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A interoperacionalidade entre sistemas abertos e sistemas proprietários, bem como a definição de padrões abertos divide a indústria. Apesar de a Microsoft afirmar que os recentes passos indiciam maior abertura, a Sun, a Novell, a Red Hat e o ESOP garantem que não é suficiente.
A interoperacionalidade entre aplicações continua a gerar polémica junto dos fabricantes de software proprietário e fabricantes de software aberto. A Microsoft garante que os seus últimos passos indiciam maior abertura. Já os restantes fabricantes presentes no VI Encontro Nacional de Tecnologia Aberta asseguram que ainda é preciso fazer muito mais. “Deram-nos a mão, mas é preciso darem-nos o braço todo”, disse João Batista da Novell. “As empresas são por vezes concorrentes em determinados negócios e parceiras noutros negócios – a principal mais valia é a maior transparência das empresas”, disse Marcos Santos, responsável da estratégia de plataformas da Microsoft. Tal significa que o compromisso do fabricante com a interoperacionalidade baseia-se nos acordos e parcerias com empresas concorrentes ou não. Esse é o caso da Novell por exemplo, com que tem desde 2006 uma parceria de interoperacionalidade Windows-Linux. Os benefícios são muitos para todos os intervenientes – as empresas envolvidas e os próprios consumidores. Marcos Santos relembrou ainda a decisão da Microsoft de abrir o acesso às API – interface de programação de aplicações de alguns dos seus principais produtos de software, incluindo o Windows e o Office. Além disso, o fabricante comprometeu-se com quatro novos princípios de interoperacionalidade para assegurar as ligações com software de código aberto: promover a portabilidade de dados, reforçar o apoio aos padrões da indústria e aproximar as suas relações com os clientes e a indústria (o que inclui as comunidades promotoras de software de código aberto). OOXML versus ODF
Apesar das restantes empresas presentes no debate estarem cientes destas iniciativas, facto é que a criação de um novo formato de documento – recentemente aprovado pela ISO – o OOXLM, ou Open OXML não demonstra o “reforço do apoio aos padrões da indústria” prometido.
O ODF é uma padrão simples de usar, de implementar e foi desenhado para ser multi-implementado – já o OOXML foi desenhado para representar um produto e uma marca – logo não pode funcionar tão bem, segundo Paulo Vilela – director de desenvolvimento de negócio com a Sun Microsystems. Segundo a Microsoft, o OOXML adveio de uma necessidade de homogeneizar milhões de documentos espalhados um pouco por todo o mundo. “Para isso chamámos algumas empresas para se juntarem nós – sozinhos não conseguiríamos fazê-lo – tais como a Apple, a Intel e a Novell”, disse Marcos Santos. A Red Hat e o ESOP não cedem à justificação, e consideram que o alargamento teria sido a melhor solução. “O ODF é extensível e escalável, ou seja poderia ter sido usado pela Microsoft para unificar os tais documentos heterogéneos a que se refere, mas não o fez”, disse o presidente do ESOP, Gonçalo Homem. “Perdeu-se uma boa oportunidade de criação de um padrão universal para documentos”, lamentou-se. Jan Wildeboer, evangelista para a open source da Red Hat da EMEA, alertou para a necessidade de homogeneizar os padrões e unificar de modo a garantir o acesso aos dados nos próximos 30 anos. “Os padrões abertos são a única opção viável para garantir a sustentabilidade digital”, disse. As desvantagens da criação de um novo padrão vão muito além do acesso aos dados a longo prazo, para o presidente da ESOP. As desvantagens estão aqui e agora e podem reflectir-se na capacidade da indústria conseguir responder aos desafios que lhe são colocados com eficácia e equidade. “Quando falamos em concorrência e capacidade de competir, todos têm de jogar pelas mesmas regras – os padrões devem ser universais”, alertou. A diversidade e multiplicidade de padrões não traz mais possibilidade de escolha, simplesmente aumenta a complexidade e obriga ao desperdício de tempo e dinheiro, segundo o responsável. François Bancilhon, CEO da Mandriva, lembrou a todos os presentes o que tende a ser esquecido – “Todas as empresas que queiram lucrar vão, se lho permitirem fazer, fechar os seus negócios o mais possível, enquanto isso continuar a ser benéfico para si”. O verdadeiro poder de pressão para maior interoperacionalidade e abertura dos padrões está em dois elementos principais: o estado ou órgãos de regulamentação e os próprios utilizadores, segundo o responsável. Curiosamente, quando a Microsoft anunciou maior abertura, houve observadores que afirmaram que se tratava apenas de uma tentativa de agradar à União Europeia, com quem a Microsoft já disputou diversos processos litigiosos. |