Despedimentos abrandaram durante 2002

A indústria de tecnologias de informação e comunicações está a atravessar o período mais negro da sua história. A reestruturação da indústria já provocou mais de um 1,1 milhões de despedimentos.

O efeito conjugado do “crash” bolsista, dos acontecimentos de 11 de Setembro nos Estados Unidos e do arrefecimento da economia norte-americana foi responsável pela mais grave crise vivida pela indústria de tecnologias de informação e comunicações que viram as suas receitas e lucros seriamente afectados.


 


Neste contexto, as 200 Maiores Empresas de TIC encerraram o ano fiscal do ano passado com vendas de 785 biliões de dólares, o que representa uma diminuição ligeiramente inferior a 12% relativamente ao ano anterior em que estas empresas tinham sido responsáveis por vendas de 890 biliões de dólares.


 


Por outro lado, o ambiente recessivo vivido na economia mundial agravou seriamente a situação financeira destas empresas que no decorrer do ano passado registaram prejuízos acumulados superiores a 154 biliões de dólares, enquanto que no ano anterior já tinham sido responsáveis por prejuízos consolidados de 64 biliões de dólares.


 


Em consequência destes resultados, foram anunciados mais de 360 mil despedimentos a nível mundial no decorrer do ano passado, o que representa cerca de 15% do volume de emprego desta indústria.


 


Se a estes números adicionarmos mais de 700 mil despedimentos ocorridos no decorrer de 2001 verificamos que a crise que o sector atravessa foi responsável pela eliminação directa de mais de um milhão de empregos na indústria de tecnologias de informação e comunicações.


 


Segundo dados recolhidos pela equipa do Computerworld que tem acompanhado a evolução da situação na indústria desde o início de 2001, os fabricantes de equipamentos de comunicações foram os mais afectados pela crise da indústria de tecnologias de informação e comunicações a nível mundial.


 


Com efeito, no decorrer dos dois últimos anos, estas empresas foram responsáveis pelo despedimento de cerca de 420 mil empregados, o que corresponde a mais de 37% dos despedimentos ocorridos nesta indústria.


 


Empresas como a Lucent Technologies, a Nortel Networks, a Motorola, a Alcatel e a Ericsson viram-se forçadas a anunciar despedimentos na sequência dos resultados financeiros dos últimos dois anos.


 


A Lucent Technologies foi a empresa mais afectada pela recessão da indústria de tecnologias de informação e comunicações tendo anunciado despedimentos de mais de 76 mil empregados no decorrer dos dois últimos anos.


 


A Nortel Networks foi outro dos fabricantes de equipamentos para redes de comunicações afectado pela conjuntura recessiva tendo anunciado o despedimento de mais de 60 mil empregados nos últimos dois anos.


 


A Motorola foi outro dos fabricantes que se viu forçado a recorrer aos despedimentos para ultrapassar a crise do sector, tendo sido responsável por mais de 57 mil despedimentos.


 


Contudo, a crise vivida na indústria de tecnologias de informação e comunicações não afectou apenas os fabricantes norte-americanos, fabricantes como a Alcatel e a Ericsson viram-se forçados a recorrer à rescisão de contratos de trabalho para enfrentar os problemas iniciados com o “crash” da Bolsa, tendo anunciado despedimentos de 40 mil e de 35 mil empregados no decorrer de 2001 e 2002.


 


A conjuntura recessiva afectou ainda fabricantes como a Cisco Systems, a Nokia ou a Siemens que se viram forçados a anunciar despedimentos no decorrer dos dois últimos anos.


 


Os operadores de telecomunicações foram outro dos sectores profundamente afectado pela recessão da indústria de tecnologias de informação e comunicações.


 


Com efeito, e ainda segundo os dados compilados pelo Computerworld, estas empresas foram responsáveis nos últimos dois anos por despedimentos superiores a 215 mil empregados, o que equivale a cerca de 18% dos despedimentos ocorridos nesta indústria a nível mundial nos últimos dois anos.


 


Empresas como a WorldCom, a Verizon Communications, a SBC Communications, a Deutsche Telekom e a British Telecom lideraram os despedimentos registados neste sector nos últimos dois anos.


 


A WorldCom, um dos operadores de telecomunicações mais afectado pela crise da indústria, anunciou mais de 35 mil despedimentos desde o início da recessão na indústria de tecnologias de informação e telecomunicações.


 


A Verizon Communications foi outro dos operadores que se viu forçado a anunciar despedimentos na sequência da crise que atravessou o sector nos últimos dois anos, tendo sido responsável pela redução de mais de 31 mil postos de trabalho no decorrer desse período.


 


A SBC Communications foi outro dos operadores que recorreu ao despedimento para ultrapassar as dificuldades com que se viu confrontado nos últimos dois anos, tendo sido responsável pela redução de 30 mil empregados. Contudo, a crise não afectou somente os operadores de telecomunicações norte-americanos.


 


Na Europa, operadores como a Deutsche Telekom e a British Telecom viram-se forçados a reduzir a força de trabalho para ultrapassar as dificuldades sentidas com a recessão do mercado mundial, tendo sido responsáveis pelo despedimento de 22 mil e de 15 mil trabalhadores, respectivamente.


 


Os fabricantes de computadores e periféricos foi outro dos sectores seriamente afectado pela recessão provocada pelo “crash” da Bolsa e pelos acontecimentos do 11 de Setembro.


 


Segundo os dados compilados pela equipa do Computerworld, este sector foi responsável por mais de 150 mil despedimentos nos dois últimos anos, o que corresponde a 13% dos despedimentos ocorridos a nível mundial. Empresas como a Hewlett-Packard, a Compaq Computer e a IBM lideraram os despedimentos a nível mundial.


 


A Hewlett-Packard liderou os despedimentos neste sector.


 


Assim, o efeito conjugado do anúncio da fusão entre a empresa liderada por Carly Fiorina e a Compaq Computer e da crise na indústria de tecnologias de informação e comunicações levou a que a Hewlett-Packard anunciasse um plano de despedimentos que contemplou a redução de 42.500 postos de trabalho.


 


A IBM foi outra das empresas afectada pela recessão no mercado mundial tendo anunciado tendo anunciado cerca de 25 mil despedimentos a nível mundial. Mas a crise não afectou somente os fabricantes de computadores e periféricos norte-americanos.


 


A Compaq Computer foi outro dos fabricantes de computadores e periféricos que anunciou despedimentos no mercado mundial. Com efeito, a empresa anunciou o despedimento de 16 mil empregados no mercado mundial para fazer face às alterações da sua actividade económica.


 


Mas os despedimentos não afectaram apenas estes segmentos da indústria de tecnologias de informação e comunicações. Sectores como as empresas Web, as empresas de serviços informáticos, os fabricantes de equipamentos electrónicos, de semicondutores e de software foram também afectados pela recessão vivida nos últimos dois anos.


 


Após um período de valorização bolsista sem precedentes, o mercado financeiro acabou por corrigir a sobrevalorização das cotações da generalidade das “dot-com”.


 


A partir desse momento o número de falências e de despedimentos nestas empresas alcançou números surpreendentes.


 


Assim, e desde o início da crise foram despedidos mais de 131 mil empregados em empresas “dot-com”, assim como se multiplicaram o número de falências, tendo ultrapassado mais de mil falências.


 


Por outro lado, os fabricantes de equipamentos electrónicos, na sua maioria asiáticos, anunciaram no decorrer dos últimos dois anos mais de 86 mil despedimentos no mercado mundial.


 


Os fabricantes de semicondutores foram outras das empresas a terem que recorrer aos despedimentos para reestruturar as suas operações no mercado mundial.


 


Com efeito, fabricantes como a Intel, a Solectron, a Texas Instruments anunciaram no decorrer dos dois últimos anos mais de 56 mil despedimentos a nível mundial.


 


Por último, e apesar de terem sido os menos afectados pela recessão do mercado mundial, os fabricantes de software anunciaram mais de 26 mil despedimentos nos últimos dois anos.


 


 


Recuperação em 2003?


 


Apesar do cenário negro que a indústria de tecnologias de informação e comunicações viveu nos últimos dois anos, a recuperação poderá já ter-se iniciado, de um modo tímido e em apenas alguns dos sectores.


 


Com efeito, e segundo os dados compilados pela equipa do Computerworld, os lucros destas empresas totalizaram 7,2 biliões de dólares no primeiro trimestre deste ano, o que representa um crescimento ligeiramente inferior a 100% relativamente ao primeiro trimestre do ano passado. Mas mais importante, os resultados do primeiro trimestre quebram uma série de três trimestres em que estas empresas apresentaram prejuízos significativos.


 


Por outro lado, e ainda segundo os dados do painel do Computerworld, as vendas acumuladas de um conjunto de 53 empresas de tecnologias de informação e comunicações ascenderam 143,3 biliões de dólares no primeiro trimestre deste ano, o que representa uma quebra de 0,3% relativamente ao primeiro trimestre do ano anterior.


 


Uma análise mais detalhada por segmentos permite-nos constatar que apenas as empresas de serviços e de software já recuperaram os níveis de vendas registados no último trimestre de 2000.


 


Com efeito, as empresas de serviços encerraram o primeiro trimestre deste ano com vendas de 9,8 biliões de dólares, enquanto que, no final de 2000, estas empresas tinham encerrado o último trimestre com vendas de 9,7 biliões de dólares, o que corresponde a um crescimento de 3,6% relativamente ao último trimestre de 2000.


 


Por outro lado, os fabricantes de software encerraram o primeiro trimestre deste ano com vendas de 15,2 biliões de dólares, enquanto que no final de 2000, as vendas tinham sido de 14,7 biliões de dólares, o que equivale a um crescimento de 7% relativamente a finais de 2000.


 


Os restantes segmentos analisados – computadores e periféricos, distribuidores, equipamento de comunicações e semicondutores – ainda não recuperaram as vendas que possuíam anteriormente ao início da crise.


 


Os fabricantes de computadores e periféricos encerraram o primeiro trimestre com vendas de 62,4 milhões de dólares, o que corresponde a um crescimento superior a 3% relativamente a igual período do ano anterior.


 


Contudo, as vendas deste segmento ainda registam uma quebra de superior a 9% relativamente a finais de 2000 em que totalizavam 79,4 biliões de dólares.


 


Por outro lado, as vendas dos distribuidores de equipamentos e produtos informáticos totalizaram 10 biliões de dólares no final do primeiro trimestre deste ano, o que ainda representa uma quebra de 21% relativamente ao último trimestre de 2000 (as vendas destas empresas ascendiam a 14,2 biliões de dólares) e uma quebra de 1% relativamente ao primeiro trimestre do ano passado.


 


Os fabricantes de equipamentos de comunicações são o segmento mais afectado pela recessão no mercado mundial e aquele em que os sinais da retoma ainda não são evidentes.


 


Com efeito, estes fabricantes encerraram o primeiro trimestre deste ano com vendas ligeiramente inferiores a 38,3 biliões de dólares, o que corresponde a uma quebra de 34% relativamente a finais de 2000 (70,2 biliões de dólares) e de 7,4% relativamente ao primeiro trimestre do ano passado.


 


Por último, os fabricantes de semicondutores encerraram o trimestre deste ano com vendas consolidadas de 7,4 biliões de dólares, o que corresponde a uma quebra de cerca de 5% relativamente aos valores registados no último trimestre de 2000 – 7,8 biliões de dólares – e uma quebra ligeiramente inferior a 3% relativamente ao primeiro trimestre do ano passado.


 




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