Transferências de dinheiro, pagamentos, cobranças e e-health são apenas algumas das áreas nas quais os africanos utilizam cada vez mais os seus telemóveis. No Quénia, por exemplo, foi desenvolvido o serviço M-PESA (M de “móvel” e “PESA” por ser a palavra no idioma Swahili que significa “dinheiro”). Com uma adesão de dois milhões de utilizadores por ano após o seu lançamento, o M-PESA pode ser utilizado por alguém numa área urbana para enviar dinheiro a familiares que residem nas zonas rurais – ou pode permitir aos habitantes das zonas rurais pagarem contas relativas às áreas urbanas. Isso, conforme explica Gabriel Solomon, vice-presidente sénior da GSM Association, é feito de forma instantânea através de uma simples SMS, podendo assim os seus utilizadores evitar viagens muito longas.
Este serviço, desenvolvido pela Vodafone, teve tanto sucesso porque em África é difícil para muitas pessoas terem uma conta bancária. Obter dinheiro, por outro lado, também é complicado nas áreas rurais. E se um utilizador não tiver crédito disponível, pode recorrer a um serviço intitulado “beeping”: neste serviço, o operador permite que uma mensagem seja enviada para alguém a pedir que essa pessoa telefone de volta. E alguns operadores chegam msmo a oferecer empréstimos para os cartões SIM. O acesso partilhado também está a ter um enorme sucesso e um impacto profundo em África. Com um dispositivo manual e algum software é possível vender comunicações. A MTN estima que no Uganda, por exemplo, cada telefone partilhado sirva cerca de 500 pessoas. Outra área onde começam a surgir, em África, aplicações interessantes é na e-health. Na África do Sul, a tecnologia SMS é utilizada para monitorizar o estado de pacientes e fornecer avisos sobre os medicamentos a tomar. Quando uma caixa de comprimidos com um chip integrado é aberta por um paciente, uma mensagem é enviada para um computador central. Se o paciente não a abrir quando era suposto, uma mensagem é também enviada, e o paciente pode assim ser lembrado acerca do medicamento. Para o governo, este serviço traduziu-se em enormes poupanças, uma vez que as pessoas não necessitam de consultar o médico com a mesma regularidade. “A utilização do telemóvel para mais do que meras chamadas telefónicas e outros serviços elementares é uma nova revolução em África”, afirma Solomon. “Isso permite a existência de mais transacções económicas, o que por sua vez vai estimular o crescimento económico”. |