Armazenamento de dados é uma das novas astro emergentes no mercado das TI

A globalização e a Internet são, talvez, os dois maiores responsáveis pelo estatuto independente que o Armazenamento de Dados ganhou no contexto da indústria de Tecnologias de Informação.

Quando a partir do último trimestre de cada ano, sobretudo, os analistas e a comunicação social em geral começam a procurar e a definir as tendências que poderão marcar o comportamento da indústria e do mercado de Tecnologias de Informação, tendem, como é normal, a encontrar traços de continuidade e de ruptura.


 


Nos últimos dois três anos, o Armazenamento de Dados tem emergido como uma das tecnologias/negócios com “residência fixa” neste tipo de análises e artigos.


 


E nas tendências para 2003, o Armazenamento voltou a estar na listas dos 10 mais procurados, ao lado de temas como a Integração de Informação, quer do ponto de vista tecnológico quer das aplicações de gestão, do Linux empresarial ou do outsourcing, entre outros.


 


Como referiu o Aberdeen, “em 2003 o Armazenamento ganha respeito”, devido sobretudo ao início da mudança da arquitectura dos centros de dados (data centers), envolvendo ainda servidores e comunicações, que formam a tríade da infra-estrutura de hardware do centro de dados.


 


Mas como estes componentes são separáveis funcionalmente, o armazenamento deixou de ser uma função periférica e pôde finalmente ganhar “algum respeito” no seu novo papel em paridade.


 


Este “respeito”, “paridade” ou “autonomia/independência” explica-se por um conjunto variado de razões – desde logo a evolução tecnológica – mas sobretudo pelo aumento exponencial dos dados e da informação que circular no interior das organizações e entre organizações (cliente fornecedor, fabricante-cliente final).


 


Isto aconteceu e está a acontecer por razões fiscais e financeiras, por imposição das autoridades monetárias e dos sistemas de saúde, por exemplo, porque as empresas estão a fazer mais back-ups dessa informação ou ainda muito simples porque um dado/informação expandiu o seu suporte – desde o papel até ao digital, passando ou simplesmente porque hoje, para tomarmos uma decisão, utilizamos o triplo da informação que antes o utilizávamos.


 


A justificação talvez seja mais simples: as empresas e as organizações em geral estão cada vez mais consciente que o seu negócio está na informação, nos dados que estão na organização, pessoas e equipamentos e que, em consonância, importante guardá-los de uma forma segura.


 


Tudo isto radica na crescente globalização da actividade económica e o aumento da concorrência empresarial, num processo em que aparece associada a crescente massificação da Internet.


 


Mas a Internet não constitui o único factor que motivou a mudança da forma de olhar os dados, agora olhados como um dos activos principais das organizações. No entanto, a Internet veio acelerar todo este processo, porque alterou o modo como se recolhe os dados, gere, protege e distribui a informação.


 


A Internet veio aumentar substancialmente o volume de dados, todos os dias (no final de 1999 existiam 500 milhões de páginas Web, 147 milhões de utilizadores Internet e em 2003 espera-se 22 milhões de câmaras digitais, o e-mail explode continuamente…), está a permitir a expansão e a diversificação de diferentes tipos e formatos de dados, mas, em simultâneo, veio exigir 100% de disponibilidade e segurança.


 


Dados da School of Information Management and Systems da Universidade de Berkeley, referem que a nível mundial são produzidos anualmente (dados 1999) entre um e dois exabytes (1018 bytes) de informação, o que corresponde a 250 Mb de informação produzida por indivíduo por ano.


 


Segundo os autores do estudo, cerca de 65% da informação produzida anualmente é produzida no interior das próprias organizações empresariais a nível mundial, o que corresponde a mais de 1,3 milhões de terabytes (1012 bytes) por ano.


 


Para a IDC, “a contínua necessidade de diversos data warehouses empresariais, conteúdos ricos para atrair e reter clientes na Web, e o incremento das aplicações baseadas em transacções, torna necessário que se incremente a qualidade e a potência das capacidades de armazenamento duma empresa”.


 


O armazenamento passou assim a ser intensivo e passou-se a exigir tecnologias mais sofisticadas e com maior capacidade, mais flexíveis e de uma mais fácil e melhor gestão, além de escalabilidade, rápida entrega, aberta e, se possível, completa.


 


A consequência de tudo isto é que o armazenamento está hoje a autonomizar-se do sistema computacional da organização.


 


Estas não podem hoje continuar mais a olhar os dados e o seu armazenamento como se de um parente pobre se tratasse e, nessa medida, como se fossem uma componente menor do investimento global em TI, seja equipamento (hardware), software (gestão) e o próprio serviço.


 


O armazenamento, que fazia parte da infra-estrutura tradicional de TI, ganhou a assim a sua autonomia, com a Internet e com a mudança do paradigma do negócio e da gestão.


 


É neste contexto, a que podemos acrescentar a conjuntura económica recessiva e que privilegia a prova da redução de custos e do ROI (Return On Investment) como os dois principais factor na decisão do investimento em TI, que devemos enquadrar as tendências actuais deste mercado. E só existem duas certezas: incerteza e mudança.


 


Na opinião do Aberdeen Group, uma das principais tendências de longo prazo é a re-arquitectura do centro de dados para dar forma à utilidade da informação – do qual a capacidade de armazenamento é um sub-conjunto.


 


O (processamento) de servidores, as comunicações e o armazenamento – a tríade da infra-estrutura de hardware do centro de dados – estão funcionalmente a desagregar-se.


 


Reconectar esta tríade através de interfaces standard que permitem às três tecnologias estarem ligadas de forma interoperacional vai alterar as questões económicas dos centros de dados para melhor – mas apenas durante um período de anos.


 


Assim, a longo prazo, como parte da re-arquitectura dos centros de dados, a infra-estrutura do armazenamento será transformada.


 


Conseguir esta transformação vai implicar a automação do armazenamento para exploração em conjunto de recursos, aprovisionamento, e políticas de orientação da gestão.


 


As tendências actuais em relação à rede de armazenamento e gestão do ciclo de vida do armazenamento irão reflectir a dinâmica de mudança da infra-estrutura.


 


A curto prazo, apesar de muita atenção ser dada a esta dinâmica, os compradores de armazenamento irão em primeiro lugar dar atenção ao básico.


 


Durante o corrente ano e muito provavelmente nos próximos, assistiremos também a junção de recursos (virtualização), políticas de orientação da gestão, sistemas de ficheiros com imagem-única (isto é, globais) e automatização. Para este analista, “estão a ser feitos progressos em cada uma destas áreas e alguns fabricantes já mostraram ou vão ter capacidade de mostra o sucesso do produto nesta área.


 


O perigo é que alguns fabricantes vão aumentar o nível das capacidades que têm. E a palavra do dia, como o aprovisionamento, vai sofrer ou dos atrasos nas entregas do que os compradores querem ou falhando em dar razões convincentes para a adopção”.


 


Para o analista, a “virtualização” como uma buzzword já sofreu deste destino, mas irá repercutir-se como uma tecnologia básica (não como um fim em si mesmo, mas como um meio para chegar a um fim).


 


Os utilizadores não devem esperar que o aprovisionamento disponibilize grandes benefícios de imediato, mas irá dar longo prazo. “On-demand” e “auto-curativos” deverão ser alavancados no próximo ano. Mas o software por trás destas pretensões poderá estar imaturo.


 


As organizações de TI devem equilibrar a procura para melhorar a performance e disponibilidade do armazenamento em vez de limitar os custos.


 


A pesquisa do Aberdeen revela que 70% das organizações de TI apresentaram de um pequeno crescimento até um decréscimo no orçamento do armazenamento e de gestão de armazenamento em 2002, em comparação com 2001.


 


Apesar da utilização do armazenamento por parte das organizações de TI ter aumentado, a tendência de quebra do orçamento não deverá ser invertida brevemente.


 


Duas tendências estratégicas de armazenamento vão manter-se com o objectivo de ajudar os departamentos de TI a equilibrar ambas as procuras antes mencionadas: expansão da rede de armazenamento e a contínua separação da pirâmide do armazenamento em mais categorias.


 


Essa performance e hierarquia de custos não são apenas discos ou tapes com maior performance, mas também “discos” sólidos, discos Advanced Technology Attachment (ATA) eficientes do ponto de vista dos custos entre outros.


 


As tendências actuais das redes de armazenamento vão incluir inteligência de redes de armazenamento, redes de armazenamento baseadas em IP, convergências NAS-SAN e sistemas de ficheiros com imagem-única.


 


As tendências actuais da pirâmide do armazenamento focam-se na gestão do ciclo de vida dos conteúdos (em que o conteúdo significa toda a informação utilizável) para determinar onde é que nos conteúdos da pirâmide do armazenamento e em cada fase do ciclo de vida deve estar.


 


A gestão do ciclo de vida dos conteúdos é construído em terno de conceitos de temperatura dos dados (de quente a frio, com os compromissos a serem valor/custo versus a necessidade de um acesso reactivo).


 


Orçamentos apertados vão continuar a forçar os compradores de TI a ter mais consciência dos custos do que gostariam. As listas de compras básicas dos compradores de TI vão continuar a incluir disk array, tape automation e software de backup e de recuperação básicos.


 


A partir deste grupo, os arrays modulares e baseados em ATA irão atrair mais atenções e a guerra dos formatos das tapes vai continuar feroz.


 


Os compradores a expandir redes de armazenamento para consolidar e melhorar os processos de backup e recuperação vão focar-se mais na segurança, gestão de recursos de armazenamento e software de replicação para continuidade do negócio e gestão de conteúdos.


 


No geral, 2003 será um bom ano para a indústria de armazenamento e um ano atarefado para os administradores de Tecnologias de Informação.


 




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