À medida que mais e mais organizações avaliam o seu impacto no planeta e optam por ser “verdes”, as preocupações começam a aumentar para saber se estão a fazer progressos. As TI estão a tornar-se verdes. É verdade. Muitos responsáveis tecnológicos encolhem os ombros quando se mencionam as alterações climáticas ou passam por painéis de conferências que utilizam a terminologia “verde”. Neste momento, e de acordo com um estudo exclusivo da CXO, estão a começar a pensar verde.
Regulamentações governamentais severas, crescimento dos custos energéticos e consciência crescente de que a sustentabilidade é uma preocupação real do negócio estão a empurrar as organizações para adoptarem estratégias que satisfaçam as necessidades futuras de energia e exigências sobre dados das emissões de carbono. A computação verde (Green IT) está a fazer incursões nos centros de dados e os Chief Information Officer (CIO) começam a compreender que é apenas o início. Cinquenta e quatro por cento dos responsáveis de tecnologias de informação que participaram num estudo da revista CIO norte americana referem que as suas organizações possuem objectivos de sustentabilidade ambiental para as tecnologias de informação (TI). Por outras palavras, estão a tentar reduzir o impacto negativo das TI no planeta. Mas o estudo refere ainda que estes responsáveis estão igualmente motivados pela responsabilidade social, assim como pelos benefícios de negócio. Enquanto que trinta e oito por cento afirmam que estão a adoptar soluções verdes porque é a coisa certa a fazer, trinta e sete por cento referem que fazer aquilo que está certo para o planeta auxilia-os a reduzir os custos operacionais, por exemplo através da redução do consumo de energia. Apenas cinco por cento encaram as TI sustentáveis como uma vantagem competitiva. Para os departamentos de TI o foco nos custos, em particular nos custos energéticos, é o local lógico para começar. Se tomar atenção ás noticias, sabe que endereçar as alterações climáticas passa por repensara utilização da energia. “Como CIO, os custos da electricidade representam uma parte substancial da minha factura”, refere Patrícia Lawicki, vice-presidente e CIO da Pacific Gás & Electric (PG&E). Reduzir a conta de electricidade permite a redução de custos e liberta fundos para investimentos adicionais de TI. Poucas organizações foram mais longe. Apesar de existir imensa atenção dos media acerca do cálculo das pegadas de carbono, os responsáveis de TI, em regra, não estão a abordar a questão das emissões de carbono das suas organizações. Entre os 280 responsáveis de TI inquiridos, 61 por cento referem que não estão a medir a pegada de carbono corporativa, apesar de 16 por cento referirem que estão a preparar-se para tal. Apenas 11 por cento dos inquiridos referem que as suas organizações não estão conscientes das emissões de carbono, mas que as TI são parte do cálculo. Mas isto vai mudar. Os países estão a negociar uma extensão do protocolo de Quioto que estabelece limites para as emissões globais de carbono. (O processo iniciou-se no final do ano em Bali). “A menos que a ciência subjacente às alterações climáticas desenvolva uma visão mais optimista do problema, ou o progresso do desenvolvimento tecnológico e da adopção, juntamente com alterações comportamentais, seja mais rápido que o esperado, as organizações devem antecipar que serão obrigadas a fazer melhorias significativas na eficiência energética e dos materiais, avisa Simon Mingay, analista do Gartner. Andrea Moffat, director de programas corporativos da Ceres, uma rede de investidores, advogados ambientais e organizações de interesse público, prevê que assim que as organizações começarem a lidar com o seu impacto no clima, o papel das TI irá mover-se para lá de tornarem verde o centro de dados. No entanto, a extensão deste movimento irá depender da empresa e da indústria, na medida em que algumas organizações empresariais irão olhar para a transformação para o “verde” como um desafio. Por exemplo, enquanto que a empresa de serviços financeiros Citi, que inclui o Citibank, desenvolveu uma aplicação de business intelligence para gerir a energia utilizada nos seus edifícios, tornar verde a sua cadeia de abastecimento não será um processo claro. ”Muitas empresas continuam a necessitar de ter uma noção da quantidade de energia que utilizam, e este é um importante passo se as organizações escolhem projectos ambientais com benefícios para o planeta e para a sua rentabilidade”, afirma Andrea Moffat. Apesar de ser questão de debate se a decisão de tornar-se “verde” foi livre ou uma condição, a PG&E e o Citi possuem o compromisso de conduzir os negócios de um modo amigável para o ambiente. No processo, estas empresas aprenderam como utilizar as TI para balancear os imperativos de gerir um negócio rentável em simultâneo com um negócio “verde”. Para lá dos centros de dados verdes
Apesar de 56 por cento dos inquiridos no estudo da CIO referirem que não monitorizam a despesa com energia relacionada com as TI, 64 por cento estão a reduzir, ou possuem planos para reduzir, o consumo de energia dos seus servidores. E quase outros tantos referem que irão ocasionalmente adquirir produtos de TI que são eficientes energeticamente ou que são produzidos e distribuídos de um modo sustentável. Para a responsável da PG&E, a pressão para reduzir o consumo de energia nos centros de dados é motivado, não apenas pelo custo – a conta de electricidade cresce com a capacidade de processamento do centro de dados – mas também pelas regulamentações de emissões. A PG&E, o maior operador energético na Califórnia, possui um registo ambiental misto. Uma década atrás, quando a empresa foi acusada de contaminar as águas pelos residentes de Hinkley, o acordo judicial de 333 milhões de dólares constituiu a base para o filme Erin Brockovich. Presentemente, apesar da empresa continuar sujeita a criticas, a PG&E trabalhou arduamente para se posicionar como líder na distribuição de energia de baixas emissões (mais de 50 por cento da sua energia é proveniente de fontes não emissoras de CO2, incluindo o nuclear e hidroeléctrico) A PG&E definiu como objectivo tornar os seus escritórios, centros de serviço e outros edifícios neutros até 2009. A empresa lançou ainda vários programas desenhados para auxiliar os clientes a reduzirem o consumo de energia, incluindo um desconto para os negócios que instalem equipamentos eficientes energeticamente nos seus centros de dados e um programa de “contadores inteligentes” para medir os padrões de consumo de energia residencial. Antes de iniciar um projecto de consolidação de servidores, a equipa de Patrícia Lawicki mediu o consumo de energia de cada classe de servidores para obter um ponto de referência. O consumo de energia do centro de dados foi medido utilizando um sistema robótico dinâmico termal de monitorização que detecta pontos quentes no centro de dados em diferentes momentos do dia. “Este é o nível de detalhe que necessita para assegurar que está a fazer aquilo que é correcto”, refere. Patrícia Lawicki efere ainda que existe um potencial por explorar nas TI para reduzir as emissões das operações da PG&E, mas continua a aguardar um pico na procura. “Estamos à espera que as empresas venham ter connosco e afirmem que querem ser mais ‘verdes’”, refere a responsável da PG&E. As unidades de negócio da PG&E podem utilizar as TI para optimizar quase tudo, desde as rotas de transporte até às compras de linhas eléctricas. Segundo Patrícia Lawicki, tal não vai ser uma tarefa fácil e vai ser requerer muito trabalho. A responsável da PG&E antecipa que a cadeia de abastecimento da empresa irá solicitar ferramentas de TI para os auxiliar a analisar decisões de distribuição baseadas na pegada de carbono deixada pela empresa. Isto significa recorrer a fabricantes de software como a TK Software e solicitar novas funcionalidades que suportem a recolha e a análise de dados adicionais. Os analistas apontam a gestão da cadeia de abastecimento, a gestão dos activos corporativos e sistemas de controlo da produção como as categorias de software que mais devem evoluir para endereçar a procura emergente de dados sobre as emissões de carbono. Segundo a Gartner, oito tecnologias irão tornar-se criticas para as empresas envolvidas em esforços de sustentabilidade. Estão incluídas aplicações de optimização de chamadas de serviço e de reparação, assim como as tecnologias de comunicações e colaboração que possibilitem aos empregados desenvolverem o seu trabalho em casa ou reduzir as suas viagens. |