Investimentos em TI no mercado português tiveram uma quebra de 5% durante 2002

Após anos com taxas de crescimentos bastante elevadas, a despesa com tecnologias de informação caiu no território nacional durante o ano de 2002.

O abrandamento da actividade económica a nível mundial, com o consequente impacto nas condições económicas no território nacional, teve um impacto profundo na despesa das empresas nacionais com tecnologias de informação.


 


Assim, e no decorrer do ano passado, os investimentos com tecnologias de informação foram ligeiramente inferiores a 2,5 biliões de euros, o que corresponde a uma diminuição ligeiramente inferior a 5% relativamente ao ano anterior em que estes investimentos terão sido ligeiramente superiores a 2,6 milhões de euros.


 


Estas são algumas das conclusões de um estudo publicado pelo European Information Technology Observatory (EITO) – uma “task force” criada pela Comissão Europeia para acompanhar a evolução do mercado europeu de tecnologias de informação e que conta com a colaboração da International Data Corporation (IDC).


 


 


Repartição do investimento


 


O efeito conjugado do abrandamento da economia nacional e da descida dos preços dos equipamentos informáticos penalizou as vendas de hardware.


 


Com efeito, e de acordo com os dados do EITO, as vendas de hardware ascenderam a 1.038 milhões de euros, o que corresponde a uma quebra superior a 12% relativamente ao ano anterior em que estes valores tinham ultrapassado 1.182 milhões de euros.


 


No entanto, e apesar da quebra do crescimento da procura de equipamentos informáticos e à semelhança do que tem acontecido em anos anteriores, a despesa com hardware ainda é dominante no território nacional sendo responsável por mais de 45% da despesa com tecnologias de informação.


 


Por outro lado, e ainda segundo dados disponibilizados pelo EITO, a conjuntura recessiva não afectou as aquisições de software e serviços, tendo apenas contribuído para o abrandamento da procura destas tecnologias.


 


Com efeito, enquanto que a despesa com software ascendeu a 454 milhões de euros, o que equivale a um crescimento de 0,2% relativamente ao ano anterior em que os investimentos com software tinham sido de 453 milhões de euros, as aquisições de serviços informáticos foram de 687 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento ligeiramente inferior a 3% relativamente ao ano anterior em que os investimentos tinham sido de 669 milhões de euros.


 


 


Servidores “midrange” e PC os mais afectados pela recessão


 


Conforme verificámos, o abrandamento das actividades económicas penalizou mais fortemente a procura de hardware do que os restantes segmentos de mercado.


 


E nenhum dos segmentos analisados pelo EITO sobreviveu ao abrandamento do investimento em tecnologias de informação. Contudo, este abrandamento penalizou em particular as vendas de servidores “midrange” e de PC “desktop”.


 


Por outro lado, e ainda segundo os dados divulgados pelo EITO, as vendas de computadores pessoais e de servidores permaneceram como dominantes na despesa com tecnologias de informação no decorrer do ano passado, representando mais de 80% da despesa com equipamentos informáticos – equivalente a 815 milhões de euros.


 


Segundo dados divulgados pelo EITO, no ano passado, as vendas de servidores não terão ultrapassado 235 milhões de euros, o que corresponde a uma quebra 7,5% relativamente ao ano anterior, em que as vendas destes equipamentos tinham sido 254 milhões de euros.


 


Por outro lado, enquanto que as vendas de servidores “high-end” estagnaram no decorrer do ano passado – 2 milhões de euros –, as vendas de servidores “midrange” não ultrapassaram 39 milhões de euros, o que corresponde a uma quebra superior a 29% relativamente ao ano anterior, em que as vendas destes equipamentos ultrapassaram os 55 milhões de euros.


 


As vendas de servidores “low-end” foram as menos afectadas pela recessão das actividades económicas no território nacional.


 


Com efeito, no ano passado, as vendas destes equipamentos foram de 137 milhões de euros, o que corresponde a uma quebra ligeiramente inferior a 5% relativamente ao ano anterior, em que as vendas destes equipamentos ultrapassaram 144 milhões de euros.


 


As vendas de equipamentos pessoais (PC, estações de trabalho e portáteis) também foram afectadas pela recessão no território nacional.


 


Na verdade, as vendas destes equipamentos totalizaram 580 milhões de euros, o que equivale a uma quebra ligeiramente inferior a 17% relativamente ao ano passado em que as vendas destes equipamentos tinham sido de 697 milhões de euros.


 


Contudo, e apesar da quebra generalizada das vendas destes equipamentos, as vendas de PC e de estações de trabalho foram mais afectadas pelo abrandamento das actividades económicas do que as vendas de portáteis.


 


Com efeito, enquanto que as vendas de PC não ultrapassaram 369 milhões de euros, o que equivale a uma quebra superior a 23% relativamente ao ano anterior, em que as vendas somaram mais de 480 milhões de euros, as vendas de portáteis totalizaram 211 milhões de euros, o que corresponde a uma quebra de apenas 2% relativamente ao ano anterior em que as vendas tinham sido de 217 milhões de euros.


 


Contudo, o número de equipamentos portáteis comercializados no território nacional ascendeu a 112 mil, o que representa um crescimento de 6,1% relativamente ao ano anterior.


 


Contrariamente ao que sucedeu com a comercialização de equipamentos portáteis, a venda de equipamentos pessoais foi ligeiramente superior a 300 mil equipamentos, o que representa um a quebra ligeiramente inferior a 16% relativamente ao ano anterior.


 


A comercialização de estações de trabalho no território nacional prosseguiu a tendência descendente iniciada há alguns anos atrás.


 


Com efeito, no ano passado, as vendas destes equipamentos não ultrapassaram 5 milhões de euros, o que corresponde a uma diminuição superior a 28% relativamente ao ano anterior em que tinham totalizado 7 milhões de euros.


 


 


Impressoras com as vendas estagnadas


 


Após anos sucessivos em que as vendas de impressoras registaram elevadas taxas de crescimento no território nacional, no decorrer do ano passado, a despesa com impressoras manteve-se idêntica à do ano anterior.


 


Com efeito, e segundo dados publicados pelo EITO, no ano passado, as vendas de impressoras foram de 140 milhões de euros, o que corresponde a uma quebra de 0,4% relativamente ao ano anterior em que as vendas de impressoras tinham totalizado 141 milhões de euros.


 


Contudo, e apesar da quebra em valor, o número de impressoras comercializadas no território nacional cresceu. Com efeito, e segundo os dados divulgados pelo EITO, no ano passado foram comercializadas cerca de 350 mil impressoras, o que equivale a um crescimento ligeiramente inferior a 6% relativamente ao ano anterior.


 


O equipamento de escritório foi outro dos segmentos afectado pela conjuntura recessiva do ano passado. Com efeito, e segundo dados disponibilizados pelo EITO, no decorrer do ano passado, as vendas de equipamento de escritório foram de 128 milhões de euros, o que corresponde a uma quebra de 4,5% relativamente ao ano anterior em que a despesa com estes equipamentos tinha ultrapassado 134 milhões de euros.


 


 


Crise afecta software e serviços


 


O ambiente recessivo que se viveu no decorrer do ano passado também afectou a despesa nacional com software e serviços. No entanto, e apesar desta realidade, a despesa com estas tecnologias ainda é reduzida no território nacional – cerca de 45%, enquanto que em alguns dos nossos parceiros comunitários ultrapassa 65%.


 


Segundo dados disponibilizados pelo EITO, no decorrer do ano passado, os investimentos em software e serviços foram de 1.141 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento ligeiramente inferior a 2% relativamente ao ano anterior em que a despesa tinha sido ligeiramente superior 1.121 milhões de euros.


 


Conforme vimos, a despesa com software ascendeu a 454 milhões de euros o que representa uma taxa de crescimento de 3,3% relativamente ao ano anterior.


 


No entanto, e tendo em conta que a taxa de pirataria no território nacional ultrapassa 43%, o que corresponde a prejuízos nas empresas de software de 25 milhões de euros, o valor do mercado de software deveria ultrapassar 845 milhões de euros.


 


À semelhança do que aconteceu em anos anteriores, as organizações empresariais nacionais continuam a consagrar cerca de 52% da sua despesa com software com a aquisição de sistemas.


 


Assim, enquanto que as vendas de sistemas ascenderam a 237 milhões de euros, o que corresponde à estagnação da despesa com sistemas realizada no ano anterior, a despesa com a aquisição de aplicações ascendeu a 217 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento superior a 0,5%% relativamente às verbas consagradas no ano anterior e que ultrapassaram 216 milhões de euros.


 


 


Para lá da manutenção


 


Se, até há alguns anos, a despesa das organizações empresariais com serviços informáticos se resumia à contratação de serviços de manutenção dos sistemas instalados, gradualmente, e com a importância crescente que as tecnologias de informação adquiriram no interior das organizações empresariais nacionais, a prestação de serviços passou a incluir componentes tão diferentes como a consultoria no desenho e concepção de sistemas de informação e de redes de comunicação, a contratação de serviços de “outsourcing” total e parcial, entre outros.


 


No ano passado, a despesa com serviços profissionais foi ligeiramente superior a 687 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento de 2,7% relativamente ao ano anterior em que a despesa com serviços tinha sido de 669 milhões de euros.


 


Segundo os dados divulgados pelo EITO, a procura de serviços de gestão de operações e de suporte registaram taxas de crescimento superiores às do mercado de serviços.


 


Assim, enquanto que os investimentos em serviços de consultoria ascenderam a 68 milhões de euros, o que corresponde a uma taxa de crescimento de 1,5% relativamente ao ano anterior em que a despesa tinha sido de 67 milhões de euros, a despesa com serviços de implementação ultrapassou 288 milhões de euros, o que equivale a um crescimento ligeiramente superior a 2% relativamente ao ano anterior em que as empresas nacionais tinham investido 282 milhões de euros nestes serviços.


 


 


Serviços de suporte reduzem participação


 


Por outro lado, a contratação de serviços de gestão de operações ascendeu a 152 milhões de euros, o que representa uma taxa de crescimento de 4% relativamente ao ano anterior em que os valores tinham sido de 146 milhões de euros.


 


Por último, e apesar de ainda possuírem um peso elevado na estrutura da despesa com serviços profissionais, os serviços de suporte ascenderam a 179 milhões de euros, o que representa uma taxa de crescimento ligeiramente inferior a 3% relativamente ao ano anterior, em que as empresas nacionais tinham gasto 174 milhões de euros.


 




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