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O abrandamento da actividade económica a nível mundial e o consequente efeito nas condições económicas no território nacional teve um impacto profundo nos últimos anos na despesa nacional com tecnologias de informação e comunicações.
Os dados compilados pela equipa da CXO Media (ver metodologia) permitem-nos reconstituir a despesa com tecnologias de informação e comunicações (TIC) no território nacional desde 1995. Assim, e na óptica da despesa, enquanto que, em 1995, a despesa total com estas tecnologias deveria ser ligeiramente inferior a 3,6 mil milhões de euros, em 2006, a despesa com estas tecnologias ascendeu a 6,3 mil milhões de euros, o que corresponde a uma taxa de crescimento anual médio de 5,3%. No entanto, e conforme já constatámos na análise da evolução do sector TIC no território nacional (ver TIC reforçam importância na economia nacional), o ritmo de crescimento da despesa não foi uniforme no decorrer deste período. Assim, e de acordo com os dados compilados pela equipa da CXO Media, enquanto que, entre 1995 e 2000, o ritmo de crescimento anual médio foi de 12,3%, no período subsequente o crescimento foi de apenas 0,1%.
Ver mais:TIC reforçaram importância na economia nacional Portugal aproxima-se da média europeia Crescimento da SI abranda em Portugal Opinião: Sociedade de Informação 2.0 - Oportunidade para Portugal A Sociedade de Informação em Portugal Investir em Fibra Óptica O Estertor da Economia Industrial Cibercompetências para o Século XXI Contribuição positiva para o crescimento da economia
A contribuição das TIC para o crescimento da economia nacional é outro dos aspectos a ter em consideração na análise do impacto destas tecnologias no território nacional. Assim, e de acordo com os dados compilados pela CXO Media, a contribuição destas tecnologias para o crescimento da economia nacional manteve-se contante no decorrer do período analisado pela CXO Media (ver gráfico). Com efeito, e apesar de um ligeiro pico em 1998 (1,1%) e da contribuição negativa entre 2002 e 2004, a contribuição destas tecnologias para o crescimento da economia nacional manteve-se constante ao longo do período em análise (0,3%). Tal significa que por cada ponto percentual de crescimento da economia nacional, 0,3 pontos percentuais estão relacionados com estas tecnologias, o que evidencia a importância destas tecnologias para o crescimento da economia nacional. Por outro lado, o peso do investimento nestas tecnologias no investimento global realizado no território nacional manteve-se estável no decorrer do período em análise. Com efeito, enquanto que, em 1996, o peso deste investimento na Formação Bruta de Capital Fixo no território nacional ascendia a 20,6%, no final do período em análise pela CXO Media, o peso destas tecnologias no investimento total no território nacional era de 19,3%.
Sector financeiro com crescimento negativo
À semelhança do que acontece na generalidade das economias mais avançadas, os grandes grupos económicos, as empresas financeiras e os organismos da Administração Pública são os sectores com maior peso na despesa com tecnologias de informação e comunicações no território nacional. Estas são algumas das conclusões que se podem retirar de estudos realizados pela CXO Media, que, anualmente, procede à identificação da despesa com estas tecnologias no sector financeiro, na Administração Pública e grandes grupos económicos. No decorrer do período analisado, o ritmo de crescimento da despesa das instituições financeiras com TIC foi inferior ao do crescimento da despesa global com estas tecnologias. Assim, enquanto que, como vimos, a despesa com tecnologias de informação e comunicações registou um crescimento anual médio de 5,3% entre 2000 e 2005, a despesa da banca com estas tecnologias registou um crescimento anual médio negativo no decorrer deste período. Com efeito, e de acordo com os dados compilados pela CXO Media, em 1995, as instituições financeiras dispenderam 847 milhões de euros com estas tecnologias, enquanto que, em 20006, a despesa destas empresas não ultrapassou 661 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento negativo de -2,2%. Neste contexto, e no decorrer do período em análise, o peso da despesa com TIC nas instituições financeiras diminuiu consideravelemte. Com efeito, enquanto que no início do período em análise, a despesa com estas tecnologias representava 0,6% do activo líquido das instituições financeiras, em 2006, este valor era de somente 0,2%. Situação idêntica pode ser observada na despesa per capita com TIC e na despesa por balcão. Assim, enquanto que, em 1995, a despesa per capita com TIC era de 14 mil euros por empregado, no final do período em análise, este valor passou a ser de 12 mil euros. Por outro lado, as instituições financeiras a actuar no território nacional dispendiam mais de 227 mil euros com estas tecnologias por balcão em 1996, enquanto que, em 2006, este valor era ligeiramente inferior a 117 mil euros. A consolidação do mercado financeiro no território nacional, em particular com a criação de bancos de grandes dimensões, e a conclusão do processo de bancarização do território nacional são alguns dos factores factores subjacentes a esta realidade. Contudo, e apesar da diminuição do investimento, as instituições financeiras foram responsáveis por investimentos ligeiramente inferiores a 2,6 mil milhões de euros no decorrer do período em análise. MilleniumBCP, Banco Espírito Santo e Caixa Geral de Depósitos lideraram o investimento dos grupos financeiros nestas tecnologias no decorrer do período analisado, tendo sido responsáveis por investimentos de 772 milhões de euros, 510 milhões de euros e de 423 milhões de euros, respectivamente (ver ranking dos maiores bancos). Conclusão da adaptação dos sistemas aplicacionais à passagem do milénio e à adopção do euro, consolidação das infra-estruturas operacionais, reorganização dos sistemas de informação e das infra-estruturas tecnológicas subjacentes decorrente dos processos de fusão e aquisição ocorridos no território nacional, implementação de novas funcionalidades nos sistemas de informação de gestão de suporte ao conhecimento do cliente, de cross selling e de melhoria da informação de negócio, webização de alguns dos processos de negócio, criação de canais complementares de comercialização de produtos e serviços (self-banking, banca telefónica, internet banking) e reforço da segurança dos sistemas de informação são alguns dos projectos que os principais grupos financeiros tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos e que contribuíram para os montantes investidos em tecnologias de informação e comunicações no decorrer do período em análise pela equipa da CXO Media. | Bancos | 2006 | | CGD | 141.205 | | Totta | 45.749
| | BES | 40.559
| | BCP | 31.576 | | CCAM | 30.627 | | Montepio | 16.493 | | Banif | 11.060 | | BPI | 4.033 | | Finibanco | 3.848 | | BNC | 3.594 | | BPN | 3.470 | | BdP | 2.999 | | Itaú | 2.573 | | BBVA | 1.382 | | Cetelem | 485 | | Finantia | 357 |
Valores em milhares de euros
Investimento dos grandes grupos manteve-se constante
Ainda de acordo com os dados compilados pela CXO Media, a despesa com TIC nos grandes grupos económicos registou um comportamento positivo (1,8%). Enquanto que, em 1995, a despesa dos grandes grupos económicos deveria rondar os 240 milhões de euros, no final do período em análise, a despesa destas empresas deveria ultrapassar 278 milhões de euros. Apesar de não possuirmos dados completos desde 1996, o peso da despesa com estas tecnologias nas vendas dos grandes grupos económicos terá declinado no decorrer deste peíodo. Com efeito, em 2000, o peso da despesa destas empresas nas vendas anuais era de 0,8%, enquanto que, em 2006, este valor era de 0,5%. No entanto, o investimento destas empresas entre 1996 e 2005 ultrapassou 3,8 mil milhões de euros. Os grupos Portugal Telecom, Jerónimo Martins e Sonae lideraram os investimentos dos principais grupos económicos neste período tendo sido responsáveis por investimentos que ultrapassaram 620 milhões de euros, 200 milhões de euros e 189 milhões de euros, respectivamente, no decorrer do período analisado. À semelhança do sucedido nas empresas financeiras, a maioria do investimento nestas empresas terá sido consagrado à conclusão da adaptação dos sistemas aplicacionais à passagem do milénio e à adopção do euro e à consolidação das infra-estruturas operacionais, reorganização dos sistemas de informação e das infra-estruturas tecnológicas subjacentes decorrente dos processos de fusão e aquisição ocorridos no território nacional. | Grupos | 2006 | Portugal Telecom
| 82.916
| Jerónimo Martins
| 72.016
| | Sonae | 23.187
| | EDP | 13.503
| | Semapa | 10.940
| | Unicer | 6.155
| Galp Energia
| 5.689
| Correios de Portugal
| 5.572
| Portucel
| 4.582
| Brisa
| 4.244
| ANA
| 3.892
| Teixeira Duarte
| 2.940
| Siemens
| 2.697
| Cimpor
| 1.802
| Auto-Industrial
| 1.540
| BP
| 1.458
| REN
| 1.402
| Ibersol
| 1.229
| Media Capital
| 1.191
| Secil
| 1.146
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Valores em milhares de euros Despesa da Administração Pública e das famílias cresce
Contrariamente ao que sucedeu com despesa da banca e dos grandes grupos económicos, a despesa dos organismos da Administração Pública com estas tecnologias deverá ter registado um crescimento anual médio positivo no período que cecorreu entre 2000 e 2005. Assim, e de acordo com os dados compilados pela equipa da CXO Media, enquanto que em 1995, a despesa dos organismos da Administração Pública com estas tecnologias tinha sido de 189 milhões de euros, em 2006, o investimento destes organismos ascendeu a 431 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento anual médio de 7,8%. E este crescimento foi sustentado no decorrer do período em análise. Com efeito, enquanto que, entre 1995 e 2000, o ritmo de crescimento da despesa terá sido de 8,9%, no período subsequente terá sido de 9%. No decorrer deste período, os organismos da Administração Pública foram responsáveis por investimentos superiores 4,5 mil milhões de euros. Os organismos dos Encargos Gerais do Estado, do Ministério da Ciência e Tecnologia, do Ministério da Justiça e do Mistério das Finanças lideraram a despesa com tecnologias de informação e comunicações na Administração Pública. A modernização do sistema judiciário e do sistema fiscal são alguns dos projectos subjacentes aos montantes investidos pelos organismos destes ministérios. Por outro lado, a entrada em funcionamento do Programa Operacional da Sociedade de Informação (POSI), estrututrado em sete eixos de actuação, veio permitir um crescimento substancial da despesa com estas tecnologias no território nacional, e em particular nos organismos da Administração Pública. A despesa das famílias com estas tecnologias aumentou significativamente no decorrer do período em análise. Com efeito, e de acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, a despesa das famílias no território nacional que, no início do período em análise, era de 1,7 mil milhões de euros, em 2006, ultrapassava 4,1 mil milhões de euros, o que corresponde a um ritmo de crescimento anual médio de 8,2%. No entanto, e à semelhança dos reastantes sectores analisadoso ritmo de crescimento foi diferenciado. Assim, enquanto que, no período entre 1995 e 2000, a despesa das famílias cresceu a um ritmo anual médio de 12%, no período subsequente, este crescimento foi mais lento (5,3%). Metodologia Apurar a despesa anual com tecnologias de informação e comunicações não é um processo tranquilo. Para tal, podemos socorrermo-nos de duas metodologias disponíveis: na óptica da oferta ou na óptica da despesa. Neste trabalho, e em virtude dos indicadores disponíveis, optámos por privilegiar a óptica da despesa. Assim, o cálculo do valor da despesa com estas tecnologias no território nacional envolve o somatório da despesa dos organismos da Administração Pública, da despesa das famílias, do investimento dos principais actores – instituições financeiras e grandes grupos – e das importações destes produtos e serviços. Ao resultado encontrado deverá ser retirado o valor das exportasções realizadas. Deste modo, acreditamos que chegamos a um valor próximo do que será o valor da despesa com TIC no território nacional. |