|
Os centros de dados existentes a nível mundial representam cerca de 0,5% do consumo energético e são responsáveis por mais de 0,3% das emissões de gases de estufa a nível mundial. E, apesar da implementação de tecnologias de virtualização, a procura mundial de servidores vai continuar a aumentar colocando uma pressão adicional na eficiência energética destas instalações.
Estas são algumas das conclusões de um estudo realizado pela McKinsey e apresentado no decorrer do Uptime Institute Symposium. O rápido crescimento do número e da dimensão de centros de dados a nível mundial vai colocar sérios problemas às organizações empresariais a nível mundial. Em primeiro lugar, porque estas instalações já representam cerca de 25% do orçamento de tecnologias de informação das organizações empresariais a nível mundial. E, por outro lado, porque, nos últimos anos, a procura de servidores tem vindo a crescer a um ritmo elevado (13,6%) e as previsões para os próximos ano apontam para que, apesar do abrandamento provocado pela adopção de tecnologias de virtualização, o ritmo de crescimento será ligeiramente inferior a 10%, estimando-se que, em 2010, a base instalada de servidores a nível mundial ultrapasse 43 milhões de equipamentos. Os analistas da McKinsey referem ainda que os os “verdadeiros custos” dos servidores são quatro a cinco vezes superiores aos custos de aquisição. Com efeito, e de acordo com o estudo, os custos das operações no centro de dados, da electricidade consumida e da depreciação das instalações aumentam significativamente estes custos pelo que o custo real de um servidor “mid-tier” ultrapassa 2500 dólares. Os analistas da McKinsey referem ainda que, muitas vezes, os servidores são utilizados em ambientes mais elevados do que as necessidades contribuindo, deste modo, para um crescimento dos custos associados. Deste modo, não será de estranhar que os custos das instalações tenham vindo a crescer a um ritmo superior (20%) ao da despesa com tecnologias de informação (6%), referem os analistas da McKinsey. Por outro lado, e apesar do abrandamento do crescimento das vendas de servidores a nível mundial, o consumo energético por servidor vai crescer a um ritmo de 9%, pelo que a factura energética dos centros de dados a nível mundial vai continuar a aumentar, referem os analistas da McKinsey. Assim, e de acordo com os dados publicados no referido estudo, e tendo em conta que o consumo energético destas instalações duplicou entre 2000 e 2006, estima-se que, em 2010, a factura energética destas instalações ultrapasse 11,5 mil milhões de dólares (8,6 mil milhões de dólares no final do ano passado). Neste contexto, não será de estranhar que a pegada de carbono destas instalações vá continuar a aumentar, referem os analistas da McKinsey. Com efeito, os centros de dados existentes a nível mundial são responsáveis por 0,5% do consumo energético a nível mundial. Por outro lado, estas instalações são responsáveis por 170 milhões de toneladas de CO2, equivalente a 0,3% das emissões de gases de estufa a nível mundial, valores muito próximos das emissões de indústrias como a aviação civil (0,6%) ou a produção de aço (1%) ou de países como a Argentina (142 milhões de toneladas de CO2) ou da Holanda (146 milhões de toneladas de CO2). E as previsões apontam para que as emissões de gases com efeito de estufa destas instalações quadrupliquem até 2020, ultrapassando as emissões da aviação civil. Este crescimento vai colocar “sérios desafios” às organizações empresariais a nível mundial, referem os responsáveis pela condução do estudo. Os analistas da McKinsey referem ainda que sem a introdução de “alterações radicais” nas operações dos centros de dados, algumas organizações empresariais com grandes centros de dados irão começar a reduzir a sua rentabilidade. |