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Organizações e governos recorrerão cada vez mais a serviços de TIC independentemente do seu país de origem, ou da localização dos fabricantes das soluções – e isto aplica-se a software, hardware, telecomunicações, serviços de TI e mesmo pessoas.
Partha Ivengar, vice-presidente e analista da Gartner, afirma que “o crescimento rápido de TI em nações emergentes está a anular as fronteiras dos negócios, e isso terá um impacto global. Mesmo que uma empresa não tenha operações directas, por exemplo, na China ou na Índia, os seus fornecedores poderão ter lá presença, assim como alguns dos parceiros e clientes”. Por isso, a analista considera que as organizações têm de aprender a concorrer com estas empresas em rápida transformação. Para a Gartner, este fenómeno está longe de ser uma tendência nova. Na verdade, a queda das fronteiras tradicionais é a última etapa da globalização iniciada com a revolução industrial. Actualmente, as forças sociais e políticas estão a tranformar países em desenvolvimento em potências económicas com grandes ramificações globais para os seus negócios. E apesar de ainda haver uma diferença substancial entre a dimensão absoluta dos mercados de TIC emergentes e maduros, as regiões emergentes começam a recuperar terreno no que concerne a investimentos em tecnologia. De acordo com os dados mais recentes da Gartner, a taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 2006 a 2011 indica que os gastos em TI irão representar 8,5% do PIB total dos mercados emergentes combinados – enquanto nos mercados mais maduros, a despesa com TI será de 4,3% do PIB para o mesmo período. Durante este intervalo de tempo, os mercados emergentes conhecerão um aumento de 9,9% na CAGR, ao passo que nas economias maduras esse aumento será de 4,6%. Mas em alguns segmentos, como o mercado das telecomunicações, é expectável que os mercados emergentes ultrapassem os desenvolvidos – o que irá diluir ainda mais as fronteiras. A Gartner prevê que em 2010 os gastos de TI para equipamentos de telecomunicações nas economias em desenvolvimento supere os gastos das economias desenvolvidas, pra em 2011 consolidar esse avanço. Os efeitos desta mudança serão particularmente visíveis no sector dos serviços de TI, onde grandes fabricantes indianos (como a TCS, a Infosys e a Wipro) são considerados estratégicos para negócios, com vários serviços a concorrer com os líderes globais tradicionais. Mas num futuro próximo, os fabricantes começarão a considerar as oportunidades e a concorrência oferecidas noutros mercados emergentes. Regiões como a Europa de Leste, a América Latina e alguns países asiáticos já são hoje localizações muito viáveis para serviços de offshore. Países como a Argentina, o Vietname ou a Roménia irão oferecer bastantes oportunidades, mas vários serão os desafios colocados no desenvolvimento da governância necessária para lidar com esta nova classe de fabricantes. |