerente ao software, antes de decidirem optar por uma solução gratuita.
Mas Peter Corbett, CEO da consultora de marketing iStrategyLabs, discorda de algumas das conclusões do documento. O relatório questiona a sustentabilidade de alguns modelos de negócio inerentes ao software disponibilizado gratuitamente, mas Corbett sugere que as companhias que o fazem poderão não correr mais riscos do que qualquer outra que venda software proprietário.
Na sua opinião, as empresas produtoras de software open-source, em particular, estabeleceram já modelos de negócio que permitem oferecer suporte a pacotes de software gratuitos. Numa sessão de discussão do novo relatório da ACT, Peter Corbett fez notar que as agências governamentais não assinam contratos com projectos de open-source, mas com as companhias que estão por detrás do software, pelo que terão sempre essa segurança, quer em termos de responsabilidade, quer em termos de suporte.
As agências governamentais não escolhem o software com base na filosofia que está por detrás do produto, mas com base nas suas reais necessidades, acrescentou por seu turno Robert Atkinson, presidente da Fundação para a Tecnologia da Informação e Inovação. Na sua opinião, em muitos casos o software open-source pode mesmo ser a melhor solução e não o software proprietário, dependendo das necessidades a suprir. "Todas as decisões devem ser tomadas numa base individualizada e não generalizada”, defende.
Tom Schatz, presidente do movimento Cidadãos Contra o Desperdício Governamental, concorda e sublinha a importância de as agências governamentais terem em conta o custo total de propriedade do software antes de se decidirem por uma das opções disponíveis.
Mas na opinião deste responsável, embora as agências governamentais não devam dar preferência a software gratuito, ao mesmo tempo necessitam de ser frugais. "Ficaria muito satisfeito, bem como todos os contribuintes, se a nossa administração tivesse sempre por objectivo optar pela solução mais barata e eficaz possível, independentemente da sua natureza”.
Mas para além da questão o debate que opõe o open-source ao software proprietário, Corbett acredita que os governos deveriam focalizar-se nos standards abertos e na disponibilização do máximo de dados possível. Se o governo dos EUA divulgar informações usando padrões abertos, as companhias privadas podem inovar mais, proporcionando ferramentas que permitem fazer uso desses dados, considera este responsável, adiantando que várias empresas estão a utilizar estatísticas relacionadas com a criminalidade local para criar mapas Web destinados a turistas e residentes.
"Em última análise, o governo deveria funcionar como uma plataforma de dados aberta e publicar tudo o que não é seguro", conclui.




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