Pouco a pouco o departamentos de TI começam liderar a implementação de projectos de Web 2.0m, com o objectivo de gerar valor para a empresa e para o negócio. Os departamentos de marketing e outras linhas de negócios podem ter sido responsáveis pelas primeiras implementações de tecnologias Web 2.0 em muitas organizações, mas cada vez mais os departamentos de TI começam a assumir a liderança na aquisição e na gestão destas tecnologias.
Esta conclusão foi retirada de um estudo da Forrester, que se baseou numa sondagem a mais de 260 profissionais de TI. Destes, 63% espera que tecnologias Web 2.0 como blogues, wikis e feeds RSS venham a ter um impacto nos seus negócios nos próximos três anos que variará entre o “moderado” e o “significativo”. Oliver Young, analista da Forrester e autor do relatório do estudo, afirma que é cada vez mais frequente “encontrar departamentos de TI a liderar as discussões sobre Web 2.0”. Ou seja, as previsões iniciais estão a revelar-se verdadeiras: os departamentos de TI apostam cada vez mais em ferramentas de Web 2.0 para gerar valor para a empresa e para o negócio. “Há alguns anos, a maior parte destas ferramentas eram novas – e estranhas. Mas agora os departamentos e os profissionais de TI estão cada vez mais familiarizados com elas, e utilizam-nas em proveito próprio.” A crescente aceitação de ferramentas de Web 2.0 pode também ser atribuída a uma mentalidade em mudança: os departamentos de TI começam a compreender que o seu sucesso depende do valor que eles acrescentam ao negócio. “Estas são, essencialmente, ferramentas orientadas para os utilizadores”, afirma Young. “E acrescentam muito valor ao negócio, e frequentemente a um custo muito reduzido”. Mas o estudo também revelou que a compreensão das ferramentas de Web 2.0 não é equilibrada: normalmente, são os trabalhadores mais jovens que conhecem as ferramentas e têm uma noção do seu potencial, enquanto os CIO e os gestores de TI séniores tendem a assumir uma atitude muito mais céptica. Por outro lado, o estudo também apurou que, maioritariamente, são os departamentos de TI a suportar financeiramente os projectos de Web 2.0. 80% dos inquiridos disse que eram os departamentos de TI das suas empresas que financiavam os projectos. Nas restantes situações, essa responsabilidade recaiu sobre os departamentos de marketing ou de comunicações corporativas. Mas a Forrester crê que aquela percentagem seja exagerada, estimando que pelo menos 60% das empresas tenham os seus projectos de Web 2.0 financiados pelos departamentos de TI – pelo menos parcialmente. Ainda assim, os departamentos de TI têm manifestado algumas preocupações relativamente às ferramentas de Web 2.0. Cerca de um terço dos inquiridos manifestou-se muito preocupado com os riscos da utilização de ferramentas de Web 2.0 de forma livre pelos empregados. 48% dos inquiridos afirmam estar moderadamente preocupados, e apenas 2% disse não existir qualquer preocupação a esse respeito. A Forrester apurou ainda que 22% das empresas sondadas para o estudo revelou que não foram feitas avaliações ao valor de negócio das tecnologias de Web 2.0. em 41% dos casos, essa avaliação é feita através de métodos convencionais, como o ROI, e em 27% das situações, o retorno é medido através de sondagens à produtividade dos empregados. Young salienta que a discussão em redor de ROI é sempre complicada, sobretudo nesta área, onde os benefícios são de natureza diferente. Por outras palavras, muitos dos beneficios à produtividade que a Web 2.0 traz encontram-se disseminados por muitos recursos diferentes. Mas de acordo com o relatório do estudo, os profissionais de TI consideram que a maior parte do valor de negócio reside nos espaços de discussão, nas Wikis e nos podcasts – ferramentas que, na opinião de Young, “são mais bem compreendidas por todos, e aquelas onte tanto quem as implementa como quem as utilize começa a ter uma ideia muito clara de como lhes dar uma boa utilização”. Já entre as tecnologias onde é detectado menos valor de negócio contam-se os mash-ups e a “marcação social”. Young considera que os mash-ups ainda não são muito bem compreendidos por todos – e que apesar de serem promissores, poucas companhias sabem como utilizá-los bem. Por isso, o analista crê que é possível que ainda seja necessário algum tempo para que os mash-ups revelem todas as suas potencialidades. Potencial por explorar
Apesar de a quantidade de iniciativas de Web 2.0 em empresas estar a aumentar, muito do potencial destas novas tecnologias permanece por explorar. Cada vez mais, os próprios departamentos de TI tomam a iniciativa de implementar ferramentas de Web 2.0; mas apenas uma quantidade muito reduzida de organizações adopta tecnologias de cariz mais “individual”, como blogues, feeds RSS ou wikis. A Gartner, porém, acredita que estas tecnologias serão progressivamente mais importantes para a competitividade das grandes empresas no futuro, ainda que no presente uma parte significativa do seu potencial esteja por explorar. A maioria dos departamentos de TI ainda não está a investir em wikis, blogues ou RSS; no entanto, aqueles que já o fizeram reconhecem o valor de negócio que estas tecnologias acrescentam. Os blogues são maioritariamente utilizados para comunicações internas e para partilha de conhecimento e conteúdos entre trabalhadores. A agregação de conteúdos e a comunicação corporativa são os principais motivos para a implementação de RSS, e as wikis tornaram-se mais populares pela capacidade que têm de ser uma “Wikipedia interna” para partilha de informação e para colaboração na criação de documentos. E 12% das empresas já utiliza wikis externas para comunicar com clientes. |