Investimentos em comunicações estagnaram em 2002

O ambiente recessivo vivido no decorrer do ano passado afectou a despesa com comunicações no território nacional.

O abrandamento da actividade económica a nível mundial, com o consequente impacto nas condições económicas no território nacional, teve um impacto profundo na despesa das empresas nacionais com comunicações.


 


Assim, e no decorrer do ano passado, os investimentos com tecnologias de informação foram ligeiramente inferiores a 5,6 biliões de euros, o que corresponde a um crescimento de 2,1% relativamente ao ano anterior em que os investimentos terão sido ligeiramente superiores a 5,5 biliões de euros.


 


Estas são algumas das conclusões de um estudo publicado pelo European Information Technology Observatory (EITO) – uma “task force” criada pela Comissão Europeia para acompanhar a evolução do mercado europeu de tecnologias de informação e que conta com a colaboração da International Data Corporation (IDC).


 


 


Recessão afecta investimento em equipamento de comunicações


 


O abrandamento da actividade económica no território nacional penalizou principalmente os investimentos em equipamento de comunicações.


 


Com efeito, enquanto que, a despesa com serviços de comunicações manteve a sua tendência de crescimento moderado, a procura de equipamento de comunicações foi seriamente afectada pela recessão do ano passado.


 


Assim, e segundo dados divulgados pelo EITO, no ano passado a despesa com serviços de comunicações ascendeu a 4,7 biliões de euros, o que equivale a um crescimento de 4,3% relativamente ao ano anterior, em que a despesa com serviços de comunicações tinha sido de 4,5 biliões de euros, o investimento em equipamento de comunicações foi de 1,1 biliões de euros, o que corresponde a uma quebra 6% relativamente ao ano anterior em que o investimento em equipamentos de comunicações tinha ultrapassado 1,2 biliões de euros.


 


Por outro lado, e à semelhança do que aconteceu em anos anteriores, a despesa com serviços de comunicações continua a ser dominante no território nacional, representando mais de 80% da despesa com comunicações a nível mundial.


 


 


Recessão afecta igualmente fixo e móvel


 


No ano passado, as receitas provenientes das comunicações móveis – equipamentos e serviços – mantiveram-se dominantes.


 


No entanto, ambos os segmentos foram afectados pelo abrandamento da actividade económica no território nacional.


 


Com efeito, e segundo dados divulgados pelo EITO, enquanto que a receita proveniente do serviço fixo se manteve idêntica à registada no ano anterior – equivalente a 2,3 biliões de euros, as receitas provenientes do serviço móvel ascenderam 2,7 biliões de euros, o que corresponde a um crescimento de 2,5% relativamente ao ano anterior.


 


Enquanto que, as receitas provenientes dos serviços de comunicações móveis ultrapassaram 2,1 biliões de euros, o que corresponde a um crescimento ligeiramente inferior a 7% relativamente ao ano passado, em que as receitas provenientes destes serviços foram ligeiramente superiores a 2 biliões de euros, as receitas provenientes da venda de equipamentos para as redes de comunicações móveis – telefones e equipamento base – foram de 606 milhões de euros, o que equivale a uma quebra superior a 10% relativamente ao ano anterior, em que as receitas provenientes deste segmento tinham sido ligeiramente superiores a 676 milhões de euros.


 


Neste contexto, não será de estranhar que, segundo dados disponibilizados pela Anacom, existissem no território nacional cerca de 8 milhões de assinantes de telefones celulares, o que corresponde a uma taxa de penetração de 82,5% da população portuguesa.


 


Por outro lado, e ainda segundo os dados divulgados pelo EITO, as vendas de telefones celulares ascenderam a 420 milhões de euros, o que equivale a um crescimento ligeiramente inferior a 4,5% relativamente ao ano anterior, em que as receitas provenientes da comercialização destes equipamentos tinham sido ligeiramente superiores a 400 milhões de euros.


 


Ainda de acordo com os dados divulgados pelo EITO, os investimentos nas redes de comunicações móveis não ultrapassaram 186 milhões de euros, equivalente a uma quebra de 32% relativamente ao ano passado, em que estes investimentos ultrapassaram 274 milhões de euros.


 


 


Receitas do serviço fixo estagnaram


 


Apesar da liberalização do serviço fixo de comunicações no território nacional, as receitas provenientes deste serviço têm-se mantido a níveis idênticos dos anos anteriores.


 


A concorrência dos serviços de comunicações móveis tem sido a grande responsável pela manutenção das receitas deste serviço.


 


Conforme vimos, as receitas provenientes do serviço fixo de comunicações manteve-se estável no decorrer do ano passado.


 


Com efeito, e de acordo com os dados divulgados pela Anacom, no decorrer do ano passado foram efectuadas mais de 3,2 biliões de chamadas telefónicas no território nacional, o que corresponde a uma quebra de 8% relativamente ao ano anterior.


 


Estas chamadas foram responsáveis por mais de 14 biliões de minutos de conversação, o que corresponde a uma diminuição de 6% relativamente ao ano anterior.


 


Por outro lado, e ainda segundo os dados divulgados pelo EITO, enquanto que as receitas provenientes do serviço fixo de comunicações se mantiveram estáveis – cerca de 2,1 biliões de euros –, as receitas provenientes da comercialização de equipamentos para a rede fixa de comunicações não ultrapassou 244 milhões de euros, o que corresponde a uma quebra de 3% relativamente ao ano anterior em que as receitas provenientes da venda destes equipamentos foram de 252 milhões de euros.


 


Por outro lado, e ainda segundo os dados disponibilizados pelo EITO, as receitas provenientes da comercialização de telefones para a rede fixa no território nacional foram de 90 milhões de euros, o que corresponde a uma quebra de 1% relativamente ao ano anterior em que estes valores tinham ultrapassado 91 milhões de euros.


 


 


Tráfego de dados continua a crescer


 


Contrariamente ao que sucedeu com as receitas provenientes da rede móvel de comunicações, as receitas provenientes dos serviços de circuitos não foram afectadas pelo abrandamento das actividades económicas no território nacional.


 


O rápido sucesso da Internet no território nacional é um dos factores subjacentes ao crescimento do volume de dados no mercado nacional.


 


Com efeito, e de acordo com os dados disponibilizados pela Anacom, no final do ano passado existiam mais de 5,1 milhões de assinantes desta nova infra-estrutura de comunicações e de acesso à informação.


 


Por outro lado, e ainda segundo os dados divulgados pelo Anacom, no final do ano passado, existiam no território nacional cerca de 27 mil acessos para comunicações de dados, dos quais mais de 80% dedicados (21.041) e os restantes comutados.


 


Estes acessos foram responsáveis por um volume de tráfego de 170 milhões de Mbytes no decorrer do ano passado.


 


Por outro lado, e ainda segundo os dados do organismo regulador das comunicações no território nacional, no final do segundo trimestre existiam mais de 15 mil acessos “Frame Relay” no território nacional.


 


Neste contexto, e ainda de acordo com os dados publicados pelo EITO, a despesa com serviços de circuitos dedicados ascendeu a 368 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento ligeiramente superior a 11% relativamente ao ano anterior, em que a despesa com estes serviços não tinha ultrapassado 330 milhões de euros.


 


Situação idêntica se pode constatar com os serviços de televisão por cabo.


 


Apesar de ainda possuírem um peso diminuto na estrutura da despesa com comunicações no território nacional, a despesa com serviços de televisão por cabo tem vindo a crescer nos últimos anos.


 


Com efeito, e segundo dados publicados pala Anacom, no final do ano passado existiam mais de 3,3 milhões de casas cabladas no território nacional, assim como existiam mais de 1,2 milhões de assinantes destes serviços no mercado nacional, o que corresponde a uma taxa de penetração de 11% da população nacional.


 


Assim, não será de estranhar que as receitas provenientes deste tipo de serviço tivessem ultrapassado 48 milhões de euros no ano passado, o que corresponde a um crescimento superior a 17% relativamente ao ano anterior, em que as receitas deste serviço tinham sido de 41 milhões de euros.


 


Enquanto que as receitas provenientes da comercialização de equipamentos de transmissão ascenderam a 62 milhões de euros, o que equivale a um crescimento de apenas 1,6% relativamente ao ano anterior, em que as receitas foram de 61 milhões de euros, as receitas provenientes das vendas de equipamentos de PBX mantiveram-se estáveis relativamente ao ano anterior – cerca de 41 milhões de euros.


 


Por outro lado, enquanto que as vendas de equipamentos de comutação de dados ascendeu a 49 milhões de euros, o que equivale a um crescimento de 2% relativamente ao ano anterior (48 milhões de euros no ano anterior), as vendas de equipamento para circuitos dedicados não ultrapassou cerca de 51 milhões de euros o que corresponde a uma quebra superior a 13% relativamente ao ano anterior em que as vendas destes equipamentos tinham sido superiores a 59 milhões de euros.


 




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