ROI a “nova” palavra mágica

A recessão económica trouxe o ROI de regresso ao topo das preocupações e das prioridades quando se trata de um decisão de investimento em TI.

Um conjunto de singulares e infelizes coincidências – recessão económica mais ou menos generalizada, instabilidade política internacional, crash bolsista, ausência de motivos obrigatórios para investimentos indispensável em TI (“bug” do Ano 2000 e Euro), entre outras razões –  fez regressar ao topo das prioridades das organizações, designadamente, dos departamentos de Tecnologias de Informação/ Sistemas de Informação, uma das preocupações permanentes dos decisores responsáveis pelos investimentos em TI, mas que na década do “El Dorado”, sobretudo na segunda metade da década de 90, tinha sido um pouco “esquecida” tamanho era o crescimento económico e dos resultados das organizações: o ROI (Retorno do Investimento), talvez a métrica mais conhecida de análise de investimentos em TI – conjuntamente com o TCO (Total Cost Ownership) –.


 


No ROI concentram-se as actuais preocupações/prioridades das organizações e dos respectivos CIO: em primeiro lugar, reduzir/poupar nos custos, em segundo lugar, reduzir/poupar nos custos, e em terceiro lugar, reduzir/poupar nos custos.


 


Em quarto, finalmente, vem a necessidade de melhorar ou tornar mais eficientes os processos de negócio/aumentar a produtividade.


 


Só em quinto lugar, surge-se o investimento em TI motivado, como primeira razão, para fazer crescer o negócio. Mas o ideal mesmo, em tempos de crise, é fazer a quadratura do círculo: conseguir o pleno das prioridades.


 


Por tudo isto, mas não só, o ROI em TI transformou-se hoje da “palavra mágica” da indústria e das organizações. Hoje, mais do que nunca, os fabricantes de TI são obrigados a demonstrar o ROI da sua oferta de soluções.


 


Pelo seu lado, os utilizadores exigem a explicação e a demonstração do ROI ao milímetro e, mesmo assim, nada garante que o investimento vai ser realizado e que o negócio está ganho.


 


O ROI é apenas uma condição para “bater” a concorrência, mas muitas vezes não chega para assegurar a rubrica final e menos ainda para comprometer a melhor fórmula de pagamento.


 


À partida, a análise e avaliação do ROI devia ser uma condição indispensável em cada investimento. Durante os anos dourados ficou para segundo plano, mas o que hoje estamos a assistir é uma perigosa viragem de 180 graus da forma como é olhado, uma situação que também não deixa de ser preocupante a médio mas também a curto prazo. Por um lado, e face à situação difícil do mercado, entre fabricantes a palavra de ordem é sobreviverem.


 


Junto dos clientes é a “lei do mais forte” quem impera mas todos os argumentos e truques podem ser utilizadores para ganhar o negócio e é difícil medir o que é concorrência e o que é ferocidade ou puro instinto de sobrevivência.


 


Do lado dos clientes/utilizadores, estes estão a aproveitar a crise e situação precária de muitos dos fornecedores de TI para atrasarem decisões, adiarem investimentos mas, sobretudo, procurarem impor condições perfeitamente leoninas, com esmagamento de margens e de preços, que levam ao desespero muitos fabricantes.


 


Além de solicitarem preços no limite da irrazoabilidade, pondo em perigo a continuidade do negócio dos fabricantes, colocam a prazo em causa a necessária inovação e, no curto prazo, podem estar a comprometer a qualidade da solução e do serviço associado.


 


Resumindo, a avaliação dos investimentos em TI deveria ser sempre baseada no seu ROI – mas não apenas no ROI porque não é completo – mas não como método para “empobrecer” a capacidade de inovação da organização.


 


Assim, as análises de ROI das TI deveriam estar centradas não na redução dos gastos, mas sim na criação de receitas ou, como afirmava o economista Augusto Mateus, na sua intervenção durante o IDC Fórum 2003, a grande questão que se coloca hoje às empresas é “em que medida é que o investimento em TI vai facilitar o verdadeiro investimento da empresa (…).


 


A questão não é como é que pago os investimentos em TIC, a verdadeira questão é como é que rentabilizo esse investimento”, sublinhou, acrescentando que “poupar significa contribuir para a crise. As empresas que investirem bem nestas circunstâncias (que vão contra a corrente) têm mais a ganhar”.


 


Mas o debate em torno do ROI não se esgota na conjuntura da crise económica. Um outro factor merece ser ponderado nesta hora: o lugar das TI nas organizações e as próprias vulnerabilidades dos utilizadores, e que foi colocado por Eduardo Branco também durante o IDC Fórum 2003.


 


Começando por lembrar que hoje as TI estão  completamente integradas nos processos da cadeia de valor das organizações, o CEO da PT-SI afirmava que “as empresas encontram-se perante uma dinâmica organizacional sem paralelo, a nível de flexibilidade na abordagem dos negócios e de alterações na organização da própria empresa, levando a uma exigência enorme de SI/TI, normalmente preparadas para ambientes organizacionais e de produção mais estáveis”.


 


De acordo com o CEO, “neste cenário é difícil, à gestão de topo, sentir-se confortável na tomada de decisões sobre investimentos em SI/TI”. É que, dizia implicitamente este responsável, ainda que o decisor tenha o conhecimento e saiba o valor que o investimento em TI aporta ao seu negócio, o facto do sector ter ultimamente passado por várias “modas” ou “tendências” resulta, mais tarde, “na existência de uma complexa teia de sistemas”.


 


Ou seja, a decisão sobre um investimento em TI não está ainda inteiramente na decisão do utilizador final. Talvez o que o ROI e outras métricas de avaliação de investimento em TI possam contribuir é para criar uma certa normalidade num negócio que é importante, mas que é terreno e, portanto, é m negócio como os outros, um investimento como os outros.


 




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