A comunidade de investigação sempre teve um papel muito importante no desenvolvimento da Internet, a plataforma de comunicações que permitiu a revolução da Sociedade da Informação. Com efeito foi em diversas universidades americanas que se fizeram as principais descobertas que conduziram à actual rede Internet. E foi num laboratório de investigação europeu, o CERN, que Tim Berners-Lee inventou a World Wide Web.
As redes de investigação e ensino mundiais iniciaram, há vários anos, investimentos para poderem construir as suas redes com base em fibra óptica. Com efeito desde o início da década de 90 que começou a sedimentar a convicção que a fibra óptica ia ser a base das redes do futuro. A fibra óptica é o veículo que vai suportar as altíssimas larguras de bandas que serão necessárias para as novas aplicações exigidas pelos investigadores, à escala planetária. Com a tecnologia DWDM é possível multiplexar numa fibra óptica mais de 100 comprimentos de onda (vulgo, lambdas). E em cada lambda, com tecnologias muito baratas e vulgares, consegue-se uma taxa de transmissão de 10Gbps (40Gbps e 100Gbps já são possíveis com tecnologias menos maduras e muito dispendiosas e este valor deverá aumentar nos próximos anos). Assim um simples par de fibras ópticas, uma para envio num sentido e outra para o sentido inverso, permite uma capacidade de transmissão fantástica. É por isto que é fundamental investir em fibra óptica, para podermos construir as bases tecnológicas da sociedade da informação do futuro. E avançar para a comutação óptica que poderá ser a nova revolução nas tecnologias de uso da fibra óptica. Neste contexto as redes de investigação e de ensino também foram pioneiras. Muitos exemplos podiam ser dados do que se tem feito a nível internacional. Mas passando para o nosso contexto, a FCCN, entidade que planeia e gere a rede de investigação e ensino nacional RCTS (Rede Ciência Tecnologia e Sociedade), começou logo no ano 2000 a tentar ter acesso a fibra óptica para poder construir a rede avançada que a nossa comunidade de investigação e ensino precisava. O processo foi muito complexo pois não existia, e podemos dizer que ainda não existe, mercado de fibra óptica escura em Portugal, o que levou a FCCN a ter de investir na construção da sua própria rede. Neste momento a infra-estrutura de fibra óptica da FCCN já dá ligação à Internet a cerca de 70% da comunidade de investigação e ensino superior nacional, que beneficia de uma rede Internet de muito alta velocidade. É este o caminho do futuro. A FCCN já dispõe de fibra óptica que chega a 6 capitais de distrito e este número passará em breve para 9, aumentando ainda mais a capacidade de levar banda muito larga às nossas universidades e institutos politécnicos. Foi este o rumo proposto pela FCCN ao Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior e à UMIC, que foi aceite e que moldará a evolução da RCTS por muitos anos. As potencialidades da fibra óptica são inúmeras e é com agrado que vemos entrar na agenda das comunicações nacionais a discussão à volta das redes de nova geração e da fibra óptica, se bem que com um atraso significativo em relação ao desejável. Mas há aspectos cruciais relativos à fibra óptica, como meio de excelência para potenciar um novo patamar da sociedade da informação, que há que tomar em consideração. É o problema da capilaridade da rede ao longo do país e de como chegar ao utilizador final, na sua residência. A fibra óptica é barata. Mas levar a fibra óptica a todos e fazê-lo de um modo neutro, potenciador do desenvolvimento e da competição entre os mais criativos e inovadores, obriga a múltiplos cuidados. Os investimentos em condutas que possam ser usados por todos, em infra-estruturas nos edifícios neutras em relação ao operador que fornece os serviços, aconselha a cuidados reforçados ou há o perigo de matarmos todas as potencialidades deste novo meio por muitos anos. Sigamos o exemplo de Estocolmo, onde a empresa STOKAB (www.stokab.se) começou há muitos anos a estender milhares de quilómetros de cabo, minimizando os incómodos de abertura de valas na zona de Estocolmo e disponibilizando fibra escura, a todos, a custos muito moderados, o que veio abrir as portas a uma sociedade da informação muito dinâmica, competitiva e potenciadora da inovação. Nesta área não é preciso inventar algo de novo. Basta que copiemos os exemplos de sucesso de outros. Pedro Veiga Presidente da Fundação para a Computação Cientifica e Nacional (FCCN) |