Extrair valor de uma infra-estrutura inteligente

Sabemos há muito que as organizações são sistemas vivos, que resultam de componentes e sistemas mais simples. À medida que o planeta se torna mais inteligente – cada vez mais seres humanos, sistemas feitos pelo homem, e sistemas naturais se tornam interconectados, instrumentalizados e inteligentes – começamos a atingir uma liberdade sem precedentes para construir, instalar, reinstalar, associar e ligar recursos na organização. E as organizações que mais prosperam são as suficientemente dinâmicas e resilientes para liderarem a mudança que lhes é exigida.

Por Cristina Semião, Directora da Divisão de Sistemas e Tecnologia, IBM Portugal

E não se trata apenas de conectividade invasiva. Pela primeira vez, computadores poderosos podem ser aplicados, de forma acessível, a processar, modelar, fazer previsões e analisar qualquer carga de trabalho ou tarefa.

É nesse contexto que surgem novos serviços como o cloud computing – criadores de um novo tipo de experiência para o utilizador – particularmente úteis em aplicações de consumo pela Web, desde pesquisas, redes sociais, a aplicações de retalho e produtividade. Tanto as redes de água e electricidade por exemplo, como os automóveis, e outros bens estão a tornar-se largamente “instrumentalizados” com sensores, transístores ou etiquetas de RFID. Hoje, estamos todos “interconectados” seja onde for, graças à Internet. E, ao mesmo tempo, tornamo-nos cada vez mais “inteligentes” graças ao software avançado que comunica com um vasto número de centros de dados com computação avançada.

Estamos no caminho de uma grande mudança

Assistimos hoje a um conjunto de rápidas mudanças: fusões de empresas centenárias, criação de novas indústrias e extinção de outras, emergência de novas economias, a abertura de mercados antes isolados, a imposição de novas leis de governos e o abrandamento de outros. Da mesma forma, temos que mudar os velhos paradigmas da computação pessoal dos anos 80 ou a descentralizada dos anos 90, e substituí-los por sistemas integrados, interconectados, abertos e poderosos, ligando assim a infra-estrutura física à infra-estrutura digital.

Estudos recentes indicam que 98% dos CEO’s planeiam alterar os seus modelos de negócio e 83% têm expectativas de mudanças muito substanciais. Mas a diferença entre os que esperam a mudança e os que acreditam que conseguem implementá-la triplicou nos últimos dois anos.

Mas o que os impede de progredirem?

Chamamos-lhe o “fosso da mudança”. Os seus negócios, ou “operações”,  e os seus bens de TI estão altamente fragmentados e distribuídos, tendo evoluído para um ambiente onde o negócio e as operações de TI trabalham em silos. Existe, por isso, um fosso enorme entre os nossos progressos de digitalização e instrumentalização dos processos e aplicações críticas, e a rigidez da infra-estrutura já existente.

Uma infra-estrutura inteligente para um mundo inteligente

O mundo precisa hoje de estar ligado digitalmente e, para isso, é necessária uma infra-estrutura que suporte a convergência do negócio e as necessidades de TI, criando activos integrados e inteligentes, permitindo às empresas reduzirem custos, gerirem o risco e melhorarem o nível de serviço.

Os requisitos chave de uma infra-estrutura deste género incluem a integração de uma infra-estrutura física e digital; a necessidade de gerir, armazenar, e analisar uma quantidade massiva de informação; reduzindo simultaneamente as ineficiências de energia, espaço e sub-utilização tanto ao nível dos centros de dados como dos servidores.

As capacidades técnicas subjacentes ao desenvolvimento de uma infra-estrutura convergente, dinâmica e inteligente incluem:

– Virtualização: quebrar as barreiras físicas num centro de dados, consolidando servidores, storage, redes de trabalho, informação e aplicações, e optimizando o Custo Total de Propriedade, resiliência e flexibilidade do negócio

– Eficiência Energética: optimizar e gerir eficientemente a energia associada à infra-estrutura de TI para reduzir custos, resolver constrangimentos de espaço, potência e arrefecimento

– Gestão de Serviço: ter visibilidade, controlo e automação integrados em todos os componentes de negócio e da infra-estrutura de TI que apoiem serviços diferenciados e acelerem o crescimento do negócio

 

– Gestão de Activos:  melhorar a fiabilidade e disponibilidade dos sistemas. Maximizam-se os retornos de investimento através por um lado, da optimização do inventário e por outro, da mitigação do risco de falhas no equipamento que comprometem o ambiente, a saúde e a segurança das pessoas

 

– Segurança: adoptar uma nova aproximação à gestão do risco e da segurança entre empresas, processos e informação, à medida que as TI e a infra-estrutura do negócio se tornam mais interconectados e abertos

 

– Resiliência do Negócio:  aceder a mecanismos internos que rapidamente se adaptam e respondem aos riscos, assim como às oportunidades de mercado, de maneira a manter as operações de negócio contínuas, reduzir custos operacionais, e potenciar um mundo incrivelmente mais conectado
– Infra-estrutura da Informação: disponibilizar uma infra-estrutura resiliente para o armazenamento seguro dos dados e gestão eficaz da informação e, assim, minorar riscos.

Vivemos hoje em tempos simultaneamente únicos e desafiantes. Mas são estes tempos que nos trazem também oportunidades fantásticas. Os sistemas inteligentes estão a transformar as redes eléctricas inteligentes, os sistemas de tráfego e as cadeias de distribuição. Estes garantem a segurança tanto de transacções financeiras como do fornecimento de comida. Estão também a alterar os nossos modelos de negócio e a forma como trabalhamos em conjunto. O aumento dos custos e as pressões derivadas, as expectativas de constantes melhorias dos níveis de serviço, novos riscos e ameaças e a emergência de tecnologias mais inteligentes e adaptáveis (cloud computing, virtualização e a Web 2.0) são algumas das forças que estão a acelerar a necessidade de mudança. Na verdade, numa economia globalmente integrada, uma infra-estrutura convergente e dinâmica que capacite o acesso ao negócio e permita a extracção de valor tanto do bem físico, como do digital ou do virtual, será a base da vantagem competitiva de qualquer negócio.




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