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16-09-2008 16:30:01
O abrandamento da actividade económica a nível mundial e o consequente efeito  nas condições económicas no território nacional teve um impacto profundo nos últimos anos na despesa nacional com tecnologias de informação e comunicações.

ImageOs dados compilados pela equipa da CXO Media (ver metodologia) permitem-nos reconstituir a despesa com tecnologias de informação e comunicações (TIC) no território nacional desde 1995. Assim, e na óptica da despesa, enquanto que, em 1995, a despesa total com estas tecnologias deveria ser ligeiramente inferior a 3,6 mil milhões de euros, em 2006, a despesa com estas tecnologias ascendeu a 6,3 mil milhões de euros, o que corresponde a uma taxa de crescimento anual médio de 5,3%. No entanto, e conforme já constatámos na análise da evolução do sector TIC no território nacional (ver TIC reforçam importância na economia nacional), o ritmo de crescimento da despesa não foi uniforme no decorrer deste período. Assim, e de acordo com os dados compilados pela equipa da CXO Media, enquanto que, entre 1995 e 2000, o ritmo de crescimento anual médio foi de 12,3%, no período subsequente o crescimento foi de apenas 0,1%.

 


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Contribuição positiva para o crescimento da economia
Image A contribuição das TIC para o crescimento da economia nacional é outro dos aspectos a ter em consideração na análise do impacto destas tecnologias no território nacional. Assim, e de acordo com os dados compilados pela CXO Media, a contribuição destas tecnologias para o crescimento da economia nacional manteve-se contante no decorrer do período analisado pela CXO Media (ver gráfico). Com efeito, e apesar de um ligeiro pico em 1998 (1,1%) e da contribuição negativa entre 2002 e 2004, a contribuição destas tecnologias para o crescimento da economia nacional manteve-se constante ao longo do período em análise (0,3%). Tal significa que por cada ponto percentual de crescimento da economia nacional, 0,3 pontos percentuais estão relacionados com estas tecnologias, o que evidencia a importância destas tecnologias para o crescimento da economia nacional.
Por outro lado, o peso do investimento nestas tecnologias no investimento global realizado no território nacional manteve-se estável no decorrer do período em análise. Com efeito, enquanto que, em 1996, o peso deste investimento na Formação Bruta de Capital Fixo no território nacional ascendia a 20,6%, no final do período em análise pela CXO Media, o peso destas tecnologias no investimento total no território nacional era de 19,3%.

Sector financeiro com crescimento negativo
Image À semelhança do que acontece na generalidade das economias mais avançadas, os grandes grupos económicos, as empresas financeiras e os organismos da Administração Pública são os sectores com maior peso na despesa com tecnologias de informação e comunicações no território nacional. Estas são algumas das conclusões que se podem retirar de estudos realizados pela CXO Media, que, anualmente, procede à identificação da despesa com estas tecnologias no sector financeiro, na Administração Pública e grandes grupos económicos.
No decorrer do período analisado, o ritmo de crescimento da despesa das instituições financeiras com TIC foi inferior ao do crescimento da despesa global com estas tecnologias. Assim, enquanto que, como vimos, a despesa com tecnologias de informação e comunicações registou um crescimento anual médio de 5,3% entre 2000 e 2005, a despesa da banca com estas tecnologias registou um crescimento anual médio negativo no decorrer deste período. Com efeito, e de acordo com os dados compilados pela CXO Media, em 1995, as instituições financeiras dispenderam 847 milhões de euros com estas tecnologias, enquanto que, em 20006, a despesa destas empresas não ultrapassou 661 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento negativo de -2,2%.
Neste contexto, e no decorrer do período em análise, o peso da despesa com TIC nas instituições financeiras diminuiu consideravelemte. Com efeito, enquanto que no início do período em análise, a despesa com estas tecnologias representava 0,6% do activo líquido das instituições financeiras, em 2006, este valor era de somente 0,2%. Situação idêntica pode ser observada na despesa per capita com TIC e na despesa por balcão. Assim, enquanto que, em 1995, a despesa per capita com TIC era de 14 mil euros por empregado, no final do período em análise, este valor passou a ser de 12 mil euros. Por outro lado, as instituições financeiras a actuar no território nacional dispendiam mais de 227 mil euros com estas tecnologias por balcão em 1996, enquanto que, em 2006, este valor era ligeiramente inferior a 117 mil euros.  
A consolidação do mercado financeiro no território nacional, em particular com a criação de bancos de grandes dimensões, e a conclusão do processo de bancarização do território nacional são alguns dos factores factores subjacentes a esta realidade.
Contudo, e apesar da diminuição do investimento, as instituições financeiras foram responsáveis por investimentos ligeiramente inferiores a 2,6 mil milhões de euros no decorrer do período em análise. MilleniumBCP, Banco Espírito Santo e Caixa Geral de Depósitos lideraram o investimento dos grupos financeiros nestas tecnologias no decorrer do período analisado, tendo sido responsáveis por investimentos de 772 milhões de euros, 510 milhões de euros e de 423 milhões de euros, respectivamente (ver ranking dos maiores bancos). Conclusão da adaptação dos sistemas aplicacionais à passagem do milénio e à adopção do euro, consolidação das infra-estruturas operacionais, reorganização dos sistemas de informação e das infra-estruturas tecnológicas subjacentes decorrente dos processos de fusão e aquisição ocorridos no território nacional, implementação de novas funcionalidades nos sistemas de informação de gestão de suporte ao conhecimento do cliente, de cross selling e de melhoria da informação de negócio, webização de alguns dos processos de negócio, criação de canais complementares de comercialização de produtos e serviços (self-banking, banca telefónica, internet banking) e reforço da segurança dos sistemas de informação são alguns dos projectos que os principais grupos financeiros tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos e que contribuíram para os montantes investidos em tecnologias de informação e comunicações no decorrer do período em análise pela equipa da CXO Media.

 

 Bancos2006 
 CGD 141.205
 Totta 45.749
 BES 40.559
 BCP 31.576
 CCAM 30.627
 Montepio 16.493
 Banif 11.060
 BPI 4.033
 Finibanco 3.848
 BNC 3.594
 BPN 3.470
 BdP 2.999
 Itaú 2.573
 BBVA 1.382
 Cetelem 485
 Finantia 357

Valores em milhares de euros

Investimento dos grandes grupos manteve-se constante
Image Ainda de acordo com os dados compilados pela CXO Media, a despesa com TIC nos grandes grupos económicos registou um comportamento positivo (1,8%). Enquanto que, em 1995, a despesa dos grandes grupos económicos deveria rondar os 240 milhões de euros, no final do período em análise, a despesa destas empresas deveria ultrapassar 278 milhões de euros. Apesar de não possuirmos dados completos desde 1996, o peso da despesa com estas tecnologias nas vendas dos grandes grupos económicos terá declinado no decorrer deste peíodo. Com efeito, em 2000, o peso da despesa destas empresas nas vendas anuais era de 0,8%, enquanto que, em 2006, este valor era de 0,5%.
No entanto, o investimento destas empresas entre 1996 e 2005 ultrapassou 3,8 mil milhões de euros. Os grupos Portugal Telecom, Jerónimo Martins e Sonae lideraram os investimentos dos principais grupos económicos neste período tendo sido responsáveis por investimentos que ultrapassaram 620 milhões de euros, 200 milhões de euros e 189 milhões de euros, respectivamente, no decorrer do período analisado. À semelhança do sucedido nas empresas financeiras, a maioria do investimento nestas empresas terá sido consagrado à conclusão da adaptação dos sistemas aplicacionais à passagem do milénio e à adopção do euro e à consolidação das infra-estruturas operacionais, reorganização dos sistemas de informação e das infra-estruturas tecnológicas subjacentes decorrente dos processos de fusão e aquisição ocorridos no território nacional.

 

Grupos 2006 
Portugal Telecom
82.916
Jerónimo Martins
72.016
Sonae 23.187
EDP 13.503
Semapa 10.940
Unicer 6.155
Galp Energia
5.689
Correios de Portugal
5.572
Portucel   
4.582
Brisa   
4.244
ANA   
3.892
Teixeira Duarte
2.940
Siemens   
2.697
Cimpor   
1.802
Auto-Industrial   
1.540
BP   
1.458
REN   
1.402
Ibersol   
1.229
Media Capital 
1.191
Secil   
1.146

Valores em milhares de euros

 

Despesa da Administração Pública e das famílias cresce
Image Contrariamente ao que sucedeu com despesa da banca e dos grandes grupos económicos, a despesa dos organismos da Administração Pública com estas tecnologias deverá ter registado um crescimento anual médio positivo no período que cecorreu entre 2000 e 2005. Assim, e de acordo com os dados compilados pela equipa da CXO Media, enquanto que em 1995, a despesa dos organismos da Administração Pública com estas tecnologias tinha sido de 189 milhões de euros, em 2006, o investimento destes organismos ascendeu a 431 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento anual médio de 7,8%. E este crescimento foi sustentado no decorrer do período em análise. Com efeito, enquanto que, entre 1995 e 2000, o ritmo de crescimento da despesa terá sido de 8,9%, no período subsequente terá sido de 9%. No decorrer deste período, os organismos da Administração Pública foram responsáveis por investimentos superiores 4,5 mil milhões de euros. Os organismos dos Encargos Gerais do Estado, do Ministério da Ciência e Tecnologia, do Ministério da Justiça e do Mistério das Finanças lideraram a despesa com tecnologias de informação e comunicações na Administração Pública. A modernização do sistema judiciário e do sistema fiscal são alguns dos projectos subjacentes aos montantes investidos pelos organismos destes ministérios. Por outro lado, a entrada em funcionamento do Programa Operacional da Sociedade de Informação (POSI), estrututrado em sete eixos de actuação, veio permitir um crescimento substancial da despesa com estas tecnologias no território nacional, e em particular nos organismos da Administração Pública.
A despesa das famílias com estas tecnologias aumentou significativamente no decorrer do período em análise. Com efeito, e de acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, a despesa das famílias no território nacional que, no início do período em análise, era de 1,7 mil milhões de euros, em 2006, ultrapassava 4,1 mil milhões de euros, o que corresponde a um ritmo de crescimento anual médio de 8,2%. No entanto, e à semelhança dos reastantes sectores analisadoso ritmo de crescimento foi diferenciado. Assim, enquanto que, no período entre 1995 e 2000, a despesa das famílias cresceu a um ritmo anual médio de 12%, no período subsequente, este crescimento foi mais lento (5,3%).

Metodologia
Apurar a despesa anual com tecnologias de informação e comunicações não é um processo tranquilo. Para tal, podemos socorrermo-nos de duas metodologias disponíveis: na óptica da oferta ou na óptica da despesa.
Neste trabalho, e em virtude dos indicadores disponíveis, optámos por privilegiar a óptica da despesa. Assim, o cálculo do valor da despesa com estas tecnologias no território nacional envolve o somatório da despesa dos organismos da Administração Pública, da despesa das famílias, do investimento dos principais actores – instituições financeiras e grandes grupos – e das importações destes produtos e serviços. Ao resultado encontrado deverá ser retirado o valor das exportasções realizadas. Deste modo, acreditamos que chegamos a um valor próximo do que será o valor da despesa com TIC no território nacional.

 

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