Portugal precisa de uma Estratégia da Informação Nacional

Durante dois dias foram apresentados no Colégio Militar, que acolheu o Iº Simpósio Internacional da Academia Militar sobre “A Estratégia de Informação Nacional”, os cenários, as propostas e as ideias para desenvolver a protecção à Infra-estrutura da Informação Nacional.

Do Simpósio Internacional sobre os novos desafios e ameaças na Era da Informação organizada pela Academia Militar, a principal conclusão deste evento foi a evidência da urgência de uma estratégia clara e consistente para a informação nacional.

Logo de início ficou estabelecida a importância cada vez maior da importância da informação, em resultado da contextualização feita pelo general Loureiro dos Santos.

Desde a preciosidade do bonhecimento para a afirmação de um país na realidade internacional, ao carácter estratégico da informação para gerir vontades e interesses, o general traçou as várias implicações do contexto actual.

Mais tarde, na sua intervenção, o historiador Pacheco Pereira abordou este último aspecto mas de uma outra perspectiva, ao defender a necessidade urgente de incutir na formação escolar do país uma literacia adequada à Era da Informação: útil para capacitar as pessoas na utilização de forma articulada dos vários media (incluindo a Internet) e capaz de permitir uma leitura mais prevenida através dos mesmos.

Propostas e exemplos

Como moderador da primeira sessão de intervenções, o Coordenador da Estratégia de Lisboa em Portugal, Carlos Zorrinho, preferiu abordar a primeira vertente da intervenção do general para salientar que se saber é poder (como referiu Loureiro dos Santos), definir a estratégia subjacente ao que se pretende saber também é crucial.

Adoptando uma abordagem actual e prática da Guerra da Informação, o major Viegas Nunes lançou uma proposta para a constituição de um sistema de protecção da infra-estrutura de informação nacional.

Tal como o próprio definiu, trata-se de uma visão e merece  a pena tê-la em conta.

No âmbito de uma estratégia de protecção, o engenheiro Luís Sousa Cardoso salientou a importância de se mapear as várias interdependências das infra-estruturas críticas do país.

A gestão da informação no âmbito da defesa nacional esteve em destaque com as intervenções de um major das Forças Armadas Belgas, da unidade de operações de informações.

O oficial explicou a experiência belga e, no fundo, abriu caminho para a intervenção da directora de um grupo de estudo da Nato SAS 057 – Susanne Jantsch, dedicada à problemática de uma doutrina para orientar as operações de informação das forças armadas.

Estas são cada vez mais um elemento de coordenação central para a gestão da informação, dentro da organização das forças armadas.

Países pobres não podem prescindir do Conhecimento
Uma das principais conclusões apresentadas pelo general Loureiro dos Santos na sua intervenção é de que o Conhecimento tem hoje, na Era da Informação, um papel ainda mais crucial na evolução dos países.

Ao ponto “dos países pobres não se poderem dar ao luxo de desperdiçar do seu potencial de desenvolver Conhecimento”.

Mas além disso, o general não se esqueceu de referir que a posse do Conhecimento foi sempre importante para garantir a segurança dos países.

A competição e o conflito envolvem sempre a gestão de informação para definir a vontade das pessoas e persuadi-las da legitimidade dos mais diversificados interesses.

Contudo “antes da Era da Informação não era tão visível a importância da mesma”, afirmou Loureiro dos Santos.

Neste contexto, o oficial salientou a importância da “gestão do Conhecimento mediático”. Na Era da Informação, segundo o mesmo, “é crescente a utilização dos media para modificar as opiniões”.

Esta gestão pode passar tanto por medidas de encobrimento, de mistificação, de desvio de atenção, de dissuasão, de virtualização, entre outras.

O vector do sistema mediático será “a arma mais importante” na Era da Informação. Pode ser usado até de forma independente, com objectivos próprios: o processo mais económico para atingir objectivos é através da persuasão.

“O que a televisão e a globalização vieram acrescentar foi a capacidade de agir sobre os sentimentos das pessoas”, explica o general.

Ao mesmo tempo, hoje mais do que nunca, “saber é poder”. As últimas evoluções das relações político-económicas mundiais são disso exemplo.

Enquanto a Europa está a perder terreno mercê do desinvestimento (excepto os países nórdicos) em investigação e desenvolvimento, a China e a Índia estão a ganhar protagonismo.

Esta conjuntura provocará uma mudança estratégica de fundo que vai alterar as relações de poder, nas previsões de Loureiro dos Santos.

O mesmo antevê que dentro de trinta anos a Ásia produzirá cerca de três quintos da riqueza mundial, tendo evoluído de um quinto, referente ao período da Revolução Industrial.

Uma das mais importantes consequências do domínio e difusão do Conhecimento é “a exportação de doutrinas e interesses dos exportadores”. Uma base para a colonização intelectual.

Saber para quê?

O Coordenador da Estratégia de Lisboa em Portugal, Carlos Zorrinho, foi o moderador das sessões da manhã e concordou com o general Loureiro do Santos, sobre o facto do poder resultar do saber.

Mas chama a atenção para a necessidade de “se saber também, o que é que precisamos de saber”. “Muitas vezes falhamos porque nos preocupamos apenas em saber e não no saber para quê”.

Para o responsável, é fundamental desenvolver inteligência estratégica em diversos níveis, com investigação nos laboratórios e mas também com tratamento e articulação no terreno.




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