Receitas das “100 Maiores Empresas de TI” do mercado nacional caíram 9% em 2002

A recessão na indústria de tecnologias de informação afectou profundamente o desempenho das empresas do sector no território nacional durante 2002.

As 100 Maiores Empresas de tecnologias de informação foram responsáveis por vendas consolidadas de 3,8 biliões de euros, o que corresponde a uma quebra ligeiramente superior a 9% relativamente ao ano anterior, em que estas empresas foram responsáveis por vendas consolidadas de 4,2 biliões de euros.


 


Esta é a primeira vez que tal acontece desde que o Computerworld iniciou o estudo sobre o desempenho das empresas de tecnologias de informação no território nacional (ver gráfico).


 


Ainda de acordo com os dados compilados pela equipa do Computerworld, e à semelhança do que aconteceu no mercado mundial, o volume de emprego destas empresas diminuiu no decorrer do ano passado.


 


Com efeito, enquanto que estas empresas empregavam no ano passado 13.601 empregados, em 2001, o volume de emprego das 100 Maiores Empresas era de 14.193, o que representa uma diminuição de 4% relativamente ao ano passado.


 


Estas são algumas conclusões que se podem retirar de um estudo realizado pela equipa do Computerworld sobre o mercado nacional de tecnologias de informação. Neste estudo, e à semelhança do que aconteceu em anos anteriores, a equipa do Computerworld procurou analisar com algum detalhe, a estrutura do mercado nacional de tecnologias de informação com o objectivo de identificar a sua dinâmica de funcionamento.


 


 


Crise não afectou exportações…


 


O ambiente recessivo vivido no ano passado não afectou as exportações de equipamentos informáticos. Com efeito, e segundo dados compilados pelo Computerworld, no ano passado, as exportações de equipamentos informáticos foram ligeiramente inferiores a 336 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento ligeiramente inferior a 20% relativamente ao ano anterior, em que o valor das exportações foi de 281 milhões de euros.


 


Por outro lado, as importações de equipamentos e produtos informáticos foram ligeiramente inferiores a 949 milhões de euros, o que corresponde a uma diminuição superior a 21% relativamente a 2001, em que o volume de importações foi superior a 1,2 biliões de euros. Esta realidade permitiu que o défice da balança comercial se reduzisse no decorrer do ano passado.


 


Segundo os dados compilados pelo Computerworld, o ambiente recessivo vivido no território nacional no decorrer do ano passado não afectou o mercado interno de tecnologias de informação.


 


Com efeito, e segundo dados recolhidos pelo Computerworld, no ano passado, o valor do mercado interno de tecnologias de informação ascendeu a 1,8 biliões de euros, o que corresponde a um crescimento de 10% relativamente ao ano anterior, em que este valor era de 1,7 biliões de euros.


 


Recorde-se que o valor do mercado interno é igual ao valor da despesa com tecnologias de informação, ao qual se retira o valor das importações e se adiciona o valor das exportações.


 


Se, numa primeira fase, a estratégia dos fabricantes de equipamentos e soluções informáticas contemplou a criação de estruturas internas vocacionadas para a comercialização de produtos junto das organizações empresariais nacionais de grande dimensão, num segundo momento, a generalidade das multinacionais optaram pela selecção de um conjunto de parceiros nacionais que os auxiliassem na comercialização dos seus produtos junto das empresas nacionais, em particular junto das empresas de menor dimensão.


 


Nos últimos anos, e com o crescimento da concorrência em alguns dos segmentos do mercado nacional (numa primeira fase, nos computadores pessoais e na comercialização de software e, mais recentemente, na comercialização de servidores, estações de trabalho e aplicações empresariais), a generalidade dos fabricantes multinacionais adoptaram um modelo de negócio que contemplou o aparecimento de empresas responsáveis pela distribuição de produtos informáticos.


 


 


… mas afectou todos os “players”


 


Neste contexto, o ambiente recessivo vivido no decorrer do ano passado afectou a generalidade dos intervenientes no mercado nacional.


 


Assim, enquanto que, em 2001, o abrandamento da actividade económica tinha afectado, sobretudo, as vendas indirectas no território nacional, no ano passado, a crise que se instalou na economia nacional afectou principalmente as vendas directas.


 


Com efeito, enquanto que as vendas directas no território nacional não ultrapassaram 760 milhões de euros, o que corresponde a uma quebra ligeiramente superior a 10% (846 milhões de euros em 2001), as vendas indirectas foram de 1,7 biliões de euros, o que equivale a uma quebra de 1% relativamente ao ano anterior.


 


Por outro lado, e ainda segundo os dados compilados pela equipa do Computerworld, as vendas de fabricantes multinacionais no território nacional foram superiores a 1,6 biliões de euros, o que corresponde a uma diminuição ligeiramente inferior a 9% relativamente aos valores do ano passado (1,8 biliões de euros).


 


Os distribuidores de equipamentos e produtos informáticos foi outro dos sectores afectados pela recessão do mercado nacional de tecnologias de informação.


 


Após anos consecutivos com taxas de crescimento de dois dígitos, as vendas dos distribuidores de equipamentos e produtos informáticos não ultrapassaram 834 milhões de euros, o que equivale a uma quebra de 9% relativamente ao ano anterior (846 milhões de euros).


 


De salientar ainda que, e devido ao comportamento recessivo do mercado nacional, as vendas indirectas readquiriram importância no território nacional.


 


Com efeito, e conforme vimos, as vendas indirectas ultrapassaram 1.760 milhões de euros, o que corresponde a cerca de 70% das vendas realizadas no território nacional, enquanto que, no ano passado, as vendas realizadas por revendedores, ISV e VAR representavam apenas 67% das vendas globais realizadas no território nacional.


 


O estudo realizado pela equipa do Computerworld permite-nos ainda identificar qual a estrutura de vendas das empresas nacionais de tecnologias de informação.


 


Assim, e segundo os dados compilados, enquanto que as vendas de hardware representam cerca de 52% das vendas totais, as receitas provenientes da prestação de serviços equivalem a 35% das vendas totais e as vendas de software representam apenas 12%. Por outro lado, e ainda segundo os dados compilados pelo Computerworld.


 


Por último, o estudo realizado pela equipa do Computerworld permite-nos ainda identificar as vendas por sectores de actividade das 100 Maiores Empresas.


 


Assim, e de acordo com os dados compilados, os sectores das telecomunicações, financeiro e dos serviços lideram os investimentos em tecnologias de informação sendo responsáveis por mais de 55% do investimento em tecnologias de informação – equivalente a 586 milhões de euros.


 


 


HP lidera pela primeira vez


 


A Hewlett-Packard Portugal ascendeu ao primeiro lugar do “ranking” das 100 Maiores Empresas de tecnologias de informação no ano passado.


 


A empresa liderada por Carlos Janicas encerrou o exercício fiscal do ano passado com um volume de vendas de 325,3 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento de 61% relativamente ao ano anterior.


 


Contudo, se incluirmos nesta comparação os valores da Compaq Computer Portugal (adquirida pela Hewlett-Packard em Maio de 2002) referentes a 2001, constatamos que as vendas da empresa liderada por Carlos Janicas registaram uma quebra no ano passado.


 


Senão vejamos. Em 2001, a Compaq Computer Portugal foi responsável por um volume de vendas no território nacional de 235,5 milhões de euros, enquanto que a Hewlett-Packard Portugal teve um volume de negócios de 201,3 milhões de euros. Assim, as vendas consolidadas das duas empresas em 2001 teriam sido ligeiramente inferiores a 437 milhões de euros.


 


Como vimos, a Hewlett-Packard Portugal encerrou o ano passado com um volume de vendas de 325,3 milhões de euros, o que corresponde a uma diminuição de 25% (cerca de menos 100 milhões de euros) relativamente às vendas das duas empresas em 2001.


 


 


Top 10 não teve grandes alterações


 


A IBM Portuguesa que, no ano passado, liderava o “ranking” das 100 Maiores Empresas de Tecnologias de Informação passou a ocupar a segunda posição.


 


Com efeito, a empresa liderada por José Joaquim de Oliveira encerrou o exercício fiscal do ano passado com um volume de vendas de 235 milhões de euros, o que corresponde a uma diminuição ligeiramente inferior a 11% relativamente ao ano anterior em que a empresa tinha tido um volume de vendas de 263,5 milhões de euros.


 


A Edinfor, que no ano passado ocupava a quarta posição na listagem das 100 Maiores Empresas, beneficiou da consolidação do mercado nacional e ascendeu à terceira posição no “ranking” das 100 Maiores Empresas.


 


Com efeito, esta empresa encerrou o exercício fiscal do ano passado com vendas de 224 milhões de euros, o que equivale a um crescimento superior a 18% relativamente ao ano anterior (189 milhões de euros).


 


A TechData Portugal, que no ano passado ocupava a sexta posição no “ranking” das 100 Maiores Empresas, ascendeu à quarta posição, reassumindo a liderança do mercado de distribuição de produtos informáticos no território nacional.


 


Com efeito, a empresa encerrou o exercício fiscal do ano passado com vendas de 216 milhões de euros, o que representa um crescimento de ligeiramente inferior a 29% relativamente ao ano anterior, em que havia facturado cerca de 168 milhões de euros.


 


Apesar de ter perdido a liderança do mercado de distribuição de produtos informáticos, a CPC di manteve a sua posição na listagem das 100 Maiores Empresas – 5a posição.


 


Com efeito, a empresa liderada por Oliveira Daniel encerrou o exercício fiscal do ano passado com vendas de 187 milhões de euros, o que representa um crescimento ligeiramente inferior a 7% relativamente ao ano anterior em que esta empresa tinha alcançado vendas de 175 milhões de euros.


 


A Solbi foi outra das empresas que se viu beneficiada com a consolidação do mercado nacional de tecnologias de informação.


 


Com efeito, a empresa liderada por Maia Nogueira encerrou o exercício fiscal do ano passado com vendas ligeiramente superiores a 135 milhões de euros o que lhe possibilitou ascender à sexta posição da listagem das 100 Maiores Empresas.


 


As vendas da Xerox Portugal – 120 milhões de euros – possibilitaram que a empresa ascendesse à sétima posição do “ranking” das 100 Maiores Empresas, enquanto que no ano passado ocupava a nona posição.


 


Apesar de ter mantido o volume de vendas no território nacional, a Samsung Portugal ascendeu à oitava posição do “ranking” das 100 Maiores Empresas.


 


Com efeito, a empresa norte-coreana encerrou o exercício do ano passado com 116 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento nulo relativamente ao ano anterior.


 


 


Novabase entre as maiores


 


A Novabase é uma das principais novidades no top 10 das 100 Maiores Empresas.


 


Com efeito, a empresa liderada por Rogério Carapuça encerrou o exercício fiscal do ano passado com um volume de vendas superior 114 milhões de euros (96,5 milhões em 2001), o que corresponde a um crescimento de 18% relativamente ao ano anterior e que lhe permitiu passar da 12a posição para a nona posição no ano passado.


 


Por último, a DLI Distribuição que encerrou o exercício fiscal com vendas de 110, 6 milhões de euros, o que equivale a uma quebra de 8% relativamente aos valores do ano passado (120 milhões de euros) desceu da 8a posição para a 10a posição.


 


 


Actores por segmentos


 


Para lá da hierarquização das 100 Maiores Empresas, o estudo do Computerworld permite-nos ainda identificar os principais actores em cada um dos segmentos de actividade – hardware, software e serviços.


 


Os dados compilados pelo Computerworld permitem-nos constatar que a recessão das actividades económicas no território nacional afectou principalmente as vendas de hardware e de serviços das 100 Maiores Empresas, assim como verificar que, conforme vimos, as vendas de hardware permanecem como predominantes no território nacional.


 


Assim, e de acordo com os dados compilados pela equipa do Computerworld, no decorrer do ano passado, as vendas de hardware das 100 Maiores Empresas foram de 1,8 biliões de euros, o que equivale a uma diminuição de 10% relativamente ao ano anterior (2 biliões de euros). Hewlett-Packard, Tech Data Portugal e CPC di lideram a listagem das maiores empresas de Hardware.


 


Por outro lado, as vendas de serviços estagnaram no mercado nacional. Com efeito, e de acordo com os dados compilados, no ano passado, as 100 Maiores Empresas registaram vendas de 1,2 biliões de euros, o que representa uma quebra de 0,5% relativamente ao ano anterior.


 


Microsoft, Novabase e SAP Portugal lideram o “ranking” das maiores empresas de software.


 


Por último, as vendas de software das 100 Maiores Empresas ultrapassaram 430 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento ligeiramente inferior a 21% relativamente ao ano anterior (357 milhões de euros). IBM Portuguesa, Edinfor e Accenture lideram a listagem das maiores empresas de serviços no mercado nacional.


 


À semelhança do que aconteceu em anteriores edições, a equipa do Computerworld procedeu à desagregação da listagem das 100 Maiores Empresas nos seus diferentes componentes, assim como procurou identificar qual o valor associado a cada um dos “tier” do mercado nacional de tecnologias de informação (ver texto).


 


Assim, enquanto que a Hewlett-Packard lidera o “ranking” dos fabricantes multinacionais, a Tech Data Portugal lidera o “ranking” dos distribuidores de equipamentos informáticos e a Edinfor lidera o “ranking” dos revendedores, VAR e ISV.


 




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