“Queremos continuar a crescer acima da corporação”

O novo responsável da EMC Portugal assegura a continuidade da estratégia e dos objectivos da companhia

Jorge Reto é desde o início de Setembro o novo Director Geral da EMC Portugal, sucedendo a Carlos Cruz, que liderou a subsidiária portuguesa durante os últimos dois anos e meio.


 


Jorge Reto está na empresa desde a sua entrada no mercado português, em Janeiro de 2001, tendo exercido até agora as funções de Director de Mercado, com responsabilidade de gestão de vários clientes dos sector das telecomunicações, banca, seguros e indústria.


 


Com uma Pós-Graduação em Gestão pela Universidade Católica, Jorge Reto iniciou a sua carreira profissional na Comnexo, e passou posteriormente pela Global Onev e Informix como Account Manager.


 


Antes de entrar na EMC, desempenhou o cargo de Business Developer Manager na Microsoft Portugal.


 


Jorge Reto vai liderar uma equipa com cerca de 17 pessoas (20 até final do ano) – o dobro do grupo inicial – e um negócio que no final deste ano deverá valer 14 a 15 milhões de dólares (9,5 milhões de dólares em 2003 e 5 milhões em 2001 e 2002).


 


Computerworld


A primeira pergunta tem a ver com a saída de Carlos Cruz. É possível adiantar-nos alguma explicação sobre a sua saída?


 


Jorge Reto


A saída do Carlos foi uma decisão pessoal e nós respeitamos essa decisão. Mas importa dizer que o Carlos fez um bom trabalho, os resultados estão à vista com um crescimento assinalável, desenvolveu uma nova política que se vai manter na totalidade.


 


Nós esperamos continuar nesse caminho. Até ao final do ano esperamos atingir os objectivos que nos foram propostos, termos um bom 2004 e ainda melhores expectativas para 2005.


 


Computerworld


Do seu ponto de vista, numa fase inicial acha que a EMC pode perder algo com a saída de Carlos Cruz?


 


Jorge Reto


Para mim, pessoalmente, é uma pena, porque ele é uma pessoa extremamente agradável e diplomata.


 


Numa perspectiva de mercado e de clientes e parceiros, tenho tido algumas indicações de alguns parceiros que ficaram também com pena, pelos mesmos motivos, mas nenhum deles teve uma dúvida de que isso poderia abalar a empresa.


 


Estão confiantes na pessoa que ficou, porque também já me conhecem. Como não vai haver nenhuma alteração específica, a mudança não é assim tão brusca.


 


Computerworld


A que atribui a sua escolha para director-geral?


 


Jorge Reto


Estou na EMC desde o início, Janeiro de 2001. Já passei por diversas áreas dentro da empresa (comercial e de vendas) e conheço os clientes.


 


Conheço também bem a organização, interna e a internacional, e praticamente todas as pessoas que cá trabalham. Por outro lado, tenho tido sempre bons resultados na minha área.


 


Para assumir o cargo, exigiu alguma condição?
Não exigi nada de mais em relação ao que já estava combinado com o Carlos. Portanto nesse aspecto ficou quase tudo na mesma.


 


As condições que o Carlos tinha são as mesmas que eu tenho. Por outro lado, continuo a reportar ao José Luís Solla, em Espanha, que coordena toda a operação ibérica.


 


Computerworld


Como é que o mercado está a receber a mudança?


 


Jorge Reto


O primeiro feedback e os primeiros a saber desta alteração foram os nossos parceiros (cerca de uma dúzia de revendedores, mas os OEM e integradores, nacionais e internacionais).


 


Todos eles demonstraram um voto de confiança e um voto de satisfação, tanto pessoalmente como através de cartas escritas e e-mail de contentamento por ter sido eu o nomeado, e não ter havido um interregno e de dúvida em relação a quem ficava à frente da EMC.


 


Aliás, quero deixar claro que temos uma rede de parceiros que está bem desenvolvida, estamos a trabalhar muito bem com eles, e no futuro pretendemos estreitar laços e optimizar algumas coisas que se podem optimizar.


 


Em relação aos clientes (cerca de três dezenas de grandes clientes identificados, entre as Telecomunicações, Banca, Governo, Indústria, num total de duas a três centenas), já fizemos um comunicado a explicar estas alterações e o feedback tem sido positivo.


 


Todos os que eram meus clientes já me conhecem há muito tempo, e a esses estão perfeitamente tranquilos. Os que por algum motivo não me conheciam, e não são assim tantos, já tivemos oportunidades de falar e penso que estão tranquilos.


 


Computerworld


O que é que lhe pediram para fazer, para além de continuar a crescer?


 


Jorge Reto


Não me pediram nada de especial, não houve nenhum objectivo que me tivesse sido pedido.


 


Volto a dizer que esta é uma questão um pouco de continuidade, e portanto o que foi discutido na altura, foi para continuar até ao final do ano da mesma forma que tínhamos planeado. E para ser eu próprio.


 


Mas é óbvio que tenho algumas preocupações inerentes a estas funções, tenho de ter a preocupação da gestão do tempo, preocupação em atingir os objectivos da empresa, sobretudo o volume de negócio, e a preocupação da gestão dos recursos humanos.


 


Computerworld


Vai mudar alguma coisa?


 


Jorge Reto


O plano que tínhamos vai ser executado da mesma forma.


 


Os resultados estão a ser atingidos, estamos no bom caminho, e não há necessidade de alterar neste momento o que quer que seja sem esperar pelo menos pelo final do ano.


 


Para dar seguimento ao crescimento vão entrar mais três pessoas até ao final do ano, como está previsto.


 


Portanto, até final do ano só temos de continuar a fazer o trabalho como tem sido feito até agora. Neste momento estamos a preparar o orçamento e a definir os objectivos para 2005.


 


Computerworld


A EMC trabalha sobretudo as grandes empresas. Já está coberto o mercado das 50 ou 100 maiores?…


 


Jorge Reto


Não… ainda podem ser trabalhados alguns aspectos, temos já contactos desenvolvidos e projectos “on going” com as cinquenta maiores empresas.


 


Por outro lado, há um mercado que estará claramente de ascensão em 2005: a Administração Pública.


 


Para nós é ainda um mercado emergente e aí há ainda muito trabalho a fazer. Por outro lado, para 2005 também vamos fazer algum enfoque nos sectores do retail, utilities e saúde.


 


Computerworld


Em síntese, o que vai mudar, a partir de 2005?


 


Jorge Reto


Como afirmei, estamos a fazer o planeamento para 2005, que estará pronto no final de Setembro.


 


A EMC é uma empresa dinâmica, faz 25 anos este ano, e desde o início já se reinventou três vezes. E desde 2001 passámos pelo momento da crise e acho que fomos a primeira empresa de TI a sair da zona vermelha.


 


No último trimestre tivemos um crescimento de 33%. Neste momento, o foco estratégico é o ILM (Information Lifecycle Management), que é só por si bastante dinâmica.


 


Como é lógico, mesmo que a empresa se mantivesse com o Carlos, calculo que a estratégia do próximo ano não seria igual à deste ano, havia sempre coisas a alterar.


 


Mas no que é fundamental, há algumas coisas que se vão manter e que não vão sofrer grandes alterações, como seja o reforço da confiança com os nossos parceiros e clientes.


 


Para 2005, um dos objectivos é reforçar o contacto com os nossos clientes, e queremos estreitar cada vez mais os laços com os nossos parceiros, optimizando a forma de trabalhar, que é muito importante para podermos libertar a nossa estrutura interna.


 


A estrutura interna vai continuar a crescer na medida do possível e conforme tem evoluído nos últimos anos.


 


Computerworld


O negócio vai continuar a basear-se em parceiros. Vão haver mais parceiros?


 


Jorge Reto


Quase todas as organizações de IT importantes no país, estão a trabalhar connosco.


 


O que vamos fazer é optimizar os processos da forma como trabalhamos com eles, para eles serem também mais autónomos e estarmos também mais libertos em termos internos, para contactar mais com os clientes e desenvolver outras actividades.


 


O departamento onde se tem notado maior crescimento é o departamento de soluções e tecnologias, que irá eventualmente continuar a crescer para o próximo ano.


 


Vamos continuar a crescer e a adaptarmos às iniciativas internacionais da organização.


 


Por outro lado, vamos procurar potenciar o negócio da Documentum e da Legato, que são muito importantes para completar a nossa estratégia.


 


Aliás, parte do crescimento que queremos atingir nos próximos anos virá da Legato e da Documentum.


 


Vamos continuar a trabalhar com os parceiros que já desenvolviam negócio em Portugal e procurar alargar aos nossos outros parceiros.


 


No caso da Legato em 2006 devemos ter um grande crescimento. O objectivo para este ano é de 50% para hardware, 30% de software e 20% para serviços.


 


Computerworld


Acha que este crescimento da EMC acelerado vai manter-se até quando?


 


Jorge Reto


Tenho esperanças e acredito que vamos continuar assim nos próximos três a quatro anos.


 


Temos crescido 40% a 50%, acima da corporação que tem como objectivo crescer 25 a 30% anualmente.


 


Se vamos manter este ritmo nos próximos anos a nível local? Se calhar este tipo de crescimento não, mas gostaríamos de continuar a crescer  acima da corporação.


 




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