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Aposta na propriedade intelectual pode solucionar atraso português PDF Imprimir Endereço de e-mail:
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15-05-2008 00:00:00

A economia do conhecimento depende da eficácia do investimento em propriedade intelectual. Esta pode ser a “chave” para solucionar o atraso de Portugal neste âmbito, segundo Luís Tavares, professor do IST.

“Portugal mantém um modelo económico baseado na industrialização. Entrada na economia do conhecimento tem de passar pela defesa e suporte ao desenvolvimento da propriedade intelectual”, disse o professor do IST, Luís Valadares Tavares.

Para o modelo de economia do conhecimento, que se baseia no conhecimento transformado em inovação e criação intelectual, poder vingar no nosso país, é preciso endereçar os principais problemas na investigação e desenvolvimento nacionais; solucionar a burocracia que domina o registo de patentes; e combater a falta de produtividade das patentes, de acordo com João Picoito, da Nokia Siemens e o professor Luís Valadares, presentes no 1º Congresso Nacional da Propriedade Intelectual. 
 Em Portugal foram registadas 87 patentes durante o ano de 2007, segundo os dados do Observatório de Prospectiva da Engenharia e da Tecnologia. Os países em que se verifica mais patentes registadas são os Estados Unidos, com cerca de 52 280, seguindo-se o Japão, com 27 731 registadas e a Alemanha com 18 134. No entanto, está análise é limitativa, explica o professor do IST. O número não é, per si, um problema, segundo Luís Tavares. “O investimento em I&D é mal feito, não endereça problemas reais e não garante retorno”, disse.
O facto de um país como o nosso canalizar 1% do seu PIB para I&D não é escandaloso, o grave é que 80% desse valor é encaminhado para o I&D das universidades e restantes organismos públicos, segundo João Picoito. Resultado: existe uma forte aposta em investigação “fundamental” e pouca em investigação com fins lucrativos; agravada ainda pela pouca ligação das empresas à academia e vice-versa. Por investigação “fundamental”, João Picoito entende a investigação que, apesar de necessária, não tem aplicabilidade prática, pelo menos no curto prazo, e não é pensada para ser geradora de riqueza e capital. “A falta de I&D que enderecem os problemas reais das empresas, e com o objectivo de criar riqueza e gerar lucro continuará até que se decida apoiar a I&D privada”, disse Picoito. Esta realidade pode, segundo o responsável, ser ainda manifestada pelo indicador de número de investigadores por cada mil trabalhadores: o rácio na Finlândia é 20, em Portugal é 4.

Além disso, afirmou Tavares, o número de patentes pedidas por 106 dólares gastos em Portugal – cerca de 0,11 (Espanha tem 0,27 e a Polónia 0,77), permite concluir que o montante investido nem sempre se traduz em retorno, nem que esse retorno seja o registo de patentes.


TIC e Sáude dominam registo de patentes 

 

Durante o ano de 2007, o maior número de patentes registadas foram nas áreas das TIC e da Saúde, segundo os dados do Observatório de Prospectiva da Engenharia e da Tecnologia, apresentados pelo professor do IST, Luís Tavares. O ano passado foram registadas 30 860 patentes na área das TIC (15 751 em Telecomunicações e 15 109 em Tecnologias da Informação) e 25 826 na área da Saúde
(13 936 em produtos farmacêuticos e cosméticos e 11 890 em tecnologia médica). Na área de instrumentação foram registadas cerca de 13 531 patentes, e na área de energia 11 035.

 

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