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Se é verdade que as comunicações móveis estão a revolucionar os serviços em África, não menos verdade é a existência de ainda muitos desafios técnicos e de regulação – tanto para os telemóveis como para a banda larga.
A quantidade de ligações móveis ascendeu a 282 milhões, um aumento de 70 milhões no espaço de um ano. O alargamento da cobertura adicionou, de acordo com a GSM Association (GSMA), mais 46 milhões de potenciais clientes, estando o continente africano com uma cobertura total de 66%, actualmente. A indústria, porém, colocou a fasquia bem mais elevada: em cinco anos, a cobertura deverá ter atingido os 90%. “Alcançar esse objectivo, e fornecer serviços a essas comunidades será um grande desafio”, considera Tom Philips, director de assuntos governamentais e de regulação da GSMA. De momento, ainda existem cerca de 300 milhões de utilizadores em áreas rurais sem cobertura para comunicações móveis. Uma das chaves para o crescimento no continente tem sido a crescente concorrência, com monopólios a darem lugar a duopólios e cada vez mais operadores a competirem por um lugar no mercado. Mas para a GSMA, muito mais pode ser feito. Philips vê no actual “imposto sobre o luxo” aplicado sobre o IVA tanto para os equipamentos como para as comunicações móveis como um obstáculo, quando a eliminação desse imposto acabaria por dar origem a maiores receitas, uma vez que tanto as vendas como a utilização iriam aumentar. Outro obstáculo ao crescimento é o quadro regulatório. Mohammad Hassan Omran, presidente da Emirates Telecommunications Corp. (Etisalat), afirma que em certas areas é comum um regulador aceitar um conjunto de regras num dia para as alterar no dia seguinte. Para além disso, mudança de governo também implica com frquência a mudança das normas. E se conseguir realizar chamadas telefónicas através de um telemóvel é importante, não o será menos conseguir aceder a dados com velocidades de banda larga. De acordo com dados da ITU, apenas cinco países africanos tinham, no final de 2007, uma taxa de penetração de banda larga superior a um por cento. E a implementação de banda larga em África é hoje um grande desafio. “Há quem esteja a tentar, vários cabos submarinos estão a ser montados, mas isso não irá resolver o problema. Ligações entre países são quase inexistentes – o que implica o recurso a comunicações por satélite, que são mais lentas e mais caras”, afirma Sanjiv Ahuja, antigo CEO da Orange SA. “África é um continente, e por isso é necessário promover esforços para ligar os países”; acrescenta. E o problema da falta de ligações é acentuado pelo facto de a maioria dos acessos que ligam operadores locais a banda larga internacional estarem, em muitos países, em regime de monopólio. A solução para o crescimento e expansão da banda larga pode passar pela utilização de frequências de bandas mais baixas, que deverão ficar disponíveis quando terminar a televisão analógica. A utilização do espectro de 800MHz poderá reduzir as despesas para a construção de redes em metade, o que ajudará à implementação de banda larga móvel em áreas rurais – algo que Philips considera ser uma “prioridade absoluta” em África. |