Mercado mundial de Business Intelligence entrou em processo de consolidação

2003 foi um ano de viragem no mercado de Business Intelligence. O processo de consolidação chegou em grande força. Estava feito a primeira onda de consolidação, que promete continuar nos próximos anos.

A Cognos comprou a Adaytum, a Business Objects adquiriu a Crystal Decisions, a Hyperion incorporou a Brio Software. O SAS Institute também já foi ao mercado comprar empresas que complementa a sua oferta, designadamente, na área de gestão de risco.


 


E estes foram apenas os três principais exemplos numa lista um pouco maior. Na verdade, o ano de 2003 foi tudo menos tranquilo no segmento de fornecedores de soluções de Bsiness Intelligence (BI). Para onde caminha esse mercado?


 


Embora este seja um movimento que ainda parece longe de terminar, uma coisa parece certa: os grandes estão ficando maiores e os mais pequenos cada vez mais atomizados ou a desaparecer. “Toda esta movimentação está relacionada com a maturidade do mercado.


 


Quando um negócio está a crescer rapidamente, aumenta o número de fornecedores. Agora o que o sector está a crescer menos, começa a consolidação”, sustenta o Gartner Group. “Para sobreviver neste nicho é preciso certas capacidade e alguma dimensão”.


 


Um outro analista faz a distinção entre a consolidação (fusões e aquisições) no mercado de ERP e no BI. No primeiro grupo, as negociações, que envolvem valores sempre acima de 1 bilião de dólares, ocorrem entre empresas que têm produtos similares com o objectivo de adquirir base de clientes.


 


No mercado de BI, a lógica tem sido as empresas compraram concorrentes que possuam determinado conhecimento e know-how em determinadas funcionalidades, podendo assim oferecer uma plataforma mais integrada e até completa.


 


O mesmo analista considera que, precisamente por isso, pensa que os CIO não devem estar muito preocupados com a consolidação deste mercado no momento em que escolherem uma plataforma de BI. “Na junção de iguais, em que o objectivo é adquirir a base de clientes, a tecnologia pode ser extinta. Mas nas fusões de BI, o cliente fica a ganhar. O CIO deve ter em vista que a tecnologia não vai desaparecer, porque é justamente ela que está sendo a comprada.”


 


 


Cenário cinzento


 


Mas este movimento de consolidação e de oportunidade não tem estado apenas “reservado” aos protagonistas tradicionais de BI. A canadiense Geac, que actua na área dos ERP, comprou a Comshare, empresa de Business Intelligence fundada em 1966, por 52 milhões de dólares. E não será de estranhar que a SAP, a Oracle e a PeopleSoft oferecem ferramentas de BI e não seria surpresa se resolvessem ir às compras para ampliar o seu portfólio de soluções.


 


Por fim, os gigantes de soluções de TI, como IBM, Microsoft ou a Oracle, também estão a posicionar-se cada vez mais neste sector, porque é um mercado que os está a ajudar a crescer.


 


Segundo uma análise do Giga Research, subsidiária do Forrester Research, os fornecedores com menor poder financeiro no mercado de BI, como MicroStrategy, Actuate ou até mesmo a a Information Builders, poderão ser alvo de propostas aquisitiva ou, em alternativa, juntarem forças para melhor resistir aos “grandes” a serem adquiridos ou juntar forças com empresas de tecnologia de maior porte.


 


A regra começa a ser: quem pode crescer, cresce para não ser engolido. “Há cinco anos, os actuais líderes de BI não eram citados como líderes. Nada garante que dentro de mais cinco anos os nomes que falamos hoje sejam os mesmos”, afirma Wagner Damiani, professor da Escola de Administração de Empresas da FGV.


 


 


As aquisições principais


 


A lógica que norteou cada grande movimentação deste mercado é diferente, assim como as futuras implicações de cada fusão. A que fez mais celeuma do mercado foi quando a Business Objects comprou a Crystal Decisions, a começar pelo valor da transacção – 820 milhões de dólares–, a maior da história do sector. Mas existem outras leitura.


 


Um analista do Olap Report, classificou a aquisição como um movimento defensivo, já que a Crystal estava ameaçada pelo novo Microsoft Reporting Services, uma funcionalidade incorporada no SQL Server, e por novas soluções de reporting da Cognos e MicroStrategy.


 


O responsável do Gartner alerta que há uma parcela de sobreposição nas tecnologias de ambas as empresas e que a integração vai provocar esforços consideráveis.


 


A aquisição da Brio Software pela Hyperion ocorreu num contexto diferente, já que, ao contrário da Crystal, a Brio passava por problemas financeiros e dava mostras de que não conseguiria sobreviver sozinha neste mercado.


 


Com receitas de 101,8 milhões de dólares nos 12 meses até Junho de 2003, a empresa era forte candidata a ser comprada. O negócio, no entanto, tem muitos pontos positivos.


 


Não há sobreposição de linhas de produtos e a Hyperion precisava de soluções de relational query e reporting – especialidades da Brio. Até as sedes das duas empresas são quase vizinhas. “A complementaridade das soluções é muito grande e não há tantos desafios de integração”, diz o Gartner.


 


Por outro lado, a transacção de 157 milhões de dólares que a Cognos pagou pela Adaytum, a primeira consolidação de 2003, parece ter um como principal objectivo ganhar quota de mercado.


 


A Cognos pretende manter as altas taxas de crescimento da Adaytum usando a estrutura de vendas da companhia adquirida.


 


Mas nem todas as companhias escolheram a estratégia de aquisições. A MicroStrategy optou por desenvolver “in house”uma suíte com todas as ferramentas necessárias para BI. “A vantagem é que as funções já são integradas. O desafio da integração técnica é muito
grande nessa linha de produtos”, sustenta a companhia.


 


Já os concorrentes e alguns analistas sustentam que a companhia não fez aquisições porque após dois anos a perder dinheiro e quota de mercado, com receitas anuais a rondar os 170 milhões de dólares é mais forte candidata a ser comprada do que o contrário.


 


 


Qual é o caminho?


 


Ainda é cedo para prever até onde vai e quando terminará esta onda de consolidação. É preciso notar que se trata de um mercado que tem um excelente potencial de crescimento. O Gartner estima uma taxa anual média de crescimento de 8,5% entre 2004 e 2006 – e, portanto, desperta a atenção de grandes empresas.


 


Quando a áreas de oportunidade, a MicroStrategy, acredita que o mercado será dividido em dois segmentos: soluções de BI para empresas com necessidade de maior poder analítico e soluções mais simples e de baixo custo para empresas com menos necessidade de análise de dados. Na da companhia, a MicroStrategy e a Hyperion estão na primeira categoria, enquanto a Cognos, Business Objects e a Microsoft encontram-se no segundo segmento.


 


Já a Business Objects acredita que a forma que o mercado de BI vai adquirir no futuro será moldada pelo facto dos clientes estarem a buscar soluções cada vez mais completas ao invés de trabalhar com cada fornecedor isoladamente.


 


Por isso, oferecer um pacote que tenha desde ferramentas de extracção e movimentação de dados até a geração de consultas e relatórios tornou-se importante. “À medida que BI deixa de ser departamental e passa a ser uma solução para toda a companhia, a padronização torna-se uma tendência.


 


Acreditamos que este movimento será muito forte e vamos nos beneficiar com ele”, sustenta a Business Objects.


 


Esta companhia europeia também sustenta que existe uma razão tecnológica para a onda de fusões no sector, argumentando que o BI é um conceito amplo que compreende ferramentas de reporting (consultas em cima de uma base dados), OLAP (análises multidimensionais), distribuição de informação, data mining, ferramentas estatísticas e indicadores.


 


Hoje, as diferentes funções são atendidas por fornecedores distintos. Mas a tendência é que uma mesma software house ofereça o pacote completo.


 


A Cognos concorda com esta análise. “Antes havia fornecedores de BI com foco em cada uma das áreas. Hoje é preciso uma empresa de BI que ofereça uma plataforma completa”, diz a companhia.


 


O que parece claro é que nada autoriza a decretar que a temporada de fusões e aquisições está encerrada. E este é um mercado ainda pouco consolidado em que nenhum fabricante detém mais de 30% do mercado mundial de BI. Os próximos anos prometem assim, ser tudo menos calmos no mercado de BI.


 




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