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RFID em redes abertas tem implicações na privacidade PDF Imprimir Endereço de e-mail:
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24-06-2008 01:00:00

A aplicação da tecnologia RFID em redes abertas pode ter consequências na manutenção da confidencialidade e privacidade das informações, segundo José Marques, professor do IST. A aplicação da tecnologia RFID – identificação por rádio frequência – em redes abertas pode ter implicações sérias e difíceis de contornar na manutenção da confidencialidade e privacidade dos dados gerados. Esta é uma das principais consequências que a utilização da tecnologia RFID pode trazer se esta evoluir como previsto, de acordo com José Alves Marques, professor do Instituto Superior Técnico e presidente do conselho de administração da Link Consulting.

Actualmente, a RFID é usada maioritariamente em redes empresariais fechadas, permitindo melhorar a arquitectura de processos das organizações, e, em alguns casos, da arquitectura de processos das empresas com os seus clientes, parceiros e fornecedores. No entanto, todos os factores indiciam que começará dentro de pouco tempo a ser aplicado a redes globais e abertas. Apesar das dificuldades de padronizar essa aplicação, as redes abertas serão o futuro da RFID, porque o valor de uma rede é igual ao quadrado do número de utilizadores, segundo a lei de Metcalf.
“As redes abertas vão permitir tirar mais partido das potencialidades da tecnologia”, disse o responsável. A evolução tecnológica, principalmente no que diz respeito ao fabrico das etiquetas RFID, bem como o facto de a tecnologia ter aplicabilidades cada vez mais diversas são tendências que permitem prever a primazia das redes abertas sobre as redes fechadas.

As investigações na área de micro electrónica estão a contribuir para a diminuição dos custos de produção de etiquetas de RFID e para o fabrico de leitores cada vez mais inteligentes. “Actualmente, o preço de uma etiqueta com um código RFID pode descer até ao cêntimo, mas se pensarmos, considerando a evolução para a identificação e localização ao item, um cêntimo por etiqueta na cadeia de fornecimento de um retalhista de média dimensão continua a ser caro”, disse José Alves Marques. A Universidade de Braga e o Instituto Superior Técnico, bem como muitas outras universidades por todo o mundo debruçam-se sobre o estudo da electrónica, visando reduzir o custo de produção dos componentes da RFID. Uma das vagas, ainda em fase inicial, que mais benefícios podem trazer quando chegar ao mercado assenta na utilização do elemento polímeros em vez de silício na produção de etiquetas. “Quando a investigação terminar é bem possível que imprimir uma etiqueta RFID seja tão barato quanto imprimir uma página de papel”, disse o professor. Quando essa realidade se verificar, os problemas associados à confidencialidade e privacidade dos dados gerados serão difíceis de abordar, pois a segurança deve ser garantida a múltiplos níveis.

“Os sistemas RFID em redes abertas e globais atravessam vários domínios de segurança e gestão: a segurança física das etiquetas, dos leitores, a segurança dos sistemas de informação em que é tratada e armazenada a informação gerada pela tecnologia; as garantias de autenticação de acesso e a definição das entidades que podem ou não ter acesso a determinados níveis de informação”, disse o responsável. Além disso, existem muitas outras questões em aberto para as quais ainda não foram dadas respostas, como por exemplo, a obrigatoriedade ou não de informar os clientes das empresas que determinados dados estão a ser registados, pedir autorização aos cidadãos para que esses dados possam servir diferentes fins, entre outras. “Há sempre a dificuldade de não se conseguir legislar sobre o que ainda não conhecemos”, referiu o professor. Neste âmbito, é requerida a atenção por parte dos organismos políticos à evolução da tecnologia e da sua aplicação, para a manutenção dos direitos à protecção de dados e confidencialidade. Foi destacado o trabalho a ser desenvolvido pelo projecto Bridge, parcialmente financiado pela União Europeia, que visa, entre outras coisas, desenvolver soluções para garantir a segurança da tecnologia RFID e da informação, bem como promover acções de formação, abertas a todos, acerca da tecnologia, limites e potencialidades, segundo a executiva responsável Emilie Danel. 


Benefícios da RFID em redes fechadas

 

A aplicação da tecnologia nos negócios das organizações, melhorando as redes internas de funcionamento, tem sido até agora bastante benéfica, de acordo com alguns utilizadores finais. Além de ser aplicada nos mais diversos sectores – desde o retalho, a saúde, a distribuição e transportes até à indústria de aviação, a tecnologia RFID serve diferentes propósitos. Pode ser usada na localização e rastreio de bens, na produção, manutenção e monitorização, na verificação de temperaturas e humidade de determinados ambientes, podendo ainda ser aplicada em sistemas de alerta e emergência. Além disso, estão a ser feitas investigações para que o RFID seja aplicado à optimização das cadeias de valor das florestas – proposta da QREN Individual CAMTEC.
“A aplicação da tecnologia RFID nos negócios das empresas permite reduzir a complexidade, de custos e facilita a colaboração entre os parceiros comerciais”, disse Silvério Paixão, da GS1 Portugal. O caso da Procter&Gamble é tido como um dos principais exemplos. Com o sistema tradicional, a empresa levava 20 segundos a fazer a recepção de uma palete de produtos nos seus armazéns, e depois da aplicação de um sistema RFID demora cinco segundos. Além das vantagens da velocidade e da eficiência nos processos dos armazéns, permitiu ainda libertar os funcionários para o desempenho de tarefas mais importantes e menos rotineiras, segundo a gestora de desenvolvimento de padrões da GS1 EPCglobal, Natalie Debouvry. No entanto, para a aplicação ser benéfica, é necessário olhar para os processos e perceber como podem ser melhorados – é preciso que exista uma arquitectura de processos prévia. José Alves Marques recomenda a definição de modelos de processo de negócio, informação sensível, aconselhando ainda à definição de capacidades de evolução dos sistemas, das implicações da aplicação nos ERP da empresa, bem como sobre os seus modelos de dados.

 

Dimensão das empresas nacionais limita adopção do RFID

 

A adopção do mercado português à tecnologia RFID segue a velocidade dos restantes mercados europeus, na visão do José Alves Marques, presidente do conselho de administração da Link Consulting e professor do Instituto Superior Técnico. No entanto, existem características específicas da realidade nacional que contribuem com mais veemência para o atrasa na adopção da tecnologia. A dimensão das empresas e dos sectores, bem como a ausência de arquitecturas empresariais e cultura de inovação são alguns desses factores.
“Para retirar valor do RFID é necessário que as empresas e os próprios sectores tenham alguma dimensão. Caso contrário, é difícil, ao preço das etiquetas e dos leitores, conseguir um ROI aceitável”, disse. Além disso, o retorno é apenas possível quando serve a optimização do BPM – o que não é prioridade para a maioria das empresas nacionais. Por último, o professor referiu ainda que o investimento em RFID deve ser a longo prazo – o que pode implicar, no mercado nacional, demasiada pressão sobre os orçamentos.

 

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