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A Internet transformada em “computador mundial” PDF Imprimir Endereço de e-mail:
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29-01-2008 23:00:00

ImageO mundo das TI está em vésperas de uma mudança fundamental, segundo Nicholas Carr. O autor de “IT Doesn’t Matter” crê estar para breve um modelo no qual os benefícios das TI serão fornecidos como serviço de “utility”. Carr afirma que a natureza da computação está a entrar nas fases iniciais de uma grande mudança: a passagem do fornecimento local de aplicações para um modelo de “utility”, onde as funcionalidades são fornecidas a partir de “estações centrais” espalhadas pela Internet. Esta transforma-se cada vez mais em plataforma programável, como um computador de escala mundial.

 

O autor tem um novo livro – "The Big Switch: Rewiring the World" – onde explica que este processo é análogo àquele que teve lugar há 100 anos com os processos mecânicos, quando a energia eléctrica mudou a natureza deste recurso. Mas mais do que isso: a electricidade mudou também a forma como as pessoas e os negócios utilizavam e tiravam partido das máquinas. Nos seus estudos sobre a evolução tecnológica, Carr notou vários cortes radicais nas tecnologias utilizadas, e crê que a computação se prepara para uma dessas transformações. O autor recorre ao conceito de “tecnologias de finalidades gerais” para definir o estatuto que as tecnologias de informação têm actualmente, devido ao seu potencial para servirem de base a um sem-número de funcionalidades e aplicações. Na óptica de Carr, apesar de uma certa base comum, a electricidade e a computação são tecnologicamente muito diferentes. E afastam-se mais ainda num ponto fundamental – as TI são uma tecnologia modular, o que a electricidade não é. A electricidade é produzida e transmitida, mas tudo aquilo que a ela é ligado pelos utilizadores é da sua inteira responsabilidade. Com as TI, isso não acontece – cada função diferente, para Carr, pode ser considerada um módulo individual, podendo o processamento ser feito tanto localmente como em rede. E o mesmo acontece com o armazenamento de dados e praticamente todas as aplicações, que podem ser fornecidas tanto localmente como a uma escala mais ampla, sobre a rede. Diferenças à parte, porém, na essência das tecnologias de informação encontra-se o processamento, armazenamento e a transmissão de dados, e com base nestes três pilares pode-se criar todo o tipo de aplicações. Tal como com a electricidade.

 

Economia mantêm-se determinante 

A analogia, contudo, resulta num patamar estritamente económico. No limite, considera Carr, é a economia que determina o que as pessoas e as empresas fazem. É relativamente fácil perder isso de vista, devido à “euforia” gerada pelo constante progresso tecnológico. Mas as empresas são puramente económicas, e por isso a sua relação com as TI será necessariamente económica também. Consequentemente, será a economia das TI, e o fornecimento – central ou local – das TI o factor determinante para a forma como as empresas vão ver as TI no futuro.

Departamentos de TI mais pequenos
Claro que este processo trará obrigatoriamente mudanças. A longo prazo, os departamentos de TI das empresas tenderão a reduzir os membros das suas equipas. Actualmente, a maior parte das tarefas dentro dos departamentos de TI estão relacionadas com a manutenção interna de hardware e software. A tendência, porém, será a de estes cargos passarem, com o tempo, para o lado da oferta, mudando o departamento de TI o seu foco para a gestão de informação e das ligações entre os serviços de software para os processos de negócio.
E o mesmo, em última análise, se aplicará aos fabricantes. Se por um lado existe a oferta de TI, que tenderá a expandir a sua força de trabalho, por outro é preciso equacionar a crescente automatização de serviços de TI, através da virtualização, por exemplo. A tendência de automatização, à semelhança do que já aconteceu antes, tende a diminuir a necessidade de forças de trabalho numerosas.
A mudança prevista por Nicholas Carr vai mesmo mais longe. O autor defende que a World Wide Web se está a tornar num “World Wide Computer” – com todas as componentes de um computador, desde o chip de processamento ao armazenamento de dados ou às aplicações a poderem ser “montadas” a partir da Internet e fornecidas através de diferentes fabricantes. Para Carr, isto significa que a Internet se está a tornar programável, como qualquer outro computador. E um dos grandes desafios para as empresas passará por compreender como programar esta nova e vasta “máquina partilhada” de forma a obter os recursos necessários a cada negócio.

 

Segurança é o aspecto mais problemático

Este novo modelo levanta, contudo, alguns problemas. A segurança será, talvez, um dos mais óbvios, mas Carr não vê esta questão como particularmente problemática. Quem tem de provar a sua fiabilidade e segurança para ganhar a confiança dos clientes são os fornecedores de serviços, e Carr acredita que, em última instância, este modelo utilitário oferecerá mais segurança do que aquela que existe actualmente. A razão para isso é a presente fragmentação dos sistemas de TI, onde existem empresas muito boas do ponto de vista da segurança, e outras claramente más. Muitas falhas noticiadas devem-se a erros individuais; um modelo de utility, no qual cada vez mais dados são fornecidos através de soluções cuja existência depende da sua capacidade de manter elevados padrões de segurança, poderá acabar por implicar dados mais seguros no futuro.

 

Melhor acesso às TI para as PME

Qual será, então, a grande vantagem do novo modelo para as TI? Nicholas Carr crê que a mudança beneficiará sobretudo as pequenas empresas. Estas têm estado em desvantagem face às grandes corporações, por não conseguirem construir grandes centros de dados ou implementar os melhores sistemas de ERP, por exemplo. O autor defende que um modelo de “utility” reequilibra esta situação ao permitir às empresas mais pequenas, aceder às mesmas operações e aplicações informáticas mais sofisticadas, que até ao presente se encontram disponíveis essencialmente para as grandes empresas.

 

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