Benoit Felten recomenda aposta nos serviços em vez de infra-estrutura

O analista da Yankee Group, Benoit Felten, deixou três grupos de recomendações, na sua intervenção durante o 18º Congresso das Comunicações. Um para as administrações públicas, um para as empresas e outro para o indivíduo. Aos governos recomendou uma aposta preferencial no desenvolvimento de diversos serviços, em vez de infra-estruturas. “As maiores receitas estão na área dos serviços”.

Em entrevista ao Computerworld explicou que nessa óptica acha difícil serem construídas três redes de fibra a chegarem a cada lar do país. “O primeiro operador a chegar com oferta ao mercado, vai dominar esse mercado”. Os operadores que se estabelecerem mais tarde vão ter de equacionar se o retorno vale o investimento. Por isso haverá regiões, mais densas onde potencialmente haverá mais operadores. E outras onde podem surgir pequenos monopólios. Seja como for, Felten considera o dinheiro melhor empregue se for usado para outros fins sem ser a construção de três redes de fibra óptica.

Benoit Felten recomenda aos governos que se focalizem na protecção dos direitos do indivíduo à sua privacidade, em vez de serem condescendentes com iniciativas mais  atrevidas da esfera da publicidade. “Se as pessoas não se sentirem à vontade na Internet, tornam-se cautelosas e a sociedade acaba por não retirar os benefícios da plataforma”, considera o analista. Para o mesmo, é preciso definir que informação comportamental é aceitável recolher. Por outro lado a informação sobre o que se é está a tornar-se menos importante do que os dados sobre o que se faz. Na visão do analista, os consumidores devem ser bem compensados pela informação fornecida.

Às empresas, Felten diz para aproveitarem o potencial da transformação das TIC. Mas avisa que elas não devem “espremer” os recursos humanos para obter os seus contributos. Na análise do responsável a adopção de tecnologias nas empresas tem sido feita de forma muito caótica. Um exemplo disso tem sido as tecnologias e dispositivos de mobilidade. A título de exemplo Felten refere uma empresa onde foram comprados smartphones  sofisticados para os administradores, enquanto a força de vendas foi equipada com telemóveis básicos. O analista não pretende sugerir que as empresas comprem mais tecnologia. “As companhias precisam de repensar os seus processos, e de perceber que função terão os dispositivos nos processos”, afirma.

No universo empresarial, questão do lugar onde se trabalha está a tornar-se mais importante, “à medida que se reconhece maior eficácia quando as pessoas ficam em casa a trabalhar, por exemplo”. Este aspecto acaba por ser um dos pilares para o desenvolvimento das redes de nova geração e da implementação das iniciativas de “cloud computing”. Dentro da forte tendência para as pessoas usarem tecnologia “doméstica” no trabalho, a aplicação mais usada é o webmail. “O Skype, o Box.net e o Slide-Share também são cada vez mais usados”, exemplifica.

Num estudo realizado no Reino Unido, 50% do empregados revelaram usar aplicações de carácter pessoal para desenvolverem o seu trabalho. A grande lição a reter pelos gestores de TI tem a ver com o nível de ergonomia oferecido por estas aplicações. Com o cenário de desenvolvimento do sector e a situação da economia mundial, as “iniciativas de cloud computing” são uma proposta viável para as empresas: “mudam-se as TI, mas não se tem de mudar o negócio”. Felten não se esquece de referir  as plataformas de teleconferência: “tornarão mais bem sucedido o teletrabalho. A Interacção on-line vai tornar-se cada vez parecida com a interacção real, segundo o analista.

Para os indivíduos deixa um aviso sobre a gratuidade dos produtos digitais: têm de aceitar que nem tudo pode ser grátis. “Se continuarmos mais um década como fizemos até aqui, deixaremos de ter conteúdo na net, porque o dinheiro vai esgotar-se nos diferentes modelos de negócio existentes”, vaticinou. O responsável prevê que se não houver mudanças deixará de haver modelos sustentáveis: “as pessoas deixam de dar valor ao que lhes é oferecido gratuitamente”. E isso tem como consequência as não perceberem o valor das coisa, cada vez mais.

 




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