Cisco processa Apple

O fabricante de equipamento de rede argumenta deter direitos sobre o nome iPhone, enquanto a Apple diz que são relativos a um tipo de dispositivo diferente do telemóvel.

A Cisco Systems processou a Apple para evitar que a empresa associe o nome iPhone ao seu novo smartphone, recentemente lançado durante a Macworld Conference & Expo. O nome iPhone é uma marca registada da Linksys, uma das divisões da empresa de equipamento de rede. A Linksys ganhou direito ao nome por via da compra da empresa chamada Infogear Technology, em 2000. Os iPhones da Cisco são aparelhos de telefone para usar em redes de VoIP (voice over Internet Protocol).


 



O iPhone foi o produto com maior protagonismo na Macworld deste ano e sua aceitação positiva valorizou as acções da Apple nos últimos dois dias. A 10 de Janeiro, as acções da empresa eram negociadas a 97 dólares, tendo subido 5% durante o dia. Os títulos de empresas concorrentes no segmento dos smartphones, como a RIM e a Palm, sofreram fortes quedas.


 


A Apple e a Cisco estão a negociar há dois anos o licenciamento da marca iPhone, segundo o porta-voz da Cisco, John Noh. Quando o CEO da Apple, Steve Jobs, apresentou o iPhone, as companhias ainda não tinham chegado a um acordo final da marca, embora tivessem negociado até à noite do dia anterior.


 


“Como tem negociando connosco o licenciamento da marca durante esse tempo todo, a Apple está ciente que detemos o nome”, disse Noh. “A Cisco encerrou a negociação com a Apple de boa fé depois da última empresa ter pedido várias vezes autorização para usar o nome iPhone”, disse Mark Chandler, vice-presidente sénior e principal advogado da empresa de equipamento de redes.
“O iPhone não é o iPhone de amanhã. O potencial de convergência para os telefones residenciais, celulares, telefones comerciais e PC é ilimitado, por isso é importante proteger a nossa marca”, disse Chandler.


 


A perspectiva da empresa de Steve Jobs é de que o iPhone da Cisco é um aparelho telefónico de VoIP e o iPhone da Apple é um telemóvel. E nessa base não haverá violação de direitos. “São produtos diferentes”, argumenta Greg Joswiak, vice-presidente mundial de marketing para o iPod. O iPhone integra um leitor de música digital iPod.
Mas se a Apple estava realmente a negociar a licença de utilização do nome iPhone, seria um “movimento perigoso” começar a usar a denominação, disse o advogado especialista em marcas Allonn Levy, da empresa de advocacia Hopkins & Carley, em San Jose, Califórnia. “É assumida como uma infracção intencional”.
Levy diz que a Apple pode argumentar que a Cisco não tinha lançado nenhum produto iPhone até meados do ano passado e a empresa considerou o nome como disponível. Contudo, lembra que a Cisco iniciou uma acção para pressionar a Apple a assinar o acordo de licença que as duas empresas vêm negociando. Levy não representa nenhuma das partes.




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