Integração dos sistemas e da informação deve ser prioridade para o sector da Saúde

A integração e gestão dos sistemas e da informação, e a sua articulação e alinhamento com a prestação do serviço de saúde, é um dos maiores desafios deste importante e decisivo sector da sociedade portuguesa.


 


Quais são os principais desafios e prioridades de todo o sistema de Saúde em Portugal – sector público e sector privado –, na óptica das empresas de Tecnologias de Informação que fornecem soluções e serviços?


 


Qual é a visão e a abordagem que estes fornecedores têm para o sector?


 


Qual é o valor acrescentado que as TI podem oferecer no sentido de melhorar o desempenho, a eficiência e a qualidade do serviço prestado pelo sector da Saúde aos utentes?


 


Estas são algumas das questões que o Computerworld procurou respostas junto de um conjunto de “players” deste mercado, tendo como pano de fundo a segunda conferência “eHealth World 2004: as Tecnologias de Informação e o sector da Saúde”.


 


Nestes termos, o Computerworld desafiou as empresas que tornaram possível a realização desta conferência para um mesa-redonda onde pudessem expor, debater e partilhar a visão e a respectiva proposta para o sector da Saúde em Portugal.


 


Este artigo é o resultado desta mesa-redonda que teve a participação de responsáveis da Accenture, APC (American Power Corporation), Consiste, Microsoft, Partners Solutions e Sun Microsystems. Este caderno especial do eGov teve ainda o contributo da InterSystem e da TrakHealth Care Solutions.


 


 


Computerworld


 


Qual é a vossa visão e presença no sector da saúde? E nessa medida, qual é o vosso posicionamento?


 


 


Maria de Lurdes Carvalho (APC)


 


A primeira abordagem que a APC faz é perceber quais são os factores problemáticos que envolvem o sector da saúde. Isto é, reflectir sobre essas questões específicas e depois enquadrar dentro das nossas competências e capacidades e assim oferecer as melhores soluções.


 


No nosso caso, são soluções baseadas em hardware, numa perspectiva das infra-estruturas. Neste sentido, a saúde é uma prioridade neste momento.


 


 


Paulo Vilela (Sun Microsystems)


 


A Sun está bastante presente no sector da saúde, sobretudo hospitais e centro de saúde, com o parceiro ATM. Até este momento, temos sobretudo fornecido soluções de infra-estrutura para a área administrativa.


 


O facto de sermos uma multinacional permite-nos ver o que está a ser feito nos outros países e aproveitar essa experiência e conhecimento.


 


O que nós verificamos, dos contactos que temos com os hospitais, e em termos de necessidades hospitalares e sistemas de saúde, é que a palavra-chave, o problema/necessidade chama-se Integração dos sistemas, quer a nível dos sistemas hospitalares, quer a nível do sistema nacional de saúde, isto é, na integração entre centros de saúde e hospitais, e entre pacientes e sector farmacêutico.


 


Acreditamos que essa integração pode ser a chave para fazer progredir e ganhar economias – tempo e dinheiro – ao nosso sistema de saúde.


 


 


Luís Rodrigues (Partner Solutions)


 


Para nós, a Integração é também uma das preocupações que as TI deverão ter, uma vez que os ambientes existentes, por exemplo, na realidade dos hospitais, é de uma grande diversidade de sistemas diferentes, alguns com especificidades próprias de equipamentos, em parte devido a aquisições efectuadas a diferentes fornecedores sem se pensar que depois eles deveriam falar uns com os outros.


 


A nossa visão, e o que temos feito desde sempre, tem sido integrar o que existe e pensar no futuro. Por exemplo, o conceito de processo clínico, que ainda hoje é um pouco utópico, é o nosso objectivo a médio ou longo prazo, e temos desenvolvido uma série de esforços para transformar um pouco a realidade e disponibilizarmos aos profissionais de saúde ferramentas em que consigam ter uma visão global.


 


Como é que temos feito isso? Temos começado, por exemplo com a integração do sistema das inscrições, onde vão mesmo haver os dados do paciente para que não haja replicação de informação, integramos também com equipas várias e temos tentado criar acabar com a circulação de papel nos hospitais.


 


Uma das dificuldades que temos sentido é a resistência à introdução de sistemas.
Armando Reis (Consiste): Este tema é colocado em termos de oportunidades, desafios, e da diferenciação que nós podemos introduzir neste tipo de sistemas.


 


As oportunidades são evidentes. Nós vivemos num país onde a produtividade no domínio da saúde anda por um terço daquilo que se passa nos outros países da Europa, portanto, temos mais ou menos o mesmo número de médicos do resto da Europa, a relação médicos número de habitantes é semelhante, mas temos imensos problemas de acessibilidades, de organização de meios, etc.


 


E é nos diagnósticos que existem as grandes oportunidades. É nesta panorâmica em que vivem os sistemas de saúde em Portugal, que nós queremos tomar como uma oportunidade para dar a volta.


 


A Consiste pretende fazê-lo naturalmente utilizando as tecnologias de informação ao seu dispor, e há dois elementos fundamentais da nossa acção que consideramos básicos para atacar o problema: um, já foi aqui referido, e é a Integração, porque nós, Consiste com a Cardinal 2 estamos em cerca de 150/200 clínicas em todo o país, em 2500 farmácias, em 80 laboratório, portanto, estamos no centro desta problemática para fazer a integração. E fazêmo-lo com parceiros.


 


Outro aspecto que nos parece fundamental na acção a desenvolver, é a Automação. Portanto, não vale a pena estarmos preocupados com pequenas coisas. Temos de dar o salto para aquilo que de melhor se faz hoje no mundo. Estes meios de automatizar estão disponíveis, temos é de os trazer para Portugal.


 


Nós já o fizemos, existem hoje em dia cerca de 25 farmácias robotizadas, e vamos continuar para outras áreas a robotizar, como clínicas, hospitais, etc. Pensamos que é aí que existem elementos para garantir uma melhoria da produtividade em Portugal.


 


 


Jorge Carvalho (Accenture)


 


Não podemos ser redutores e perspectivar os problemas da saúde apenas ao nível dos sistemas de informação. Infelizmente são mais vagos e bastante extensos e não se limitam aos sistemas de informação.


 


Uma das questões fulcrais que podemos encontrar nos diversos players do sector tem a ver com a orientação dos sistemas de informação para servir a gestão, isto é, para produzir informação a partir da informação transaccionada, de suporte aos sistemas administrativos que permitam à gestão optimizar, analisar a sua actividade, a prática corrente, e a partir daí optimizar e definir o que possam ser oportunidades de melhoria.


 


Temos encontrado sistemas transaccionais, que são utilizados para registar a actividade, muitas vezes numa óptica de mero registo, e vê-se muito pouco a utilização dessa informação como ferramenta de gestão, penso que isso é fulcral, não tem a ver com a mudança dos sistemas em si, mas tem a ver com a forma como a informação é tratada.


 


Por outro lado, obviamente que a integração é fundamental, não falo só da integração de vários sistemas de informação de suporte aos recursos humanos ou contabilidade, seria mais difícil integrar a actividade e os processos no hospital, de forma a poder utilizar-se os recursos directamente.


 


Nós estamos actualmente a fazer a implementação de um sistema num hospital, onde vamos integrar, por um lado as necessidades de cuidados médicos e por outro lado a disponibilidade de recursos e horários de trabalho, consolidando o que é oferta e o que é a procura, e consegue-se optimizar a capacidade e utilização dos recursos do hospital.


 


Concluindo; Integração sim, mas mais do que integração dos sistemas de informação, integração de toda a cadeia de valor dos processos de suporte para uma optimização de recursos.


 


 


Joyce Fernandes (Microsoft)


 


Eu diria que as TI no sector da saúde têm um papel fundamental, tanto no relacionamento dos cidadãos com o sector, como no sentido inverso, que é a capacidade de resposta que os serviços de saúde devem prestar aos cidadãos.


 


Estamos a falar em serviços como manutenção de consultas médicas e serviços de registo electrónico do paciente. Para dar um exemplo, se um de nós tiver que entrar num hospital em Portugal num determinado momento, esse hospital não tem um histórico do indivíduo.


 


Todo este tipo de benefícios hoje em dia não existem, mas poderão ser construídos com a utilização intensiva de tecnologias.


 


 


Computerworld


 


Falou-se muito em integração, mas existem outros problemas e ncessidades e existe ainda um longo caminho a fazer pelas TI na saúde?…


 


 


Maria de Lurdes Carvalho (APC)


 


Falou-se muito em integração, na orientação do processo, na automatização, mas há um aspecto que vai levar ainda algum tempo, e isso tem muito a ver com a mudança cultural das pessoas.


 


Nós temos tecnologias avançadas, temos a aplicação dessas mesmas tecnologias em vários departamentos e sectores, mas existe um subaproveitamento dessas mesmas tecnologias, porque não existe uma atitude cultural relativamente à sua utilização.


 


O nível da formação das pessoas é francamente baixa, e isso impede que se tire partido daquilo que está implementado. Se tomarmos em conta algumas estatísticas, verificamos que só 15 ou 20% das pessoas dentro do sector estão habilitadas a tirar partido das tecnologias, ou utilizar os sistemas de informação ou tecnologias de informação.


 


Nós, fabricantes, temos aqui um papel importante, não só não devemos deixar para os directivos essa tarefa, como também nos compete de certa forma formá-los nas melhores práticas e na utilização dessas mesmas tecnologias.


 


 


Paulo Vilela (Sun Microsystems)


 


Posso dar um exemplo de um caso em que foi implementado um sistema muito sofisticado nas urgências de um determinado hospital. Mas como não houve formação das pessoas… ficou para lá. Concordo que é ponto importante, mas não o mais importante.


 


Falando com administradores de vários hospitais, do que eles se continuam a queixar é que não têm todos os dados necessários para tomar decisões. Um exemplo de implementações bem sucedidas de integração de dados, informação, num hospital na Alemanha permitiu que o tempo para avançar numa determinada intervenção fosse reduzido drasticamente, de uma semana para umas horas.


 


Estamos a falar de integração de dados, da informação do doente – tipo de doença que teve, quais os meios de diagnóstico utilizados, quanto é que gastou em farmácia, quanto tempo é que esteve acamado… e tudo isso demora a ser consolidado.


 


Isto é, a sua ficha clínica. Mas também de integração dos dados com o sistema contabilístico e estatístico do hospital, e isto hoje não acontece. Um administrador hospitalar não consegue ter dados online de quanto é que foi gasto, não consegue ter uma caracterização correcta dos gastos, quanto mais o processo clínico que é o ponto seguinte da integração!


 


 


Armando Reis (Consiste)


 


Já que falamos de integração, eu gostaria de identificar dois pontos. De facto, temos de falar de integração ao nível de um microcosmos de uma determinada unidade de prestação de serviços.


 


A integração da qual falei é mais uma integração sectorial, sem prejuízo da integração na unidade de prestação de serviços. Isto é, da integração da actividade dos vários agentes que trabalham neste sector, falo em hospitais, centros de saúde, centros clínicos privados, laboratórios de análises clínicas, as farmácias, etc.


 


Se quisermos ter mais produtividade para a sociedade, então, temos de fazer primeiro esta integração, garantir que os vários elementos deste sector funcionam de uma forma integrada. Este é um ponto.


 


Quanto às dificuldades, estou perfeitamente de acordo que é um problema cultural da gestão interna de cada unidade. Muitas vezes o problema não se põe pela disponibilidade de informação mas na (in)capacidade de gestão. É aí que existe o problema cultural da falta de produtividade dos nossos serviços. Isto é em relação às dificuldades que se põem.


 


Por outro lado, ainda no que respeita à integração, os sectores que o podem fazer devem avançar e não depender de um qualquer grande plano nacional para resolver todos os problemas.


 


Esta é a nossa visão, e temos avançado em sectores muito importantes, nomeadamente na automação como referi, e vamos continuar a avançar, muitas vezes na actividade privada, mas enfim, a actividade privada também já vai tendo algum peso na saúde em Portugal.


 


 


Luís Rodrigues (Partner Solutions)


 


Vou centrar-me um pouco nos hospitais, embora considere obviamente que, se existisse, a comunicação entre centros de saúde e hospitais facilitaria bastante e melhoraria muitos dos problemas que temos, por exemplo, nas urgências.


 


No que respeita às dificuldades que temos na introdução aos sistemas de informação nos hospitais, a nossa experiência diz-nos que tem muito a ver com a falta de visão da administração e força também para conseguir implementar esses sistemas.


 


É verdade que existe uma gestão de mudança que tem de ser efectuada, desde a área administrativa a enfermeiros e médicos, mas existe sempre alguma resistência na introdução deste tipo de tecnologias, até porque os dados estão muitas vezes em papel, e não permitem depois serem tratados estatisticamente para que a administração possa tomar decisões.


 


Apesar desta situação geral, sentimos uma mudança positiva nas administrações, nomeadamente nos Hospitais SA, em que a vontade de gerir com dados concretos supera o receio por vezes de avançar com projectos que implicam reestruturações massivas dos serviços.


 


Nós tivemos um caso em que era preciso integrar a informação de um serviço de urgências com laboratórios. E uma das resistências que foi apresentada foi a dificuldade que seria colocar os outros serviços a utilizar uma aplicação para introduzir dados na recepção aos utentes.


 


Teria que haver uma partilha, e como “mexia” com muitos serviços do hospital, o projecto ficou suspenso. Ou seja, existe a tecnologia. O que falta, muitas vezes, é vontade e a força para avançar com os projectos.


 


 


Jorge Carvalho (Accenture)


 


O sector enfrenta vários problemas, como a falta de autonomia das administrações, que limite a tomada de decisões para implementar um novo sistema de informação, ou para qualquer outra alteração estruturante.


 


Concordo com o problema da falta de formação e com as deficiências ao nível de estrutura, na orientação ao serviço e na falta de maior produtividade. Também tenho encontrado outras situações em que o problema se coloca ao nível do envolvimento e da comunicação.


 


É fácil encontrar em vários hospitais soluções parciais, apenas para gerir o bloco operatório ou uma solução para gerir a farmácia. Para se gerir esse tipo de soluções é necessário que haja uma maior comunicação e um maior envolvimento.


 


Por exemplo, não me parece que uma ficha clínica electrónica de um paciente se possa ambicionar num hospital em que a utilização dessa tecnologia seja ainda bastante baixa, sem que se consiga cativar e envolver o médico para essa utilização.


 


 


Joyce Fernandes (Microsoft)


 


Diria que nos dias de hoje, as TI estão a dar os primeiros passos no sector da saúde. Neste sector eu gostaria de me centrar na administração da saúde pública e não na saúde privada.


 


Na saúde pública as TI são, nos dias de hoje incipientes, portanto, reconheço os sinais de mudança actualmente com um novo conjunto de medidas que existem e estão em vias de implementação. Basicamente, estamos num período muito embrionário no que diz respeito à posição das TI no sector da saúde pública.


 


 


Paulo Vilela (Sun)


 


Nós temos acompanhado bastante o projecto de construção de um sistema único de saúde no Brasil que começou com a questão da integração da informação clínica. É um projecto-piloto ,que começou com 10 milhões de utentes, e que neste momento está a evoluir para 150 milhões de utentes.


 


A primeira coisa foi conseguir que a informação clínica dos cuidados primários de saúde pudessem ser integrados a nível municipal, e depois a nível estadual e federal. Portanto, foi feito esse projecto-piloto e com sucesso. Isto para dizer que, creio, as dificuldades de formação no Brasil são bastante maiores do que em Portugal.


 


Daí a formação ter sido considerada fundamental e ter sido implementado um sistema de comunicações para assegurar que regiões como o Pantanal ou a Amazónia não ficassem excluídas. Depois de garantido que todos participavam foi definida uma estrutura comum de informação nos vários hospitais. Isso tudo foi conseguido, mas foi necessário acompanhar tudo isso com um esforço continuado de envolvimento e de formação das pessoas.


 


Portanto, é necessário um investimento, e conseguir que quando uma pessoa vai a um centro de saúde e depois é transferida para um hospital, que o processo vá com ela e não tenha que ser reintroduzido em cada passo do processo. Quando falamos de integração nos sistemas de saúde, é deste tipo de coisas que estamos a falar.


 


 


Armando Reis (Consiste)


 


Muitas vezes, essa repetição dos processos repercute-se também na produtividade dos serviços. Os diagnósticos feitos pelos médicos são duplicados e triplicados, há uma enormidade de diagnósticos que são repetidos.


 


Um diagnóstico feito por um médico competente custa muito dinheiro, e o facto de terem de repeti-los custa rios de dinheiro às entidades empregadoras, sejam elas do Estado, sejam entidades privadas. Portanto, a produtividade social é baixa, naturalmente. É aqui que reside muito do problema da saúde em Portugal.


 


 


Jorge Carvalho (Accenture)


 


Isso provavelmente só se resolve com soluções estruturais. Temos falado de soluções ao nível dos hospitais, mais do que isso, e o que faz falta em Portugal é algo que integre todas as unidades prestadoras de serviços nos sistemas de saúde, e que permita essa visão única do paciente.


 


É óbvio que isso pode esbarrar que é um trabalho que tem que ser feito por passos. De repente, não vamos querer implementar um sistema único e substituir todos os sistemas de informação em todos os hospitais, seria um trabalho de décadas e não faria sentido.


 


Há soluções mais simples e mais produtivas, como o exemplo da Andaluzia. São cerca de oito milhões de utentes. Cada hospital tinha uma solução própria, os centros de saúde também dispunham de vários sistemas de informação, e o que se fez foi definir uma plataforma única, uma base de dados única onde o paciente é caracterizado com o mínimo de informação, quer administrativa, quer clínica.


 


Essa partilha é possível desde que sejam criados processos integradores dos vários tipos de informação existentes, e alimentar de forma automática essa ficha única. É crucial termos soluções desse tipo.


 


 


Computerworld


 


Como é que observam o papel do IGIF em toda a envolvente do sector? Qual deve ser o seu papel?


 


 


Paulo Vilela (Sun)


 


A questão da mudança de papel do IGIF tem sido uma questão do próprio IGIF, de como deve evoluir de  uma “software house” para uma entidade reguladora e avaliadora dos sistemas de informação.


 


Socorrendo-me mais uma vez do caso do Brasil, o que a entidade governamental fez foi definir os campos das bases de dados e definir as mensagens que circulam entre os vários sistemas. Portanto, não vão pelo caminho do sistema único, vão pelo caminho da definição técnica e clínica.


 


Isso serviria para alimentar as próprias empresas que desenvolvem sistemas ligados à saúde, que adaptariam os seus próprios sistemas perante essa revelação. É mais ou menos consensual que será esse o caminho que deverá ocorrer.


 


 


Luís Rodrigues, (Partner Solutions)


 


Na nossa opinião, o IGIF deveria ter-se afirmado como entidade regulamentadora e não fornecedora de soluções para os hospitais, porque está a dificultar um pouco a entrada aos privados neste mercado.


 


Embora agora tenha havido uma ligeira evolução da política, há uns anos era isso que acontecia, o que limitava a introdução dos privados no mercado da saúde, talvez uma das razões pela qual tenhamos, na área da saúde, um menor número de empresas na área das TI do que noutros mercados.


 


Pensamos que o IGIF deveria ser a entidade regulamentadora e funcionasse como uma central de compras de aquisição desses sistemas para os hospitais, para que houvesse uma poupança na aquisição de sistemas através da selecção criteriosa de um ou mais fornecedores que falassem a mesma linguagem.


 


Gostaríamos também que aquisição pelos próprios hospitais já estivesse regulamentada à partida e identificadas as tecnologias que podiam ser implementadas. É um pouco isso que está a acontecer com os Hospitais SA.


 


Foi o primeiro passo para nós sentirmos que realmente existe uma preocupação para que os investimentos sejam canalizados para onde se pretende levar as políticas na área da saúde, e não cair numa tentação, e em algo que acontecia, que era os próprios hospitais, mesmo com algumas limitações a nível de liberdade de escolha e de orçamentação por parte das administrações, compravam soluções e muitas ficavam na gaveta e não chegavam a ser implementadas. É essa a nossa visão embora achemos que já está a mudar um pouco.


 


 


Jorge Carvalho (Accenture)


 


Actualmente está a ser lançado o processo de aquisição de ERP para os Hospitais SA, e queremos acreditar que essa iniciativa se destina sobretudo a assegurar uma coerência. Penso que deveria ser essa a função do IGIF, uma capacidade de comunicação e de integração dos dados entre os vários clientes.


 


Tanto mais até do que procurar e seleccionar soluções que sejam as mais rentáveis, que sejam mais baratas, mais do que isso deverá procurar sempre as que sejam soluções estruturantes que permitam a integração da informação. Esse é o papel fulcral para onde o IGIF deveria caminhar.


 


 


Armando Reis (Consiste)


 


A nós parece-nos que há alguns sinais de algum conforto no sentido de ver o IGIF a apoiar a dinâmica das empresas privadas. Portanto, pensamos que é esse o caminho.


 


O dinamismo que as empresas têm parece-nos estar a ser aproveitado por esta equipa do IGIF. Esperemos que continue e que traga resultados.


 


 


Maria de Lurdes Carvalho (APC)


 


Queria só acrescentar, que de facto enquanto este tipo de situações não assentar ou enquanto não houver consciência que à volta disto temos de funcionar com uma lógica empresarial, e que o factor custo, o factor qualidade, o factor produtividade têm de ser encarados seriamente, tudo fica comprometido.


 


Qualquer decisão, as tais medidas que são tomadas, e a ausência de sinergias a que se assiste, tudo fica comprometido se não assentarem numa lógica empresarial.


 


 


Joyce Fernandes (Microsoft)


 


O IGIF tem-se apresentado como um prestador de serviços para a área da saúde, apresentando um conjunto de projectos cruciais e que vão levar a uma melhoria na prestação de serviços ao cidadão. Falamos novos cartões de utentes, contact center da saúde, prospecção do sistema de gestão de urgências, Intranet da saúde…


 


Eu diria que pelos sinais e pela estratégia da própria instituição, estamos finalmente no caminho certo. Tenho esperança que o IGIF leve a bom porto os desígnios necessários e que haja uma ruptura com o passado. Interessa é aligeirar os processos e tornar a administração pública da saúde mais eficaz.


 


Para mim esse é o grande desafio que qualquer instituição, independentemente da sua natureza, enfrenta ao implementar tecnologias.


 


 


Computerworld


 


Quais são os principais factores diferenciadores de cada uma das vossas empresas no sector da saúde?


 


 


Armando Reis (Consiste)


 


Penso que uma das características principais da Consiste é o facto de ter uma rede de assistência a nível nacional. Temos um call center a nível nacional que comanda as operações de assistência técnica em mais de 3 mil pontos, onde temos sistemas.


 


A dispersão por todo o país é mais ou menos de acordo com a distribuição da população. Esse é um factor fundamental da Consiste, dar assistência depois de implantado o sistema.


 


Por outro lado, um elemento que nos caracteriza é a capacidade de trazer novas soluções para Portugal. Portanto, vimo-las lá fora e depois implementamo-las cá. Outro elemento que nos caracteriza é estarmos com sistemas em todos os intervenientes do sistema de saúde em Portugal.


 


 


Luís Rodrigues (Partner Solutions)


 


Sendo uma empresa com um ano e meio, não podemos dizer o mesmo, mas penso que como elemento diferenciador a nossa equipa tem larga experiência na implementação de projectos e diria que nesta área específica é o acompanhamento na preparação do projecto, na comunicação aos vários profissionais, naquilo que vai acontecer e qual é o objectivo quando se está a implementar determinado sistema em determinada área.


 


Depois, também nos distinguimos pelo apoio após a entrada em produção do sistema e a sua manutenção. Há portanto, um grande cuidado na manutenção preventiva, para que os sistemas funcionem sem problemas de maior.


 


 


Paulo Vilela (Sun)


 


No caso da Sun, os nossos principais factores diferenciadores são, por um lado uma visão integrada desde a parte de servidores e datacenters, até aos dispositivos mais ligados ao utilizador como os cartões electrónicos.


 


Temos uma visão integrada dos sistemas de informação, estamos presentes ao longo desses componentes. É uma visão com experiências relevantes em vários países neste tipo de funções.


 


Outra das grandes vantagens da Sun é ter uma grande experiência empresarial, a nível dos datacenters e sistemas de segurança, o que neste sector é muito importante. Por último, penso que o nosso grande envolvimento em standardização é um factor importante.


 


Temos feito esforços ao nível da integração e desenvolvimento de standards baseados em web services e Java, o que nos leva a pensar que é também uma garantia de que se vai caminhar para sistemas integrados.


 


 


Jorge Carvalho (Accenture)


 


Em termos de factores diferenciadores da Accenture eu destacaria a nossa capacidade de realizar projectos de grandes dimensões, quer a nível da implementação de sistemas de informação, quer ao nível de consultoria estratégica.


 


Dentro desses projectos estão as soluções estruturantes, podemos implementar uma visão mais abrangente e mais integradora. Por outro lado, destaco a nossa visão integrada na gestão da mudança. Por outro lado, o facto de sermos uma multinacional permite-nos utilizar e dispor das experiências de outros países.


 


 


Maria de Lurdes Carvalho (APC)


 


A vantagem da APC advém de uma necessidade: os sistemas e centros de informação não podem funcionar assentes numa infra-estrutura deficiente. O nosso objectivo é garantir a continuidade dos sistemas de informação com melhorias numa infra-estrutura crítica.


 


A APC será um dos fabricantes que mais investe em investigação e desenvolvimento. 10% da nossa facturação é aplicada à investigação e desenvolvimento de sistemas inovadores.


 


 


Joyce Fernandes (Microsoft)


 


A Microsoft é um fornecedor importante e global no capítulo da infra-estrutura tecnológica, que detém uma vasta rede de parceiros com know-how nesta área e, por outro lado, a própria Microsoft a nível mundial tem uma prática instituída de saúde.


 


Isto significa que no desenvolvimento dos nossos produtos temos uma atenção específica ao impacto que os nossos produtos têm sobre os utilizadores, e posso até dizer que quando pensamos na evolução do Microsoft Office, há muita atenção às classes profissionais que o utilizam, seja o enfermeiro ou um médico. São ferramentas que devem ser personalizadas à imagem destes profissionais.


 


Jorge Carvalho, Accenture


 


Maria de Lurdes Carvalho, APC


 


Armando Reis, Consiste


 


Joyce Fernandes, Microsoft


 


Paulo Vilela, Sun Microsystems


 


Luís Rodrigues, Partner Solutions




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