Sun aposta no “open source” e drives SDD

Apesar de ainda estar longe dos “gigantes” do armazenamento, a Sun Microsystems trouxe uma lufada de ar fresco ao mercado através da sua aposta em sistemas de código aberto. A Sun Microsystems pode ainda não ter dimensão enquanto fabricante de sistemas de armazenamento, mas está a tentar compensar isso com tecnologia inovadora introduzida numa série de appliances com software de gestão avançada e drives SSD (Solid-State).

A linha de produtos Sun Storage 7000 inclui três sistemas com capacidades que vão dos 2Tb aos 576Tb. As appliances correm Open Solaris e ZFS (Zettabyte File System) em hardware padrão x86, e incluem software de monitorização e de armazenamento desenvolvido pelo grupo FISHworks (Fully Integrated Software and Hardware) da Sun.
Os produtos Sun Storage 7000 foram desenhados para serem fáceis de gerir e para fornecerem informações pormenorizadas sobre a utilização do armazenamento. O software FISHworks, por exemplo, pode mostrar que utilizadores estão a aceder ao dispositivo, que aplicações estão a utilizar e que ficheiros estão a executar. Este tipo de informação estatística pode, na opinião de Graham Lovell, director sénior de Open Storage da Sun, ajudar os gestores de TI a detectarem causas de eventuais problemas através da comparação de detalhes de actividades de utilizadores com a actividade típica. E estes dados podem mesmo assumir uma grande importância quando as empresas virtualizam os seus recursos com tecnologia VMware, que não fornece este tipo de métricas.
A incorporação nesta linha de produtos de drives SSD tem como objectivo colocar dados em cache à medida que esses dados são escritos ou lidos pelos sistemas de discos das appliances. O resultado é um sistema de armazenamento híbrido com níveis diferentes, utilizando simultaneamente capacidade SSD e capacidade de disco para equilibrar o desempenho e os custos. Do ponto de vista da escrita, as drives SSD vão substituir os sistemas NVRAM (Non-Volatile Random Access Memory), que apesar de serem um pouco mais rápidos são consideravelmente mais dispendiosos. Do ponto de vista da leitura, as drives SSD complementam a RAM dinâmica à medida que os dados são extraídos para serem enviados através da rede. E ao contrário de qualquer forma de memória RAM, os sistemas SSD podem ser implementados de forma muito económica com capacidade muito elevada. Por exemplo, em termos de escrita, a maior appliance Sun Storage 7000 pode ser equipada com 16 drives SSD, cada uma com 18Gb de capacidade, de acordo com o fabricante. A velocidade e a elevada capacidade das SSD, na opinião de Lovell, permitem às empresas utilizar discos rígidos mais lentos e menos dispendiosos nas infra-estruturas de armazenamento.
Na gama mais baixa da linha 7000, a appliance compacta Sun Storage 7110 dispõe de 2TB de armazenamento. O modelo 7210 terá 44Tb de capacidade, e SSD optimizadas para escrita. E o modelo 7410 contará com 576Tb de capacidade, e terá as SSD optimizadas tanto para escrita como para leitura.
Nem só o software acrescenta valor
Na opinião de John Webster, analista da Illuminata, o valor real dos produtos de armazenamento está no software que os suporta. A Sun, porém, optou por uma estratégia alternativa: ganhar quota de mercado através da utilização de software de código aberto, menos dispendioso.
E isto pode revelar-se uma vantagem para a Sun, sobretudo numa altura em que as condições económicas pressionam as empresas a reduzirem custos. “Certamente que em 2009 os orçamentos de TI estarão ainda sobre maior pressão”, diz Webster. Como tal, muitas empresas – sobretudo aquelas que têm departamentos de TI de maiores dimensões – podem estar dispostas a correr o risco de trabalhar com tecnologias mais recentes, como o software Sun e as drives SSD, para reduzir os seus custos.
Para Andrew Reichman, da Forrester Research, a Sun está a dar passos no sentido certo com estas appliances. Não obstante, elas continuam a ter alguns pontos fracos – como o facto de não poderem ser agrupadas, como outros produtos da concorrência.  Mas na perspectiva de Reichman, o mais preocupante nem é isso, mas sim a aposta num portfolio algo pulverizado, que junta produtos oriundos de várias aquisições e parcerias a uma linha de produtos de código aberto desenvolvidos internamente. “Não é fácil compreender como os produtos deste portfolio funcionam juntos”, diz Reichman.
Armazenamento cresce num momento difícil para a Sun
O negócio de armazenamento da Sun Microsystems é um dos que, dentro da empresa, está a crescer mais rapidamente; no entanto, ainda representa uma parte relativamente pequena das operações do fabricante. Ainda fica muito aquém dos grandes concorrentes do sector, como a EMC ou a HP, mas a procura crescente de capacidade de armazenamento que se tem vindo a verificar parece abrir boas perspectivas para a Sun.
E numa época em que registou perdas avultadas – de cerca de 1,4 mil milhões de euros no último trimestre fiscal – este crescimento no armazenamento é muito bem recebido. As receitas do fabricante com armazenamento cresceram 29% no segundo trimestre deste ano, e a Sun considera que esse crescimento se deve à sua abordagem de código aberto. Jay Lyman, analista do 451 Group, considera que “a presença de código aberto na área de armazenamento é um fenómeno relativamente recente, e tem sem dúvida potencial – a Sun conseguiu crescer nesse negócio”.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado